Enfermeiros do Algarve entre os que continuam sem resposta sobre aumentos previstos na carreiraFoto de Jose Vargues no Pexels
NegóciosFaro

Enfermeiros do Algarve entre os que continuam sem resposta sobre aumentos previstos na carreira

Jornal do Algarve28 de agosto de 2026 às 16:21

Os enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve estão entre os profissionais de saúde que continuam sem confirmação sobre a aplicação da Lei n.º 51/2025, que prevê alterações no posicionamento remuneratório. Uma auscultação nacional da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), com 545 respostas, revelou diferenças significativas entre instituições, atrasos na execução e dúvidas sobre salários e pagamento de retroativos. No Algarve, não foram registadas respostas afirmativas quanto à identificação dos profissionais abrangidos ou à atualização remuneratória, contrastando com unidades como Viseu Dão-Lafões e Matosinhos. Os profissionais relatam falta de resposta dos serviços de Recursos Humanos e Conselhos de Administração, tendo muitos sido informados de que as instituições aguardam orientações da ACSS. A ASPE defende que a lei deve ser aplicada de forma uniforme e que mais de 10.000 enfermeiros aguardam desde janeiro de 2026 a progressão de uma posição remuneratória.

Os enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve estão entre os profissionais que, segundo uma auscultação nacional da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), continuam sem confirmação sobre a aplicação da Lei n.º 51/2025, que prevê alterações no posicionamento remuneratório. A análise, que reuniu 545 respostas de profissionais de todo o país, revela diferenças significativas entre instituições, atrasos na execução e dúvidas sobre salários e pagamento de retroativos.

A auscultação abrangeu enfermeiros das 39 ULS, de dois Institutos Portugueses de Oncologia e de outras instituições de saúde. Foram ainda recolhidos 185 comentários, nos quais os profissionais relatam dificuldades relacionadas com a aplicação da legislação.

No caso da ULS do Algarve, não foram registadas, entre os participantes, respostas afirmativas quanto à identificação dos profissionais abrangidos e à atualização remuneratória prevista na lei.

A situação contrasta com outras unidades. Entre as ULS com um número de respostas considerado suficiente para uma leitura descritiva, Viseu Dão-Lafões e Matosinhos apresentam uma proporção mais elevada de participantes que confirmam a identificação dos beneficiários. No Alto Ave, a maioria das respostas aponta para atualização remuneratória e pagamento de retroativos a 2019.

Já nas ULS de São João, Trás-os-Montes e Alto Douro e Algarve não foram registadas “respostas afirmativas quanto à identificação e atualização remuneratória”. Braga e Santo António, duas das unidades com maior participação no inquérito, apresentam também níveis reduzidos de confirmação da identificação dos profissionais abrangidos.

Falta de informação e retroativos por pagar

Os comentários recolhidos pela ASPE apontam para problemas que vão desde a falta de resposta dos serviços de Recursos Humanos, Conselhos de Administração e Direções até pedidos de esclarecimento sem resposta.

Há também profissionais que dizem ter recebido informação de que as instituições aguardam orientações da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), do Governo ou do Ministério da Saúde. Outros referem que os seus processos continuam em análise ou que foram feitas correções apenas para alguns grupos.

Entre os relatos surgem ainda situações de salários já corrigidos sem pagamento dos valores acumulados, bem como a ausência de explicações sobre os cálculos efetuados e sobre os montantes que estarão em dívida.

A ASPE destaca que muitos enfermeiros continuam sem saber se têm direito à correção salarial, se o seu processo individual já foi analisado, qual será o novo nível remuneratório ou desde que data deverão receber os valores em atraso.

A situação é agravada pelo facto de, ao longo dos últimos anos, terem sido aplicados diferentes mecanismos de progressão na carreira, incluindo pontos resultantes da avaliação de desempenho e o chamado acelerador de carreiras. Para muitos profissionais, isso dificulta perceber de que forma a Lei n.º 51/2025 alterou, ou deveria alterar, o seu posicionamento salarial.

“A concretização de um direito remuneratório não pode depender da insistência individual de cada enfermeiro, da sua capacidade para interpretar sucessivos diplomas legais ou da necessidade de recorrer à via judicial”, afirma Lúcia Leite, presidente da ASPE, defendendo que a lei deve ser aplicada de forma uniforme.

Sindicato pede aplicação igual em todas as instituições

A associação sindical considera que a situação demonstra não apenas problemas na execução da lei, mas também falhas de transparência e comunicação com os profissionais.

“Um dos resultados mais claros é a falta de informação: muitos profissionais não sabem se a instituição onde trabalham já identificou quem tem direito à correção salarial”, pode ler-se na nota de imprensa.

A ASPE defende, desde a publicação da Lei n.º 51/2025, a 7 de abril de 2025, que a ACSS emita orientações dirigidas a todas as entidades do Serviço Nacional de Saúde, de forma a evitar interpretações diferentes e ritmos distintos na aplicação das mesmas regras.

“Mais de 10 000 enfermeiros abrangidos por esta lei aguardam desde 1 de janeiro de 2026 a progressão de uma posição remuneratória, com impactos negativos nas condições de vida destes profissionais. O que é inaceitável!”, afirma Lúcia Leite.

A ASPE pede ainda que cada situação seja analisada individualmente, tendo em conta o percurso profissional e remuneratório de cada enfermeiro, e que todos os profissionais abrangidos recebam uma explicação clara sobre o novo posicionamento, os cálculos efetuados, os valores de retroativos a que têm direito e a data prevista para o respetivo pagamento.

Notícias relacionadas

Negócios

Sines: investimento de 1,2 milhões moderniza fábrica de gelo e eleva produção para 40 toneladas por dia

A Docapesca lançou um concurso público de 1,2 milhões de euros para requalificar a Fábrica de Gelo do Porto de Pesca de Sines, com financiamento do Programa Mar 2030. A intervenção prevê a instalação de quatro novos geradores que elevarão a capacidade de produção para 40 toneladas de gelo por dia, novos sistemas de refrigeração, uma unidade de tratamento de água e uma nova câmara frigorífica para armazenamento de dornas. O projeto insere-se num conjunto mais amplo de modernização das fábricas de gelo sob gestão da Docapesca em todo o país.

Alentrium28/08/26, 18:40
Negócios

Setor Agroalimentar da UE Consolida sua Posição Global na Primeira Metade de 2026

No primeiro semestre de 2026, o setor agroalimentar da UE alcançou um superávit comercial de €23,9 bilhões, um aumento de €1,4 bilhão face ao mesmo período de 2025, com exportações de €117,2 bilhões e importações de €93,4 bilhões. As exportações cresceram para Egito (+€278 milhões), Ucrânia (+€247 milhões) e Índia (+€174 milhões), mas caíram para os Emirados Árabes Unidos (-€395 milhões) devido a interrupções no Estreito de Ormuz. Destilados e licores subiram €405 milhões, enquanto café, chá, cacau e especiarias caíram €1,1 bilhão. As importações do Brasil aumentaram €425 milhões, impulsionadas pela soja, e as sementes de girassol duplicaram após duas colheitas ruins na UE.

Notícias Portugal28/08/26, 18:38
Negócios

Trabalhadores dos bares da CP em greve a partir de 31 de agosto por tempo indeterminado

Os trabalhadores da Itau, empresa que assegura os bares e o serviço de restauração a bordo dos comboios Alfa Pendular e Intercidades da CP, vão iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir de 31 de agosto. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul anunciou a paralisação em defesa do Acordo de Empresa e contra a retirada de direitos, acusando a empresa de se recusar a cumprir o acordo desde que assumiu a concessão em abril de 2025 e de ter deixado de pagar o equivalente a 22 dias de subsídio de alimentação, causando perdas estimadas em cerca de 200 euros mensais por trabalhador. O sindicato calcula que já foram realizados 18 dias de greve em 2025 e exige o cumprimento integral do acordo, a reposição do subsídio de alimentação, aumentos salariais justos e a negociação de um novo acordo. Os trabalhadores acusam ainda o Governo e a CP de cumplicidade no conflito, tendo recusado reunir-se com os representantes syndicais. Estão previstas ações de protesto junto à Estação de Santa Apolónia em Lisboa no dia 31 de agosto e junto à Secretaria de Estado da Mobilidade e dos Transportes no dia 1 de setembro.

Jornal Económico28/08/26, 18:36
Negócios

Já se pode circular no tabuleiro inferior da Ponte Açude em Coimbra

O tabuleiro inferior da Ponte Açude em Coimbra foi reaberto ao trânsito após ter estado encerrado devido aos trabalhos de construção do troço Portagem – Coimbra-B do Metrobus, empreendimento promovido pela Infraestruturas de Portugal.

Notícias de Coimbra28/08/26, 18:24