Estudo Ferry: Sr Sousa, o DN também não é rentável porque o mantém aberto?Foto de Alyona Nagel no Pexels
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Estudo Ferry: Sr Sousa, o DN também não é rentável porque o mantém aberto?

Madeira Opina30 de agosto de 2026 às 03:58

O artigo critica duramente um estudo económico-financeiro encomendado pelo Governo da República sobre a viabilidade de uma ligação marítima de ferry entre a Madeira e o Continente. O estudo concluiu que o serviço seria financeiramente inviável, com um défice previsto de 18,59 milhões de euros. A crítica principal recai sobre o facto de o relatório ter ouvido apenas um armador com operação na linha, o Grupo Sousa, que detém o monopólio do transporte de mercadorias via porta-contentores, criando um alegado conflito de interesses gritante.

O artigo denuncia a hipocrisia do Grupo Sousa, que mantém o Diário de Notícias da Madeira a funcionar com prejuízos acumulados e capital próprio negativo, mas usa argumentos de contenção financeira para criticar o ferry. O autor argumenta que os prejuízos são aceitáveis quando servem para controlar a narrativa na Região, mas tornam-se um "sacrilégio imperdoável" quando se trata de permitir livre concorrência e mobilidade aos madeirenses.

O texto contesta as conclusões do estudo, apontando que 58% dos residentes consideram a ligação necessária e 84% defendem que deve estar disponível durante todo o ano. O artigo questiona também a comparação entre preços do ferry e subsídios aéreos, salientando que o transporte marítimo permite transportar viaturas próprias, bagagem sem limite e carga rodada, capacidades que o avião não oferece. A desculpa da falta de infraestruturas é igualmente criticada, quando investimentos são feitos em portos para operadores privados de carga.

Como solução, o artigo propõe a abertura da linha a operadores internacionais como a Naviera Armas, convidando-os a operar por sua conta e risco ou sob uma Obrigação de Serviço Público justa. O autor defende que a coesão territorial é um dever constitucional e que não se pode aceitar que se use a máscara do "interesse público" para proteger quem deseja manter a ilha em regime de monopólio.

Também trabalham aos domingos para fretes?

A

  incoerência do Grupo Sousa atinge contornos verdadeiramente surreais quando olhamos para a forma como gere os seus próprios negócios. Recentemente, a análise detalhada às contas do Diário de Notícias da Madeira, empresa do seu universo empresarial, revelou uma situação inequívoca de falência técnica, onde os prejuízos acumulados e o capital próprio negativo são ignorados em nome do controlo da narrativa e da manutenção da máquina de influência do grupo. Curiosamente, quando se trata da sua própria imprensa, dar prejuízo não é impedimento para continuar a operar e a ditar sentenças. Porém, quando o tema é o ferry, uma ligação marítima essencial que ameaça o seu rentável monopólio no transporte de mercadorias, o Grupo Sousa veste subitamente o fato da contenção financeira e usa o seu jornal deficitário para decretar a "inviabilidade económica" do serviço. Ou seja, para controlar a informação na Região, os prejuízos do grupo suportam-se sem pestanejar, mas para permitir a livre concorrência e dar mobilidade aos madeirenses, qualquer défice passa a ser um sacrilégio imperdoável.

É fantástico, o estudo só conseguiu escutar um armador, o do Grupo Sousa, como se esta terra já não estivesse marcada por muitos pelos seus monopólios e protecionismo do Governo dos oligarcas que chutam a concorrência através dos executivos (governo e autarquias). E onde sai a notícia que vinca que dá prejuízo? No Diário do Sousa ao domingo, que não quer ferry na Madeira porque sozinho com porta-contentores é que é bom. Quanto cinismo.

Como já li, isto é simples, convidam o Armas e deixam-se de tretas para inviabilizar e ele, por sua conta e risco, faz a operação.

A narrativa de que a ligação marítima de passageiros e carga entre a Madeira e o Continente é economicamente inviável voltou à baila, desta vez embrulhada num "estudo económico-financeiro" encomendado pelo Governo da República e difundido com o alarde do costume pela imprensa alinhada. O enredo é velho, mas o cinismo renova-se: utiliza-se a contabilidade para tentar provar que um serviço essencial à insularidade e à coesão territorial é um luxo desnecessário, enquanto se esconde a verdadeira questão, o pavor da concorrência e a defesa intransigente do monopólio do transporte de mercadorias.

Mas vamos ao "estudo" que só ouviu quem lhe interessava! O relatório assume, a preto e branco, ter escutado um único armador com operação na linha, o Grupo Sousa, alegando falta de resposta dos restantes (Grimaldi, Balearia, FRS, etc.). Ouvir em exclusivo o operador que detém o monopólio do transporte de mercadorias via porta-contentores para tirar conclusões sobre a viabilidade de um ferry é o equivalente a perguntar ao dono de uma companhia de táxis se vale a pena ter rede de autocarros. O conflito de interesses é gritante.

A falácia do "apenas 32% embarcam"! A manchete foca-se nos 32% de intenção de uso para criar uma perceção de desinteresse, manipulando os dados. O próprio inquérito revela que 58% dos residentes consideram a ligação necessária e 84% defendem que deve estar disponível durante todo o ano. Dizer que mais de metade da população quer a linha e que a esmagadora maioria exige a sua continuidade, para depois concluir que "não há procura", é um contorcionismo estatístico descarado.

O argumento absurdo dos preços vs. subsidiação aérea! O estudo conclui que o subsídio social de mobilidade no transporte aéreo (a tarifa de 86€ para residentes) "inviabiliza" o ferry. Esquece-se, contudo, de sublinhar a grande vantagem do meio marítimo, a capacidade de transportar viatura própria, bagagem sem limite e carga rodada, algo que o avião simplesmente não oferece. Comparar viagens de avião com viagens de ferry sem ter em conta a mobilidade automóvel é comparar o incomparável. Quer dizer, só se também mais essa está combinada para riscar...

A desculpa conveniente das infraestruturas! Argumenta-se que nem o Funchal nem Lisboa ou Setúbal têm condições operacionais ou rampas ro-ro adequadas sem fortes investimentos públicos. A narrativa é conveniente, quando é para favorecer operadores privados de carga, o Caniçal e os portos nacionais recebem todo o investimento necessário; quando é para dar uma alternativa de mobilidade aos cidadãos, a falta de uma rampa passa a ser um obstáculo insuperável. Lembrou que a APRAM anda a pagar obras no Porto do Caniçal e que a rampa da Pontinha parece um exclusivo do Grupo Sousa (como já vimos na operação com o Armas). Porque não fazem mais uma lota nesse lugar? Também posso brincar.

O duplo critério do "défice" e do dinheiro público! Fala-se num "défice financeiro de -18,59 milhões de euros" ou na necessidade de compensações financeiras para classificar o serviço como inviável. Contudo, omite-se que o transporte aéreo é Fortemente subsidiado pelo Estado, assim como as ligações inter-ilhas. Que o turismo de pata-rapada vem com um subsídio de publicidade nas Low Costs ou que o próprio Lobo Marinho é subsidiado e com negócios garantidos do GR. Porque brincam tanto?! A coesão territorial é um dever constitucional do Estado, não uma operação comercial de lucro iminente. Exigir que um ferry marítimo seja 100% rentável sem apoio público, enquanto se injetam dezenas de milhões noutros setores da mobilidade, é pura hipocrisia política. Porque para o Porto Santo não se discute e para o continente temos este triste espetáculo?

A solução nunca passou por estudos feitos à medida para justificar o status quo. Se a operação é tão "prejudicial" e deficitária como apregoam no jornal do grupo económico interessado, a resposta é simples, abra-se a linha, crie-se um enquadramento legal transparente e sem alçapões, e convide-se a Naviera Armas ou qualquer outro armador internacional a operar por sua conta e risco ou sob uma Obrigação de Serviço Público (OSP) justa e desburocratizada. O que não se pode aceitar é que se continue a usar a máscara do "interesse público" para proteger o negócio de quem quer a ilha fechada a sete chaves.

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