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Guerra no Oriente Médio completa seis meses com impacto no petróleo, alimentos e bolsas

Jornal Económico31 de agosto de 2026 às 07:00

Faz seis meses desde que os Estados Unidos e Israel lançaram grandes operações de combate no Irão, provocando ataques retaliatórios contra alvos em todo o Golfo e desencadeando uma nova guerra no Oriente Médio. O conflito, inicialmente esperado para durar algumas semanas, evoluiu para um impasse sem sinais de terminar. Navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz continuam sendo atacados, as negociações de paz aparentemente fracassaram, e existem dúvidas sobre se o governo Trump está disposto a estender à China as sanções secundárias planeadas.

Os custos da energia dispararam significativamente. Os contratos futuros de petróleo Brent subiram quase 20% desde o início da guerra, tendo chegado perto de 120 dólares por barril devido ao bloqueio do estreito. A guerra trouxe ainda um aumento de 30% no preço do litro de gasóleo e de 20% no litro de gasolina. O gás natural na Europa está em máximos de quatro anos, a 70 dólares por MWh, pesando no bolso das famílias e empresas europeias.

Os mercados acionistas resistiram aos efeitos da guerra. Apesar do choque inicial no setor de energia, tanto em Lisboa como na Europa as ações já recuperaram e estão perto de máximos. O valor das empresas no índice MSCI, que reúne mercados de 47 países, atingiu um recorde de 105 biliões de dólares, representando um crescimento de 9% desde o início da guerra. Os países do Golfo estão entre os mais afetados: as exportações da Arábia Saudita caíram 10%, a economia do Catar deve encolher quase 30% este ano, e as vendas de imóveis em Dubai caíram entre 70% e 80%.

Os efeitos do conflito também chegaram à produção de alimentos. A redução dos embarques pelo Estreito de Ormuz afetou o comércio internacional de fertilizantes, aumentando a pressão sobre os preços dos alimentos. Segundo a Reuters, os preços globais da alimentação atingiram em julho o maior nível em mais de três anos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. O impacto tende a ser maior em países da Ásia, América Latina e África, onde as famílias gastam uma parcela maior da renda com alimentação.

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