A sustentabilidade em Portugal deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental, tornando-se uma questão económica, social, energética e de segurança. Portugal alcançou progressos significativos, incluindo o encerramento da produção de eletricidade a carvão, a expansão das energias renováveis, a melhoria da qualidade da água e avanços na eficiência energética, proteção de habitats e economia circular. A União Europeia estabeleceu ainda o Pacto Ecológico Europeu com uma visão ambiental, climática e económica sem precedentes.
No entanto, o artigo identifica contradições profundas na sustentabilidade portuguesa. Apesar da redução de emissões em alguns setores, a mobilidade continua dependente do automóvel e dos combustíveis fósseis. Embora se fale de economia circular, continuam a ser enterrados demasiados resíduos e a desperdiçar materiais. A gestão da água é adiada, a biodiversidade enfrenta pressões contínuas no solo, litoral, florestas e ecossistemas naturais, e predominam grandes obras de curto prazo em vez de planeamento e prevenção.
O artigo propõe que Portugal deve ambicionar a neutralidade carbónica até 2045 ou antes, com eletricidade totalmente renovável, edifícios eficientes, cidades centradas nas pessoas, transportes públicos acessíveis, agricultura regenerativa, florestas resilientes, rios vivos, um litoral protegido e uma economia de redução de desperdício. Cinco medidas essenciais são apontadas: abandonar progressivamente os combustíveis fósseis, planear o território segundo a adaptação climática e proteção dos ecossistemas, usar a fiscalidade e os fundos públicos de forma coerente, melhorar a monitorização com base em ciência e transparência, e envolver cidadãos, autarquias, empresas e sociedade civil na transformação.
O autor, Francisco Ferreira, escreve no âmbito do 25.º aniversário do BCSD Portugal, salientando que a sustentabilidade em Portugal exige passar da promessa à prática, requerendo visão, ambição, transparência, coragem política e responsabilidade coletiva. Defende que os investimentos num futuro sustentável representam uma garantia de qualidade de vida, competitividade e justiça social, não um custo a evitar.




