De “faixa perdida” a infraestrutura ecológicaFoto de Rodolfo Gaion no Pexels
Ciência
Инвестиции
Aveiro

De “faixa perdida” a infraestrutura ecológica

NotíciasdeAveiro.pt1 de setembro de 2026 às 00:07

As linhas de água e a vegetação ribeirinha em plantações florestais foram durante muito tempo tratadas como "faixas perdidas": demasiado húmidas para a produção e demasiado estreitas para serem prioridade, acabando frequentemente dominadas por espécies exóticas invasoras. Este artigo defende que esta perspetiva mudou e que transformar estas faixas em corredores de conservação constitui "tecnologia de ponta" para a gestão florestal do século XXI. A autora, Bruna Oliveira, investigadora no CESAM da Universidade de Aveiro, explica que um corredor de conservação bem desenhado aumenta a diversidade de espécies, cria gradientes de humidade e sombra que reduzem o stress em períodos de seca, e oferece refúgio, alimento e rotas de deslocação para fauna.

Estes corredores de conservação funcionam também como ferramentas de prevenção de incêndios, ao introduzirem linhas de maior humidade, vegetação menos inflamável e descontinuidades na estrutura do combustível. A autora argumenta que a floresta portuguesa não pode continuar a ser uma monocultura de riscos, sendo necessário criar mosaicos com padrões de combustibilidade variada. Os corredores não retiram produtividade ao sistema, mas estabilizam-no e reduzem perdas potenciais em eventos extremos. A investigação já permite quantificar custos de instalação e manutenção, benefícios em madeira, sequestro de carbono, redução do risco de incêndio e regulação hidrológica.

Em 2024, a União Europeia aprovou o Regulamento do Restauro da Natureza (Regulamento UE 2024/1991), que define metas vinculativas para restaurar pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030 e todos os ecossistemas degradados até 2050. A Comissão Europeia está também a preparar um sistema de créditos de natureza, complementar aos mercados de carbono, para certificar resultados positivos em biodiversidade e serviços de ecossistema. Neste contexto, os corredores de conservação podem tornar-se ativos estratégicos que geram rendimento adicional para proprietários e empresas.

A autora apresenta propostas concretas para a fileira do pinho e outras fileiras florestais, incluindo a integração de corredores nos planos de gestão, a valorização da biomassa de invasoras como matéria-prima em economia circular, e o uso de monitorização remota com indicadores padronizados. Bruna Oliveira enfatiza que os corredores de conservação exigem a colaboração de investigadores, proprietários, associações florestais, indústria, gestores de áreas protegidas e comunidades locais, sendo simultaneamente um objeto ecológico e um processo social que pode transformar a gestão florestal em algo mais diverso, justo e resiliente.

Notícias relacionadas

Confirmado novo sistema planetário com um mundo potencialmente habitável
Ciência

Confirmado novo sistema planetário com um mundo potencialmente habitável

Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA), em Granada, confirmou a natureza planetária do sistema TOI-1752, localizado a aproximadamente 337 anos-luz da Terra, que inclui um mundo potencialmente habitável. Esta descoberta representa um avanço significativo na busca por exoplanetas capazes de sustentar vida.

Correio da Manhã01/09/26, 01:06
Escola de Verão do Espaço ‘voa’ este ano até à Pampilhosa da Serra
Ciência

Escola de Verão do Espaço ‘voa’ este ano até à Pampilhosa da Serra

A 12.ª edição da Escola de Verão do Espaço, organizada pelo Instituto Pedro Nunes (IPN) em Coimbra, realiza-se em setembro durante três dias e termina no município da Pampilhosa da Serra. Intitulada "Coimbra Space Summer School", esta iniciativa decorre no âmbito das atividades do IPN relacionadas com o setor espacial.

SAPO Notícias31/08/26, 22:39
Afinal, os planetas não giram exatamente à volta do Sol
Ciência

Afinal, os planetas não giram exatamente à volta do Sol

Durante décadas, aprendemos que os planetas giram em torno do Sol, mas esta é apenas uma simplificação para fins educativos. Na realidade, tanto o Sol como os planetas orbitam em torno de um ponto comum chamado barycenter, que é o centro de massa do sistema solar. Este ponto pode estar ligeiramente deslocado do centro do Sol devido à influência gravitacional dos planetas, especialmente os mais massivos como Júpiter. Quando a massa do Sol e a dos planetas é considerada em conjunto, o Sol também se move ligeiramente, fazendo com que nenhum corpo celeste seja completamente imóvel no sistema solar.

SAPO Notícias31/08/26, 22:30
Como lidar com o regresso ao trabalho após as férias
Ciência

Como lidar com o regresso ao trabalho após as férias

O final de Agosto marca o regresso ao trabalho para muitos portugueses, podendo provocar a chamada síndrome pós-férias, uma perturbação adaptativa com sintomas como apatia, cansaço e falta de motivação. Embora não seja considerada uma doença, esta condição afeta muitos trabalhadores que enfrentam a transição das férias para a rotina laboral. O artigo oferece dicas práticas para lidar e evitar este fenómeno.

dnoticias.pt31/08/26, 22:00