Porto de Sines entre os pontos estratégicos para entrada de espécies marinhas não indígenas em PortugalFoto de Jackie Jabson no Pexels
CiênciaSetúbal

Porto de Sines entre os pontos estratégicos para entrada de espécies marinhas não indígenas em Portugal

Alentrium28 de agosto de 2026 às 12:49

Um estudo científico identificou o Porto de Sines como uma das zonas estratégicas para a entrada e monitorização de espécies marinhas não indígenas em Portugal, atualizando o inventário destes organismos nas águas costeiras nacionais. O trabalho contabiliza 231 espécies morfologicamente confirmadas, contra as 133 anteriormente identificadas, o que representa um crescimento de cerca de 75% numa década. Das espécies registadas, 159 foram identificadas em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira.

A investigação aponta a navegação como a principal via de introdução destes organismos, colocando áreas de intensa atividade portuária, como Sines, entre os locais particularmente relevantes para a vigilância. A importância atribuída a Sines está relacionada com a sua localização no cruzamento de grandes rotas internacionais de navegação, com ligações à Europa, Ásia, Mediterrâneo, Estados Unidos e África. As espécies podem viajar incrustadas nos cascos dos navios ou através das águas de lastro, utilizadas pelas embarcações para assegurar a estabilidade durante a navegação.

Paula Chainho, investigadora do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e uma das autoras do estudo, explicou que a prevenção é particularmente importante porque muitas espécies aquáticas apenas são identificadas quando já se encontram estabelecidas num determinado ecossistema. O estudo revela que 39% das espécies não indígenas identificadas em Portugal continental têm origem no Pacífico Norte, enquanto 24% provêm de outras regiões do Atlântico Norte, o que segundo os investigadores justifica respostas adaptadas às características de cada região.

A investigação envolveu 31 investigadores ligados a 11 universidades portuguesas e outras organizações, tendo sido liderada pelo MARE e pela ARNET – Rede de Investigação Aquática. O trabalho, com primeiro autor Romeu Ribeiro, foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin. Além das 231 espécies já confirmadas, foi criada uma lista de vigilância com outras 22 espécies, cuja presença foi detetada exclusivamente através de métodos moleculares, incluindo análises de ADN ambiental.

Estudo científico identifica a navegação como principal via de introdução de novos organismos e revela que o número de espécies confirmadas nas águas portuguesas aumentou cerca de 75% numa década.

Porto de Sines surge como uma das zonas estratégicas para a entrada e monitorização de espécies marinhas não indígenas em Portugal, num estudo científico que atualiza o inventário destes organismos nas águas costeiras nacionais. O trabalho contabiliza 231 espécies morfologicamente confirmadas, contra as 133 anteriormente identificadas, um crescimento de cerca de 75% numa década.

Das 231 espécies registadas, 159 foram identificadas em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira. A investigação aponta o transporte marítimo como a principal via de introdução destes organismos, colocando áreas de intensa atividade portuária, como Sines, entre os locais particularmente relevantes para a vigilância.

Navegação coloca Sines numa posição relevante

A importância atribuída a Sines está relacionada com a localização do porto no cruzamento de grandes rotas internacionais de navegação, com ligações à Europa, Ásia, Mediterrâneo, Estados Unidos e África.

Paula Chainho, investigadora do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e uma das autoras do estudo, explicou à agência Lusa que a navegação constitui a principal causa de introdução de novos organismos.

As espécies podem viajar incrustadas nos cascos dos navios ou através das águas de lastro, utilizadas pelas embarcações para assegurar a estabilidade durante a navegação e as operações portuárias.

A descarga dessas águas longe do local onde foram recolhidas pode transportar organismos vivos entre regiões geográficas distintas.

O próprio estudo aponta o chamado transport-stowaway, associado ao transporte marítimo, como a principal via de introdução de espécies não indígenas nas águas portuguesas.

Prevenção e deteção precoce ganham importância

A atividade marítima faz de zonas portuárias como Sines áreas relevantes para medidas de monitorização, prevenção e deteção precoce.

Segundo Paula Chainho, em declarações citadas pela Lusa, a prevenção é particularmente importante porque muitas espécies aquáticas apenas são identificadas quando já se encontram estabelecidas num determinado ecossistema.

Existem regras internacionais destinadas ao tratamento das águas de lastro antes da descarga, precisamente para reduzir a transferência de organismos entre diferentes regiões marítimas. A investigadora assinalou, contudo, existirem lacunas de informação relativamente à aplicação e acompanhamento dessas medidas em Portugal.

aquacultura constitui outra possível via de introdução, uma vez que o transporte de espécies destinadas à produção pode também permitir a deslocação de outros organismos associados.

39% das espécies no continente têm origem no Pacífico Norte

O estudo revela igualmente diferenças na origem geográfica das espécies encontradas nas várias regiões portuguesas.

Em Portugal continental, 39% das espécies não indígenas identificadas têm origem no Pacífico Norte, enquanto 24% provêm de outras regiões do Atlântico Norte.

Para os investigadores, estas diferenças justificam respostas adaptadas às características de cada região, em vez da aplicação de uma estratégia uniforme em todo o território nacional.

Além das 231 espécies já confirmadas, foi criada uma lista de vigilância com outras 22 espécies, cuja presença foi detetada exclusivamente através de métodos moleculares, incluindo análises de ADN.

Por ainda não terem sido confirmadas através da observação de exemplares, estas espécies não integram o inventário das 231 já validadas. A utilização de ADN ambiental permite, no entanto, sinalizar a possível presença de novos organismos e apoiar a deteção precoce.

A investigação envolveu 31 investigadores ligados a 11 universidades portuguesas e outras organizações e foi liderada pelo MARE e pela ARNET – Rede de Investigação Aquática. O trabalho, que tem como primeiro autor o investigador Romeu Ribeiro, foi publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin.

Os resultados colocam Sines e a Costa Alentejana entre as áreas onde a monitorização assume particular relevância, devido à intensidade da atividade portuária e à inserção do porto nas principais rotas internacionais de navegação.

Augusta Serrano – Jornalista

O conteúdo Porto de Sines entre os pontos estratégicos para entrada de espécies marinhas não indígenas em Portugal aparece primeiro em Alentrium.

Notícias relacionadas

Ciência

Atrasos nas cirurgias ortopédicas podem comprometer doentes

Os atrasos nas cirurgias ortopédicas representam um risco grave para os doentes, podendo comprometer significativamente a sua recuperação. Especialistas alertam que quando a operação não é realizada nas primeiras 48 horas, o risco de mortalidade pode atingir os 90 por cento, sublinhando a importância de priorizar estes procedimentos urgentes no sistema de saúde.

RTP Notícias28/08/26, 13:30
Ciência

Espécies marinhas invasoras em Portugal aumentaram 75% em uma década

Um estudo revelou que a detecção de espécies marinhas invasoras em Portugal aumentou 75% numa década, totalizando 231 registos. A investigação responsabiliza a navegação comercial e o transporte marítimo pela introdução alarmante de organismos nas águas costeiras portuguesas.

Público28/08/26, 13:22
Ciência

Fruta atrai ursos-pardos para as povoações durante o verão

Um estudo da Estação Biológica de Doñana, em colaboração com a Universidade de León e a Fundação Urso das Astúrias, analisou 73 casos de visitas de ursos-pardos a povoações da Cordilheira Cantábrica entre 2009 e 2021, revelando que 86% foram motivados pela procura de alimento de origem humana, como pomares, hortas, ração e lixo. Os pomares foram o principal atractivo, presentes em mais de metade dos casos, e 82% das visitas ocorreram no verão. A maioria das aproximações (64%) aconteceu durante a noite ou crepúsculo, e os ursos identificados eram principalmente jovens ou sub-adultos. Os investigadores propõem que a gestão se centre na prevenção, reduzindo o acesso dos animais aos recursos alimentares que os atraem, como a remoção de fruta disponível nas localidades durante os períodos críticos.

Wilder28/08/26, 13:01
Ciência

Estudo identifica 231 espécies marinhas não indígenas em Portugal

Um novo inventário nacional identificou 231 espécies marinhas não indígenas em Portugal, incluindo cinco espécies nunca antes registadas no país. Este estudo representa uma atualização importante para o conhecimento da biodiversidade marinha portuguesa e para o monitoramento de espécies invasoras nas águas costeiras.

Barlavento28/08/26, 12:55