Islândia rejeita adesão à União EuropeiaFoto de Shojol Islam no Pexels
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Islândia rejeita adesão à União Europeia

Jornal Económico30 de agosto de 2026 às 10:09

A Islândia rejeitou no referendo realizado no sábado, com resultados conhecidos a 30 de agosto, a reabertura das negociações de adesão à União Europeia. Com a contagem quase completa, o "não" alcançava 52,5% contra 47,5% do "sim", segundo a contagem em direto da televisão pública RÚV. A questão colocada aos eleitores era se a Islândia deveria reabrir as negociações de adesão com a UE.

O resultado representa um duro golpe para a UE, que via com bons olhos uma candidatura islandesa e parecia disposta a fazer concessões. Qualquer discussão sobre a adesão da ilha do Atlântico Norte ficará congelada pelo menos até 2028. A Islândia apresentou a sua candidatura em 2009, após a crise financeira, mas as negociações foram suspensas em 2013 com a chegada ao poder de um governo eurocético.

O atual governo liderado pela social-democrata Kristrun Frostadottir tinha querido auscultar os cidadãos sobre uma integração mais aprofundada. A campanha centrou-se sobretudo em questões económicas e internas, mas a guerra na Ucrânia e as intenções de Donald Trump sobre a vizinha Gronelândia conferiram à votação uma dimensão geopolítica. A primeira-ministra alertou que, em caso de vitória do "não", não relançaria a ideia até ao fim do mandato, em 2028.

Os profissionais da pesca, setor económico fundamental do país, opunham-se maioritariamente à adesão, com 90% das empresas do setor contra. A comissária do Alargamento, Marta Kos, afirmou que as especificidades da Islândia em matéria de pesca e agricultura seriam examinadas com atenção. O referendo tinha caráter consultivo, mas o executivo comprometeu-se a respeitar o resultado.

A recusa da Islândia em retomar as negociações de adesão à União Europeia (UE) foi dada este domingo, 30 de agosto, como certa pela televisão pública islandesa, face aos resultados conhecidos do referendo sobre a questão realizado no sábado.

“A nação rejeita as negociações de adesão à UE”, noticiou a RÚV, citada pela agência francesa AFP.

Quando a contagem dos votos se aproximava do fim, o “não” ultrapassava o “sim” em cinco pontos, com 52,5% contra 47,5%, segundo a contagem em direto.

Faltava apenas contar uma parte dos boletins de um círculo eleitoral que já pendia para o “não”.

Salvo uma enorme surpresa, é um duro golpe para a UE, que teria visto com bons olhos uma candidatura da Islândia e parecia pronta a fazer compromissos para que o país entrasse no bloco.

Qualquer discussão sobre uma adesão da rica ilha do Atlântico Norte ficaria congelada pelo menos até 2028, segundo a AFP.

Os eleitores foram convidados a pronunciar-se sobre a seguinte pergunta: “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”.

Em 2009, na sequência da crise financeira que devastou a economia islandesa, o país de quase 400 mil habitantes apresentou uma candidatura, mas as discussões foram congeladas em 2013, com a chegada ao poder de um Governo eurocético.

A Islândia está hoje estreitamente associada à UE ao integrar o Espaço Económico Europeu (EEE) e o espaço Schengen, nomeadamente, laços que permanecem inalterados.

Num contexto de crescentes tensões internacionais, o atual Governo liderado pela social-democrata Kristrun Frostadottir quis auscultar os islandeses sobre a oportunidade de explorar uma integração mais aprofundada.

Formalmente, o referendo tem valor consultivo, mas o Governo comprometeu-se a respeitar o resultado, qualquer que seja.

O executivo convocou uma conferência de imprensa para hoje, às 13:00 locais (12:00 em Lisboa) para abordar os passos seguintes.

A campanha centrou-se, sobretudo, em questões económicas e internas.

Mas a guerra na Ucrânia e as intenções de Donald Trump sobre a vizinha Gronelândia, que o Presidente norte-americano confundiu várias vezes com a Islândia, deram à votação uma dimensão geopolítica.

A consulta “permitiu reativar o debate sobre a União Europeia, sobre o lugar da Islândia no mundo e, mais amplamente, sobre o seu posicionamento geopolítico”, declarou Frostadottir no sábado.

“Tudo correrá bem também se o ‘não’ vencer”, afirmou, depois de ter votado “sim” numa escola da capital, Reiquiavique.

Frostadottir alertouque, em caso de rejeição pelos eleitores, não vai relançar a ideia de uma adesão até ao fim do mandato, em 2028.

O Governo indicou também que remeteria ao Parlamento a questão de uma eventual retirada formal da candidatura islandesa à UE.

Os politólogos consideram improvável uma demissão da coligação, composta por três partidos com visões diferentes sobre a questão europeia, que corre contudo o risco de sair fragilizada deste processo.

Se o “sim” vencesse, a Islândia retomaria as negociações com a UE, nomeadamente sobre a espinhosa questão da pesca, pilar económico do país e marca da identidade nacional, sobre a qual Reiquiavique quer manter o controlo.

Depois, um eventual acordo entre as duas partes seria submetido a um segundo referendo.

Perante a hostilidade dos profissionais da pesca, com 90% das empresas do setor a opor-se à adesão, a UE tentou mostrar-se conciliadora.

“As especificidades próprias da Islândia em matéria de pesca e de agricultura são bem conhecidas. Terão de ser examinadas com atenção”, disse a comissária do Alargamento, Marta Kos.

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