O Centro de Arte e Arquitectura (CAAA) de Guimarães recebe até 31 de outubro a exposição "Quando um Corpo já não está presente", do artista Tales Frey. A mostra transforma vestígios de vestuário descartado em esculturas e instalações que evocam memórias, identidades e histórias ausentes, convidando os visitantes a olhar para além do objeto descartado.
O artista procura evidenciar aquilo que muitas vezes permanece invisível numa sociedade marcada pela descartabilidade e pelo consumo excessivo. As roupas deixam de ser encaradas como resíduos para assumirem o papel de testemunhos silenciosos de vidas e experiências humanas, questionando os modelos de produção e consumo acelerados característicos do fenómeno fast fashion.
A exposição surge num contexto de crescentes preocupações ambientais, alertando para os impactos da indústria têxtil, considerada uma das mais poluentes do mundo. As obras apresentadas pretendem estimular o pensamento crítico sobre a relação entre o corpo, o consumo, a memória e a responsabilidade coletiva.
Tales Frey apresenta simultaneamente em Portugal um ciclo de duas exposições individuais durante o mês de setembro. A segunda, "Em Suspensão", será inaugurada a 25 de setembro no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, Dia Nacional da Sustentabilidade. No conjunto, os dois projetos reutilizaram cerca de uma tonelada de roupas descartadas. Representado pela Galeria Verve, em São Paulo, e pela Shame Gallery, em Bruxelas, Tales Frey é pós-doutorando e investigador auxiliar na Universidade do Minho, tendo apresentado trabalhos em instituições internacionais como o The Kitchen, em Nova Iorque, e o Museu d'Arte Contemporanea di Roma.




