Mais de 141 mil crianças e adolescentes receberam cuidados de saúde primários em Cabo Delgado em 2025, através do apoio da Unicef naquela província do norte de Moçambique. O Relatório Anual 2025 da organização, a que a agência Lusa teve acesso, destaca que a conjugação entre resposta humanitária e reforço dos serviços públicos permitiu alcançar centenas de milhares de crianças e famílias numa das maiores operações humanitárias da organização no país. Na área da nutrição, 7.815 crianças com desnutrição aguda grave receberam tratamento ambulatório, enquanto 329.444 crianças foram suplementadas com vitamina A.
A crise humanitária decorre da insurgência que afeta Cabo Delgado desde outubro de 2017. Segundo dados do Armed Conflict Location & Event Data Project, foram registados 2.408 eventos violentos desde o início do conflito, provocando mais de 6.600 mortos. Na educação, 63.371 crianças afetadas pela crise receberam materiais de ensino, 24.200 beneficiaram de infraestruturas escolares resilientes e 16.511 adolescentes e jovens tiveram acesso a educação alternativa e formação vocacional.
No domínio da proteção infantil, 283.695 pessoas receberam apoio comunitário em saúde mental e apoio psicossocial, enquanto 87.981 raparigas adolescentes beneficiaram de programas de prevenção de uniões prematuras. A organização apoiou ainda o registo de nascimento de 7.965 crianças e formou membros das Forças de Defesa e Segurança na prevenção de violações graves contra crianças em contextos de conflito.
Um relatório das Nações Unidas sobre Crianças e Conflitos Armados confirmou 552 violações graves contra 355 crianças em Moçambique durante 2025, sobretudo em Cabo Delgado, incluindo 175 casos de recrutamento de menores por grupos armados, 326 raptos e ataques contra 12 escolas e um hospital. O impacto sobre as crianças continua a constituir uma das principais preocupações das organizações internacionais.




