Lisboa, Porto e não só: municípios querem acabar com este meio de transporteFoto de Helena Sá no Pexels
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Lisboa, Porto e não só: municípios querem acabar com este meio de transporte

Postal do Algarve30 de agosto de 2026 às 20:00

As trotinetes elétricas partilhadas, que se espalharam rapidamente pelos centros urbanos como alternativa de transporte, estão agora a enfrentar restrições crescentes em Portugal. Vários municípios recuaram face a queixas sobre acidentes, estacionamento desordenado e ocupação dos passeios. Vila Nova de Gaia cancelou o concurso para o serviço, Braga aprovou a suspensão em junho e Espinho terminou os contratos no final de julho, todos citando problemas de segurança e desordem pública.

No Porto, a morte de uma jovem num acidente em abril levou a Câmara Municipal a aprovar uma proposta para estudar a sinistralidade associada às trotinetes. Lisboa discute novas regras após o Automóvel Club de Portugal ter proposto um referendo municipal sobre o fim dos serviços partilhados, enquanto Coimbra prepara um regulamento específico após a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, afirmar que a cidade "não tem condições" para o modelo atual.

As empresas Bolt, Lime e Bird contestam as proibições, garantindo que têm adaptado as operações às regras municipais e trabalhado em parceria com Lisboa e Porto. Os operadores reconhecem o problema do estacionamento inadequado, mas apontam como principais causas de sinistralidade a condução perigosa, falhas nas infraestruturas e falta de fiscalização. Defendem ainda a criação de mais espaços protegidos e disponibilidade para coinvestir com os municípios em áreas de estacionamento próprias.

Segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, em 2025 ocorreram 4.296 acidentes com velocípedes, incluindo trotinetes, que provocaram 28 mortes. Mário Alves, da associação Estrada Viva, considera que as trotinetes não representam um problema comparável ao dos automóveis, que causaram 352 mortes em 57.195 sinistros no mesmo período. Ainda assim, a tendência de suspensão dos serviços continua a crescer entre os municípios portugueses.

Durante vários anos, as trotinetes elétricas espalharam-se rapidamente pelos centros urbanos como uma alternativa de transporte para percursos curtos. Agora, as queixas relacionadas com acidentes, estacionamento desordenado e ocupação dos passeios estão a levar algumas autarquias a recuar.

Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho já decidiram acabar com os serviços de trotinetes e bicicletas partilhadas. Porto, Lisboa e Coimbra também estão a discutir novas regras ou a continuidade destas operações, segundo informação recolhida pela Lusa.

As decisões dizem respeito às trotinetes disponibilizadas por empresas através de aplicações. Não representam, por enquanto, uma proibição geral da utilização de trotinetes particulares.

Gaia, Braga e Espinho acabaram com os serviços

Em Vila Nova de Gaia, a autarquia decidiu cancelar o concurso destinado à disponibilização do serviço. A medida surgiu num contexto de maior preocupação com a utilização das trotinetes elétricas e com os acidentes associados.

Em Braga, a suspensão foi aprovada em junho. O presidente da Câmara, João Rodrigues, explicou que a intenção passa por “avaliar, repensar e regulamentar” a presença deste meio de transporte na cidade.

No final de julho, Espinho também terminou os serviços de bicicletas e trotinetes partilhadas. O município, liderado por Jorge Ratola, justificou a decisão com a desordem provocada pelos veículos e os efeitos na mobilidade e na segurança do espaço público.

Acidente no Porto voltou a levantar dúvidas

No Porto, a morte de uma jovem num acidente ocorrido em abril levou a Câmara Municipal a aprovar uma proposta para estudar a utilização das trotinetes elétricas e a sinistralidade associada. O serviço ainda não foi eliminado, mas a continuidade das operações passou a estar sob maior escrutínio. A autarquia pretende avaliar os riscos antes de decidir se mantém o modelo atual ou avança com novas restrições.

Lisboa poderá discutir o fim das trotinetes

Em Lisboa, o Automóvel Club de Portugal (ACP) propôs a realização de um referendo municipal sobre o fim das trotinetes partilhadas. A proposta colocou novamente o estacionamento indevido e a segurança rodoviária no centro do debate.

Já em Coimbra, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, considerou que a cidade “não tem condições” para receber trotinetes partilhadas no modelo atual. O município está a preparar um processo de concessão e um regulamento para definir as regras de utilização.

Bolt, Lime e Bird contestam proibições

As empresas Bolt, Lime e Bird garantiram à Lusa que têm adaptado as operações à evolução das regras municipais. Os três operadores apontaram Lisboa e Porto como exemplos de cidades onde têm trabalhado em conjunto com as autarquias.

Para as empresas, os principais problemas de segurança rodoviária estão relacionados com a condução perigosa, as falhas nas infraestruturas e a falta de fiscalização. Defendem, por isso, a criação de mais espaços protegidos para peões, bicicletas e trotinetes.

Estacionamento continua a provocar queixas

Os operadores reconhecem que as trotinetes deixadas de forma inadequada representam uma preocupação legítima. Para combater o problema, dizem utilizar fotografias obrigatórias no final das viagens, verificação através de inteligência artificial, avaliações dos utilizadores e penalizações.

Bolt, Lime e Bird consideram, contudo, que estas medidas não resolvem a falta de locais próprios para estacionamento. As empresas mostraram-se disponíveis para estudar modelos de coinvestimento com os municípios na criação desses espaços.

Dados incluem trotinetes e bicicletas

De acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), em 2025 ocorreram 4.296 acidentes com velocípedes, categoria estatística que inclui as trotinetes. Esses acidentes provocaram 28 mortes.

No mesmo período, os sinistros envolvendo automóveis ligeiros, veículos pesados e motociclos chegaram aos 57.195 e causaram 352 mortes. Os números, citados pela Lusa, não indicam quem foi responsável pelos acidentes.

Mário Alves, da associação Estrada Viva, defende que as trotinetes não representam um problema comparável ao dos automóveis em matéria de sinistralidade. Ainda assim, a desordem nos passeios e os acidentes recentes estão a levar cada vez mais municípios a suspender os serviços ou a preparar regras mais apertadas.

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