Portugal entregou à Comissão Europeia o seu Plano Nacional de Restauro da Natureza, um documento com 386 medidas que abrange ecossistemas terrestres, costeiros, marinhos, de água doce, zonas urbanas, rios, planícies aluvionares e sistemas agrícolas e florestais. O plano, coordenado pelo ICNF com a participação das Regiões Autónomas, mais de 200 investigadores e uma consulta pública que recolheu 184 contribuições, visa reverter a degradação dos ecossistemas e recuperar habitats e espécies, incluindo polinizadores. A Comissão terá seis meses para analisar a proposta, seguindo-se outro semestre para Portugal incorporar observações e apresentar a versão definitiva, com conclusão prevista para agosto de 2027. A ministra Maria da Graça Carvalho defendeu que o restauro deve ser um "movimento nacional" envolvendo Estado, municípios, regiões autónomas, ciência, empresas e sociedade civil. O verdadeiro desafio será o financiamento — Portugal defende um Fundo Europeu para o Restauro da Natureza e admite recorrer a mercados de créditos de natureza e investimento privado — e a capacidade de implementar as medidas no terreno, em territórios vulneráveis como a Serra da Estrela, o Gerês ou o Vale do Guadiana, confrontados com incêndios, seca, pressão urbanística e alterações climáticas.
Jornal Económico29/08/26, 12:12