As exportações portuguesas de calçado caíram 2,1% no primeiro semestre, em termos homólogos, para 813 milhões de euros, num contexto de desaceleração geral no comércio global de calçado. Esta quebra foi, ainda assim, menor do que a registada pela Itália e pela Espanha, cujos principais mercados perderam 4,3% e 7,3%, respetivamente. A China recuou 10,9%, o Brasil 15,7% e a Turkey 5,3%, enquanto o Vietname conseguiu uma queda mais contida de 1,3%.
Segundo a APICCAPS, o setor opera sob intensa pressão devido aos conflitos armados na Ucrânia e no Oriente Médio, que afetam a cadeia de valor da moda e reduzem o acesso a mercados de luxo. A situação é agravada por interrupções logísticas, especialmente no estreito de Ormuz, que contribuem para custos mais elevados. O diretor executivo da associação, Paulo Gonçalves, reconhece a contração das exportações, mas defende que Portugal conseguiu resistir melhor que os concorrentes e preservar uma posição internacional baseada em valor, qualidade e capacidade de resposta.
Em 2025, Portugal consolidou a sua liderança sobre a Espanha na produção de calçado e manteve-se como o segundo maior produtor da Europa, com as exportações a crescerem 0,8% para 1.718 milhões de euros. O país subiu para a 18.ª posição entre os maiores produtores mundiais e ocupa a 13.ª posição entre os maiores exportadores em valor. O preço médio de exportação aumentou 2,5%, para 28,25 dólares por par, mantendo Portugal no segundo posto mundial, atrás apenas da Itália.
Os principais destinos do calçado português são a Alemanha, com 24% das exportações, seguida da França com 20%, da Holanda e Espanha com 11% cada, e do Reino Unido com 6%. A indústria está também a diversificar as suas categorias de materiais: o calçado de couro caiu de 69% para 58% das exportações, enquanto os produtos de borracha e plástico subiram de 13% para 21% e os têxteis de 8% para 12%.

As exportações portuguesas de calçado caíram 2,1% no primeiro semestre, em termos homólogos, para 813 milhões de euros, num contexto de “desaceleração geral no comércio global de calçado“, anunciou esta sexta-feira a associação setorial APICCAPS.
Segundo a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), esta quebra foi, ainda assim, menor do que a registada pela Itália e pela Espanha, os dois principais concorrentes de Portugal, cujas perdas acumuladas até maio ascendiam a 4,3% e 7,3%, respetivamente.
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“A indústria portuguesa está a passar por um período muito difícil, assim como a maioria dos principais produtores do mundo. Mesmo assim, Portugal conseguiu resistir melhor à pressão do que muitos dos seus concorrentes e preservar uma posição internacional baseada em valor, qualidade e capacidade de resposta das empresas”, afirma o diretor executivo da APICCAPS, citado na mais recente newsletter da associação.
Embora reconhecendo que “não se pode minimizar a contração das exportações”, Paulo Gonçalves salienta que “deve ser vista no contexto de uma desaceleração geral no comércio global de calçado” e considera que “os resultados mostram que a estratégia de Portugal continua adequada e que as empresas conseguiram defender os seus mercados num ambiente de enorme pressão”.
“O setor opera sob intensa pressão: os conflitos armados na Ucrânia e no Oriente Médio continuam a afetar a cadeia de valor da moda, reduzindo significativamente o acesso a mercados de luxo que tradicionalmente foram importantes para as empresas portuguesas”, explica.
Uma situação, acrescenta, “agravada por interrupções logísticas, especialmente no estreito de Ormuz, que estão a penalizar fortemente a atividade económica e a contribuir para custos mais altos”.
Segundo a APICCAPS, “internacionalmente, todos os principais players enfrentaram dificuldades significativas nos primeiros cinco meses de 2026″, com a China a registar perdas de 10,9%, o Brasil 15,7% e a Turquia 5,3%. Já o Vietname revelou-se mais resiliente que os concorrentes asiáticos, recuando apenas 1,3%.
Em 2025, Portugal consolidou sua liderança sobre a Espanha na produção de calçado e manteve-se o 2.º maior produtor da Europa, com as exportações de calçado nacional a crescerem 0,8%, para 1.718 milhões de euros, recuperando após dois anos de queda e contrariando a tendência negativa das indústrias italiana e espanhola.
A Alemanha foi o principal destino do calçado português, representando 24% das exportações, seguida pela França com 20%, pela Holanda e Espanha, ambas com 11%, e pelo Reino Unido com 6%.
De acordo com dados do “World Footwear Yearbook 2026”, Portugal subiu em 2025 para a 18.ª posição entre os maiores produtores mundiais de calçado, num ranking liderado pela China, que responde por 55% da produção global.
O estudo, publicado anualmente pela APICCAPS, indica que em 2025 Portugal representou 0,3% da produção mundial em volume e 0,5% em valor, sendo cerca de 93% dos sapatos produzidos no país vendidos em 174 mercados.
Em 2025, Portugal ocupou a 13.ª posição entre os maiores exportadores mundiais de calçado em valor, com vendas de 1.949 milhões de dólares (cerca de 1.718 milhões de euros à taxa de câmbio no período de referência), e o 17.º lugar em volume, com 69 milhões de pares exportados.
O preço médio de exportação aumentou 2,5%, para 28,25 dólares por par, mantendo o país o segundo posto a nível mundial, apenas atrás da Itália.
A APICCAPS nota que a indústria portuguesa está a diversificar as suas categorias de materiais e produtos: O calçado de couro caiu de 69% das exportações há três anos para 58%, enquanto o peso dos produtos de borracha e plástico aumentou de 13% para 21% e a dos produtos têxteis de 8% para 12%.
No calçado impermeável, Portugal já ocupa o 5.º lugar entre os maiores exportadores mundiais, com uma participação de 3,4% e vendas de 55 milhões de dólares (47,2 milhões de euros).