As Festas e Feira de Verão de Sobral de Monte Agraço decorrem de 11 a 20 de setembro, numa edição que marca mais de um século de história do evento. A presidente da Câmara Municipal, Raquel Lourenço, explica que a nova imagem pretende traduzir uma evolução sem romper com a identidade que sempre caracterizou as festas, procurando responder aos novos desafios. A primeira notícia conhecida das festas remonta a 8 de setembro de 1912, tendo sido elaborado em 1913 o primeiro programa conhecido, que incluía feira, exposição, concurso de gados, quermesse e concertos.
A principal novidade de 2026 é a criação de uma mostra empresarial, pela primeira vez dedicada ao tecido económico do município. A Câmara pretende proporcionar aos agentes económicos locais um espaço privilegiado para apresentar empresas, produtos e serviços, aproveitando a elevada afluência de visitantes durante os dez dias. Esta aposta insere-se numa estratégia mais ampla de usar as festas como montra do território, não apenas para visitas mas também para captar investimento e atividade económica.
O programa inclui concertos de artistas como HMB, Nena, The Box Band, Descendentes e Kura, além de teatro, animação de rua, atividades para crianças, caminhadas, Festival de Folclore e programa taurino. Raquel Lourenço destaca o envolvimento das associações e coletividades locais na construção do programa, considerando que o evento só faz sentido quando é construído com a comunidade e para a comunidade.
A autarca não revelou ainda o orçamento previsto nem uma estimativa de visitantes, justificando que as contas dependem da receita dos espaços no recinto, cujas candidaturas terminaram a 14 de agosto. As equipas municipais estão a preparar a organização do espaço, limpeza, estacionamento e segurança, com reuniões realizadas com a GNR e Proteção Civil. Está também prevista uma aposta ambiental, com sensibilização para a separação de resíduos e a possibilidade de trocar o copo oficial por outro lavado.
Há mais de um século que setembro é tempo de festa em Sobral de Monte Agraço. Mudaram os programas, os artistas, os hábitos e até a própria forma de viver estes dias, mas as Festas e Feira de Verão continuam a ser um dos grandes momentos de encontro da comunidade. De 11 a 20 de setembro, o certame regressa com uma nova imagem, alterações na configuração do recinto e uma novidade que traduz uma das apostas da Câmara Municipal para esta edição: pela primeira vez haverá um espaço especificamente dedicado ao tecido empresarial.
Em entrevista ao Valor Local, a presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, Raquel Lourenço, explica que a nova imagem pretende traduzir uma evolução sem romper com aquilo que identifica as festas. “Queremos que as Festas e Feira de Verão continuem a ser reconhecidas pela sua identidade, mas que sejam também capazes de responder aos novos desafios.”
A autarca faz questão de lembrar a longevidade do evento. “A primeira notícia de que temos conhecimento remonta a 8 de setembro de 1912”, refere Raquel Lourenço, considerando que mais de um século de história demonstra a importância que as festas assumem enquanto parte da herança cultural e social dos sobralenses.
E é na vertente económica que surge uma das principais novidades de 2026. Pela primeira vez, as festas terão uma mostra empresarial. A Câmara pretende que o evento deixe também uma marca mais forte na promoção das empresas, produtos e serviços existentes no concelho, aproveitando a presença de milhares de pessoas durante os dez dias.
“Queremos proporcionar aos agentes económicos do concelho um espaço privilegiado para apresentarem as suas empresas, produtos e serviços, beneficiando da elevada afluência de visitantes que as festas naturalmente geram”, explica a presidente da Câmara ao Valor Local.
A mostra empresarial junta-se à tradicional Feira de Saberes e Sabores, dedicada ao artesanato, aos produtos regionais e ao saber-fazer local. Também aqui haverá mudanças, com novos espaços expositivos destinados à comercialização, procurando proporcionar melhores condições aos participantes e aumentar a sua visibilidade.
Para Raquel Lourenço, as Festas e Feira de Verão devem ser entendidas também como uma montra do próprio território. A intenção é aproveitar a capacidade de atração do evento para apresentar Sobral de Monte Agraço não apenas como destino de visita, mas como concelho onde se pode viver, investir e desenvolver atividade económica.
Essa aposta tem igualmente uma dimensão imediata. A presidente espera um impacto significativo na restauração e no comércio durante os dez dias, mas considera que os efeitos podem prolongar-se para além de setembro. Quem visita o Sobral durante as festas entra em contacto com o território, a gastronomia, os produtos locais e a capacidade de acolhimento, podendo essa experiência gerar novas visitas e oportunidades económicas. “Queremos que quem nos visita durante as festas leve consigo uma boa experiência de Sobral de Monte Agraço e tenha razões para voltar”, afirma.
A programação foi construída para responder a públicos muito diferentes. Raquel Lourenço define as festas como “um grande evento familiar”, onde várias gerações se encontram e onde convivem música, gastronomia, desporto, cultura, património, artesanato, folclore e tradição taurina.
Entre os principais nomes anunciados estão os HMB, que atuam a 11 de setembro, e Nena, no dia 12. The Box Band sobe ao palco no dia 13, seguindo-se uma Noite de Fados a 14 e os Descendentes a 15. No dia 16 atua a Banda de Música da Força Aérea Portuguesa, enquanto o dia 17 recebe um tributo a Saia do Chão. Kura atua no dia 18 e Raya Evolution no dia 19. O teatro de revista à portuguesa integra também a reta final do programa, nos dias 19 e 20.
Os concertos são, contudo, apenas uma parte de um programa que inclui teatro, animação de rua, atividades para crianças e famílias, caminhadas, passeios temáticos, iniciativas desportivas, Festival de Folclore, programa taurino e ações de valorização do património.
Raquel Lourenço destaca particularmente o envolvimento das associações e coletividades, que não se limita à ocupação dos tradicionais stands. Estas entidades participaram na própria construção do programa e assumem a organização de diferentes iniciativas culturais e desportivas. As Juntas de Freguesia e outros agentes locais foram igualmente chamados a participar.
“Acreditamos que umas festas com esta dimensão só fazem verdadeiramente sentido quando são construídas com a comunidade e para a comunidade”, sustenta a autarca.
Se a Câmara assume a ambição para esta edição, é mais prudente quando questionada pelo Valor Local sobre dois números: quanto vão custar as festas e quantas pessoas são esperadas. Sobre o orçamento, Raquel Lourenço não apresenta ainda um valor. Justifica que as contas terão de considerar não apenas a despesa, mas também a receita arrecadada através da atribuição dos espaços no recinto, cujas candidaturas terminaram a 14 de agosto. A presidente garante que a preocupação passa por conciliar uma gestão responsável dos recursos públicos com a qualidade e dimensão do evento.
Também não há uma estimativa oficial de visitantes. Sendo esta a primeira edição organizada no atual mandato e existindo novidades tanto na programação como na configuração do recinto, a presidente considera que não seria responsável avançar com um número sem uma base sólida que o sustente.
O que a Câmara garante é a preparação para o aumento previsível de pessoas durante os dez dias. As equipas municipais estão a trabalhar na organização do espaço, limpeza urbana e identificação de locais alternativos para estacionamento. Na área da segurança, têm sido realizadas reuniões com a GNR e a Proteção Civil, enquanto o Serviço Municipal de Proteção Civil finaliza o Plano de Contingência e Segurança das festas.
Há ainda uma aposta na componente ambiental. A Câmara pretende reforçar a sensibilização para a correta separação dos resíduos e volta a permitir que os visitantes troquem gratuitamente o copo oficial utilizado por outro devidamente lavado, desde que o primeiro esteja em bom estado de conservação.
Para Raquel Lourenço, é neste encontro entre uma festa profundamente enraizada na identidade local e a vontade de lhe acrescentar novas dimensões que está o desafio desta edição. “Mais do que organizar dez dias de iniciativas, queremos criar dez dias de grande convívio e de celebração daquilo que somos.”
É essa a ideia que a presidente da Câmara pretende associar à primeira edição das Festas e Feira de Verão do atual mandato: manter uma festa reconhecível para quem cresceu com ela, abrir espaço a novos públicos e, simultaneamente, aproveitar a passagem de milhares de visitantes para mostrar o Sobral que existe para lá dos dez dias de setembro.
De 1912 ao primeiro programa conhecido
A referência a 1912 avançada pela presidente da Câmara, Raquel Lourenço, ao Valor Local leva-nos aos primeiros anos da história das Festas e Feira de Verão. Mas é no ano seguinte que surge outro marco importante: em 1913 foi elaborado por um grupo de sobralenses o primeiro programa de festejos conhecido.
A história dessa transformação foi registada por Amílcar Leitão na obra “Festas e Feira de Verão”, publicada em 1995. O autor relata que, após a implantação da República, foram suspensas as manifestações religiosas, tendo sido eliminada a Festa de Nossa Senhora da Vida. No verão permaneceu a componente civil da Feira das Dores, que passou a chamar-se Feira de Verão.
Segundo Amílcar Leitão, a partir de 1913 esta absorveu a componente civil da festa de 15 de agosto, enquanto a feira, exposição e concurso de gados passaram para essa data. A exposição e o concurso de gados acabariam por desaparecer na década de 1950.
O primeiro programa conhecido, elaborado em 1913, permite também perceber como eram diferentes as festas de então. Incluía feira, exposição e concurso de gados, mercado franco, quermesse, concerto musical e iluminações.
Mais de 110 anos depois, muito mudou na forma de festejar. Mas a referência de 1912 e o programa conhecido de 1913 ajudam a reconstruir os primeiros capítulos de uma celebração que continua a marcar a vida de Sobral de Monte Agraço.
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