O secretário-geral da ONU, António Guterres, exige uma reforma urgente nas operações de manutenção da paz, alertando em Nova Iorque que a resolução pacífica de conflitos atingiu o nível mais baixo em décadas. A declaração surgiu durante a apresentação formal aos Estados-membros do relatório de revisão sobre o futuro das missões internacionais. Segundo o diplomata português, o actual contexto internacional exige uma revisão imediata dos meios no terreno.
O impacto das operações de manutenção da paz no mundo
Historicamente, estas forças desempenharam um papel decisivo no desarmamento de crises e na protecção de populações civis indefesas. Por exemplo, cenários em El Salvador, Camboja, Timor-Leste e República Centro-Africana comprovaram a utilidade directa deste mecanismo multilateral ao longo dos anos.
«Em terras marcadas pelo derramamento de sangue, criam espaço para o diálogo e abrem caminhos para a paz», sublinhou o secretário-geral da ONU. No entanto, as dinâmicas bélicas globais sofreram alterações profundas que exigem respostas tácticas distintas das tradicionais.
Actualmente, o número total de conflitos activos situa-se no patamar mais elevado desde 1945. Além disso, as perdas humanas em combate durante os últimos cinco anos superaram o registo acumulado do quarto de século anterior. Por conseguinte, os modelos convencionais de intervenção armada perderam eficácia prática perante guerras civis internacionalizadas e prolongadas.
Os oito pilares para modernizar as missões no terreno
Perante este cenário adverso, o responsável máximo da organização apresentou um plano estruturado em oito directrizes fundamentais. Em primeiro lugar, o foco institucional deve recair na diplomacia preventiva, na mediação directa e nos bons ofícios dos enviados especiais. Em segundo lugar, a organização necessita de consolidar parcerias de confiança mútua com os governos anfitriões.
Em terceiro lugar, os mandatos no terreno têm de demonstrar maior flexibilidade e foco estratégico claro. «As operações de manutenção da paz só devem ser implementadas quando existe um acordo de paz ou, pelo menos, um cessar-fogo robusto em vigor», advertiu António Guterres. O antigo primeiro-ministro português foi categórico ao afirmar: «Não podemos manter a paz onde não há paz para manter».
Em quarto lugar, impõe-se uma divisão de tarefas muito mais nítida entre as agências internacionais e os parceiros no terreno. Em quinto lugar, as estruturas administrativas exigem processos de decisão céleres, comandos unificados e um planeamento operacional sem entraves burocráticos.
Eficiência tecnológica e novas alianças regionais
Em sexto lugar, a sustentabilidade financeira obriga a uma gestão de recursos rigorosa e sem desperdícios orçamentais. Em sétimo lugar, as missões no terreno têm de integrar ferramentas tecnológicas avançadas, garantindo que os ataques contra os capacetes-azuis não fiquem impunes.
Por último, a cooperação com blocos regionais deve ser aprofundada, destacando-se a parceria estratégica com a União Africana. «As operações de paz são, acima de tudo, instrumentos políticos», rematou o secretário-geral, apelando à mobilização rápida de vontades e verbas diplomáticas.
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