Mariana Vieira da Silva, antiga ministra da Presidência com tutela dos fundos europeus, criticou em entrevista ao ECO a falta de transparência na forma como o Plano de Recuperação e Resiliência foi reprogramado pelo Executivo de Luís Montenegro. A ex-ministra alertou que há investimentos que não vão ficar concluídos dentro do prazo e que o governo tem empurrado as soluções para o Portugal 2030, o que representa um problema pelo menos em Lisboa e no Algarve. Defendeu que faltam respostas claras para projetos importantes cujas instituições, como câmaras municipais ou IPSS, não têm disponibilidade financeira para os terminar.
Vieira da Silva fez duas críticas à reprogramação: não ao número de reprogramações, que qualquer governo aproveitaria, mas sim à forma muito fechada como foi feita, sem debate público adequado. Apontou que a criação do fundo IFIC no Banco de Fomento deveria ter sido objeto de discussão pública, questionando por que houve maior abertura para o setor privado e investimentos empresariais do que para outros tipos de investimento, como escolas, centros de saúde, residências de estudantes e IPSS.
A ex-ministra fez uma avaliação positiva do PRR, identificando três dimensões que mudaram o país: a resposta conjunta da UE à crise pandémica, o programa inovador de habitação acessível (o maior de toda a UE em proporção) e a nova política de apoio às empresas através das agendas mobilizadoras. Destacou que é impossível andar pelo país sem encontrar obras resultantes do PRR e que este trouxe melhorias em áreas como cuidados continuados, saúde mental e apoio domiciliário.
Vieira da Silva manifestou preocupação com a forma como o país vai manter níveis de investimento público após o fim do PRR e instou o governo a clarificar se o Orçamento de Estado para 2027 contempla verbas para garantir a continuidade dos projetos que caíram do plano. Ressalvou que Portugal não tem histórico de descontinuidade neste tipo de investimentos, exceto no período da troika, e que não existem sinais de indisponibilidade do Partido Socialista para viabilizar este tipo de decisões.




