A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, exortou os Estados-membros com mísseis intercetores em fim de vida útil a fornecê-los à Ucrânia, advertindo que a Rússia está a intensificar os ataques a civis para "quebrar a população ukrainiana". Kallas salientou que os meses de julho e agosto "foram os mais mortíferos para os civis na Ukraine" e que os ukrainianos estão a manter-se firmes, sendo necessário apoiá-los.
A chefe da diplomacia da UE destacou que é necessário apoiar a Ucrânia ao nível da defesa aérea e, mais especificamente, de mísseis intercetores. A responsável referiu que alguns países têm intercetores que vão atingir em breve o fim da sua vida útil, pelo que seria importante que fossem entregues a Kiev. Esta declaração surge numa aparente alusão à Espanha e à Grécia, que detêm reservas significativas de intercetores e estão entre os Estados-membros que forneceram menos mísseis deste tipo à Ucrânia. A UE também está a contactar países terceiros para que forneçam mísseis intercetores, embora Kallas tenha reconhecido que isso "é muito difícil".
Na reunião informal dos ministros da Defesa da UE em Wicklow, na Irlanda, foi igualmente discutida a possibilidade de desbloquear os 6,6 mil milhões de euros destinados à Ucrânia ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, que tinham sido vetados pelo Governo húngaro em 2024. Kallas referiu que "isso pode acontecer nos próximos dias" e que muitos Estados-membros já disseram que quaisquer fundos recuperados serão novamente entregues à Ucrânia.
Os ministros abordaram ainda a situação no Médio Oriente, designadamente a guerra no Irão, com Kallas a insistir que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz "tem de ser respeitada". Sobre os ataques na Cisjordânia contra palestinianos, a Alta Representante salientou que todos os Estados-membros os têm condenado, mas reiterou que não há consenso no bloco para suspender o comércio com os colonatos. A reunião na Irlanda precede outra, na quarta-feira, dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em que Portugal estará representado por Paulo Rangel.




