O Presidente norte-americano Donald Trump começou a fazer referências cada vez mais explícitas à saída da Casa Branca em janeiro de 2029, embora continue a alimentar a possibilidade de um terceiro mandato e a deixar em aberto uma eventual candidatura em 2028. Em discursos recentes, Trump tem descrito como imagina a vida depois da presidência, incluindo cenários em que assiste pela televisão ao sucessor reivindicar os resultados das políticas da sua administração. "O vosso próximo Presidente vai dizer: 'Que excelente trabalho fiz'", afirmou Trump num evento em Long Island, Nova Iorque.
Trump tem emitido sinais contraditórios sobre o seu futuro político. Na Pensilvânia, voltou a imaginar esse cenário, afirmando que o próximo Presidente poderá reivindicar como seus os resultados alcançados pela atual administração. "Quem quer que seja o próximo Presidente, vai falar sobre o Presidente brilhante que é. E eu estarei em casa", completou. Uma semana depois, na Geórgia, antecipou que estaria "sentado em casa" e admitiu: "Talvez esteja a chorar". No entanto, no Michigan, voltou a introduzir ambiguidade, dizendo que "daqui a dois anos e meio, poderão ter um Presidente diferente — poderão", dando particular ênfase à possibilidade.
A 22.ª Emenda à Constituição norte-americana, ratificada em 1951, estabelece que nenhuma pessoa pode ser eleita Presidente mais de duas vezes. Trump chegou anteriormente a afirmar que existiriam "métodos" que lhe permitiriam tentar regressar à presidência, incluindo a hipótese de concorrer como candidato a vice-Presidente de JD Vance em 2028 e assumir posteriormente a presidência caso este renunciasse. Também falou na existência de "brechas constitucionais", embora tenha posteriormente reconhecido que as restrições são difíceis de ultrapassar.
As declarações representam uma mudança de tom num Presidente que, desde o início do segundo mandato, tem sugerido repetidamente que poderá procurar formas de permanecer no poder para além dos oito anos permitidos pela Constituição. A Casa Branca rejeitou a ideia de que Trump esteja já concentrado no fim da presidência ou no legado que deixará, afirmando através da porta-voz Olivia Wales que "a única herança com que o Presidente Trump está preocupado é tornar a América maior do que nunca". A aproximação das eleições intercalares, previstas para daqui a nove semanas, coloca Trump numa fase em que os Presidentes no segundo mandato começam tradicionalmente a enfrentar o risco de perda de influência política.




