Vaticano: Papa apela à «humanização das tecnologias digitais» ao serviço da vida e da paz
Agência ECCLESIA28 de agosto de 2026 às 16:54
O Papa Leão XIV apelou à humanização das tecnologias digitais ao serviço da vida e da paz, durante uma audiência com membros do Instituto Internacional de Ciências Administrativas (IIAS), no Vaticano, no dia 28 de agosto de 2026. O pontifício encorajou os cerca de 500 participantes provenientes de várias partes do mundo a prosseguirem as suas investigações para encontrar formas de pôr a tecnologia ao serviço da vida e da paz.
No seu discurso, Leão XIV alertou para a dificuldade que os Estados enfrentam em controlar a concentração de importantes ferramentas tecnológicas nas mãos de grandes atores económicos, defendendo a necessidade de definir uma ética que acompanhe a utilização destas tecnologias. O Papa sublinhou que é necessário garantir que o bem da família humana não seja sacrificado em prol de interesses privados.
O pontifício manifestou também preocupação com a velocidade do desenvolvimento da inteligência artificial e questionou se, no futuro, será possível controlar estas máquinas, alertando para o risco de o homem se tornar vítima das suas próprias invenções. Leão XIV apontou como um dos problemas graves atuais o facto de decisões relativas à vida humana serem confiadas a máquinas.
O Instituto Internacional de Ciências Administrativas, com sede em Bruxelas, nasceu em 1930 na sequência da grande crise económica mundial. O Papa lembrou as palavras de Pio XIII sobre a missão do IIAS, que consiste em apelar à consciência das autoridades políticas para que adaptem a vida social às condições em constante mudança dos tempos.
Leão XIV advertiu para a dificuldade dos Estados em controlar a concentração de importantes ferramentas nas mãos de grandes atores económicos e tecnológicos
Foto: Vatican Media
Cidade do Vaticano, 28 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV apelou hoje à humanização das tecnologias digitais ao serviço da vida e da paz, numa audiência com os membros do Instituto Internacional de Ciências Administrativas (IIAS), no Vaticano.
“Encorajo-vos a prosseguir as vossas investigações para encontrar formas e meios de dar o vosso contributo à administração pública com vista à humanização das tecnologias digitais, para que estas estejam ao serviço da vida e da paz”, afirmou Leão XIV, no discurso citado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
O pontífice defendeu que é “importante definir uma ética que acompanhe a utilização destas importantes ferramentas, que infelizmente, se concentram nas mãos de grandes atores económicos e tecnológicos e que o Estado tem dificuldade em controlar”.
“É necessário garantir que o bem da família humana não seja sacrificado em prol de interesses privados”, frisou.
A audiência contou com a participação de cerca de 500 pessoas, do Instituto Internacional de Ciências Administrativas, provenientes de várias partes do mundo e inclusive da Santa Sé, no final da conferência anual da organização, que se realizou em Roma.
O Papa assinalou a importância de preservar o equilíbrio na utilização das tecnologias digitais.
“Hoje, não podemos deixar de encarar esta realidade que afeta de perto o nosso modo de vida e que permeia todos os níveis da vida social”, disse.
“A velocidade com que se desenvolvem as inovações relacionadas com a Inteligência Artificial leva-nos a questionar-nos se, no futuro, será possível controlar estas máquinas, se o homem não corre o risco de se tornar vítima das suas próprias invenções”, indicou Leão XIV.
O pontífice apontou que “um dos graves problemas atuais é constatar que as decisões relativas à vida humana são confiadas a máquinas”.
“Perante esta situação preocupante, saúdo o vosso encontro, que visa reafirmar o carácter insubstituível da inteligência humana face a estas ferramentas tecnológicas. As vossas reflexões e os vossos trabalhos poderão ajudar as autoridades a tomar decisões neste domínio, para o bem da humanidade”, valorizou.
Na audiência, o Papa fez também referência ao início do Instituto Internacional de Ciências Administrativas, com sede em Bruxelas, que nasceu em 1930, na sequência da grande crise económica que assolou o mundo, tendo lembrado depois as palavras de Pio XIII sobre a missão desenvolvida pelo IIAS.
“Tem como vocação ser ‘um apelo incessante à consciência das autoridades políticas para que adaptem a vida social às condições em constante mudança dos tempos, de modo a que esta possa concretizar as intenções e os desígnios da Sabedoria do Criador’”, referiu.
“Caros membros do Instituto Internacional de Ciências Administrativas, sei que a vossa missão não é fácil e que, por vezes, o desânimo pode assaltar-vos. Rezo ao Todo-Poderoso para que vos sustente, para que possais prosseguir com determinação nesta nobre tarefa. Invoco sobre todos vós as abundantes bênçãos de Deus. Obrigado!”, concluiu.
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