Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, anunciou durante o período de férias um investimento de 10,2 milhões de euros para ampliar o campo de golfe do Porto Santo com mais nove buracos. O anúncio foi feito no âmbito da habitual comunicação mediática do Presidente, que invocou a necessidade de "esbater a sazonalidade" para justificar a despesa pública.
O artigo questiona a legitimidade invocada por Albuquerque para estas decisões, argumentando que os eleitores votam em listas genéricas sem acesso a programas detalhados que revelem as verdadeiras intenções governativas. O texto considera que governar desta forma, mesmo quando as opções são discutíveis, não representa verdadeiro exercício de liderança mas sim um "cheque em branco" concedido pela propaganda.
O autor alerta para os precedentes históricos desfavoráveis, referindo que o campo de golfe do Santo da Serra já exigiu sucessivas injeções de dinheiros públicos, subsídios e obras de manutenção para se manter operacional. Questiona ainda o custo real para o contribuinte quando a Região vier a suportar cinco infraestruturas semelhantes espalhadas pelo arquipélago.
O artigo conclui que, enquanto a população enfrenta carências na habitação, saúde e custo de vida, os recursos públicos continuam a ser canalizados para projetos de utilidade duvidosa. O autor defende que exigir transparência e rigor na aplicação dos dinheiros públicos não é fazer oposição por oposição, mas sim lutar por políticas ao serviço das pessoas.

Até em pleno período de férias, Miguel Albuquerque recusa sair de cena. Na habitual roda viva de promoção mediática, o Presidente do Governo Regional surge de sorriso pronto a anunciar mais um investimento milionário no Porto Santo, 10,2 milhões de euros para ampliar o campo de golfe local em mais nove buracos. Para justificar a opção, invoca a eterna receita de "esbater a sazonalidade" e, como é seu timbre, escuda-se na ideia de que a população lhe conferiu legitimidade nas urnas para decidir como bem entende. Mas até onde vai essa suposta legitimidade? O eleitorado vota em listas genéricas, onde muitos vão simplesmente de boleia, sem acesso a programas detalhados que escondem as verdadeiras intenções e sem saber que "nódoas" serão promovidas a secretários regionais. Governar em nome de todos os madeirenses para impor opções discutíveis não é um exercício de liderança; é um cheque em branco passado pela propaganda. Como hoje na roda da sorte do Mediaram.
A obstinação em torno do negócio do golfe na Madeira e no Porto Santo ignora a dura realidade financeira e os precedentes históricos. Historicamente, se um único campo como o do Santo da Serra já exigiu sucessivas injeções de dinheiros públicos, subsídios e obras de manutenção "encapotadas" para se manter operacional, fica evidente que o modelo está longe de ser auto-sustentável. Muito menos ambientalmente certo. É só piscinas e campos de golfe com alterações climáticas, depois o preço da água aumenta para o pobre e para quem trabalha as terra ou cuida dos jardim que fazem a paisagem da Madeira. Se um equipamento já representa um encargo contínuo para os cofres regionais, qual será o custo real para o contribuinte quando a Região estiver a suportar cinco infraestruturas semelhantes espalhadas pelo arquipélago, da Ponta do Pargo ao Faial?
A narrativa de que o dinheiro público deve continuar a financiar investimentos de utilidade duvidosa e retorno incerto reflete prioridades profundamente distorcidas. Enquanto a população enfrenta carências prementes na habitação, na saúde e no custo de vida, os recursos do erário público continuam a ser canalizados para relvados de luxo sob o pretexto da atratividade turística. Exigir transparência, rigor na aplicação dos dinheiros públicos e o fim do discurso absolutista de que "o povo legitimou tudo" não é fazer oposição por oposição, é defender que a Madeira e o Porto Santo merecem políticas ao serviço das pessoas, e não da teimosia de quem governa.
Mas fica a pergunta, Albuquerque não tem razão para se exibir assim? Claro que sim, o madeirense, seja lá como for, numa maioria suficiente dá-lhe poder. Com engodo, promessas, circo, espero que nunca seja de chapelada.