A Covilhã é o município com maior área ardida em Portugal continental entre 2020 e 2025, segundo o relatório do Instituto Nacional de Estatística. O município serrano perdeu 28,8 mil hectares de floresta e mato, seguido pelo Sabugal com 22,6 mil hectares e Sernancelhe com 19,5 mil hectares. Os dez concelhos mais fustigados situam-se exclusivamente nas regiões Norte e Centro, que juntas agregaram 90,7 por cento de toda a superfície consumida pelo fogo no país.
Ao longo do quinquénio analisado, as autoridades contabilizaram 50.218 deflagrações em todo o território nacional. Trinta e um por cento de todas as ocorrências tiveram início em áreas classificadas com níveis de perigosidade alta e muito alta. A reincidência das chamas revelou-se particularmente grave na região Norte, onde concelhos como Arcos de Valdevez, Baião, Chaves, Cinfães, Ponte da Barca, Sernancelhe e Vila Real registaram cada um mais de mil hectares calcinados repetidamente.
O relatório identificou ainda problemas nos tempos de resposta dos meios de socorro. Cerca de 69,6 por cento das zonas com perigosidade elevada ou máxima situam-se a mais de 15 minutos de distância do quartel de bombeiros mais próximo, o que agrava a vulnerabilidade das populações rurais do interior. Os concelhos de Góis e da Pampilhosa da Serra apresentam a situação mais crítica, com mais de 80 por cento da sua superfície nesta faixa de difícil cobertura operacional, levando os especialistas a recomendar um reforço dos meios de prevenção ativa e da gestão florestal preventiva nestes pontos mais isolados do país.




