As 51 agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência envolveram quase 1.100 entidades, incluindo 874 empresas e 224 centros de investigação, num investimento total superior a sete mil milhões de euros e com mais de 3.200 milhões de euros em subsídios do PRR. Os consórcios desenvolveram 1.270 produtos, processos e serviços, esperando-se um aumento do volume de negócios de oito mil milhões de euros quando entrarem no mercado internacional, além da criação de 11 mil novos empregos altamente qualificados. As agendas representam 15% do PRR e obrigaram empresas e academia a trabalharem juntas, um modelo colaborativo que os participantes garantem que deixará um legado duradouro para a competitividade da economia portuguesa.
O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, considerou que as Agendas Mobilizadoras representam uma das mais ambiciosas políticas públicas de inovação empresarial alguma vez lançadas em Portugal, destacando-as como uma escolha estratégica para apostar na competitividade, no conhecimento e na indústria. Várias empresas participantes partilharam experiências positivas, como a Navigator, que através da agenda From Fossil to Forest conseguiu industrializar tecnologias de eficiência florestal e desenvolver soluções de embalagem em celulose moldada, abrindo oportunidades em segmentos dominados pelo plástico de uso único.
A Bondalti, que participou no projeto GIATEX para gestão hídrica na indústria têxtil, alcançou uma redução de 40% no consumo de água do setor através de 20 projetos-piloto industriais. O consórcio Illiance, liderado pela Bosch Termotecnologia em Aveiro, materializou 77 novos produtos inovadores com potencial de vendas superior a 300 milhões de euros, enquanto a HFA reforçou capacidades em microeletrónica e economia circular. O CEiiA coordenou três agendas que incluíram o projeto BEN, o primeiro elétrico português, e a Constelação do Atlântico, considerado o maior projeto do setor espacial na história do país.
Apesar do balanço positivo, foram identificados desafios, incluindo a complexidade na coordenação de projetos desta dimensão e a passagem de desenvolvimentos laboratoriais para escala industrial dentro da janela temporal disponível. Carlos Alves, fundador da HFA, questionou a falta de apresentação de um plano para o "dia seguinte", ou seja, como fazer a transição do projeto para o produto e como ajudar empresas com protótipos funcionais a otimizá-los e comercializá-los. Helena Silva, CTO do CEiiA, considerou que as agendas criaram condições únicas para posicionar Portugal como ator de referência na competitividade e soberania europeia.




