Guterres exige reforma profunda nas operações de manutenção da paz da ONUFoto de Pedro Inacio no Pexels
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Guterres exige reforma profunda nas operações de manutenção da paz da ONU

oRegiões28 de agosto de 2026 às 07:00

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, apresentou aos Estados-membros um relatório de revisão exigindo reformas urgentes nas operações de manutenção da paz, alertando que a resolução pacífica de conflitos atingiu o nível mais baixo em décadas. Atualmente, o número de conflitos ativos é o mais elevado desde 1945, e as perdas humanas nos últimos cinco anos superaram as do quarto de século anterior. Guterres revelou um plano estruturado em oito pilares, incluindo diplomacia preventiva, mandatos mais flexíveis, processos de decisão céleres, ferramentas tecnológicas avançadas e maior cooperação com blocos regionais como a União Africana. O diplomata português foi categórico ao afirmar que «não podemos manter a paz onde não há paz para manter», sublinhando que as operações de paz são instrumentos essencialmente políticos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exige uma reforma urgente nas operações de manutenção da paz, alertando em Nova Iorque que a resolução pacífica de conflitos atingiu o nível mais baixo em décadas. A declaração surgiu durante a apresentação formal aos Estados-membros do relatório de revisão sobre o futuro das missões internacionais. Segundo o diplomata português, o actual contexto internacional exige uma revisão imediata dos meios no terreno.

O impacto das operações de manutenção da paz no mundo

Historicamente, estas forças desempenharam um papel decisivo no desarmamento de crises e na protecção de populações civis indefesas. Por exemplo, cenários em El Salvador, Camboja, Timor-Leste e República Centro-Africana comprovaram a utilidade directa deste mecanismo multilateral ao longo dos anos.

«Em terras marcadas pelo derramamento de sangue, criam espaço para o diálogo e abrem caminhos para a paz», sublinhou o secretário-geral da ONU. No entanto, as dinâmicas bélicas globais sofreram alterações profundas que exigem respostas tácticas distintas das tradicionais.

Actualmente, o número total de conflitos activos situa-se no patamar mais elevado desde 1945. Além disso, as perdas humanas em combate durante os últimos cinco anos superaram o registo acumulado do quarto de século anterior. Por conseguinte, os modelos convencionais de intervenção armada perderam eficácia prática perante guerras civis internacionalizadas e prolongadas.

Os oito pilares para modernizar as missões no terreno

Perante este cenário adverso, o responsável máximo da organização apresentou um plano estruturado em oito directrizes fundamentais. Em primeiro lugar, o foco institucional deve recair na diplomacia preventiva, na mediação directa e nos bons ofícios dos enviados especiais. Em segundo lugar, a organização necessita de consolidar parcerias de confiança mútua com os governos anfitriões.

Em terceiro lugar, os mandatos no terreno têm de demonstrar maior flexibilidade e foco estratégico claro. «As operações de manutenção da paz só devem ser implementadas quando existe um acordo de paz ou, pelo menos, um cessar-fogo robusto em vigor», advertiu António Guterres. O antigo primeiro-ministro português foi categórico ao afirmar: «Não podemos manter a paz onde não há paz para manter».

Em quarto lugar, impõe-se uma divisão de tarefas muito mais nítida entre as agências internacionais e os parceiros no terreno. Em quinto lugar, as estruturas administrativas exigem processos de decisão céleres, comandos unificados e um planeamento operacional sem entraves burocráticos.

Eficiência tecnológica e novas alianças regionais

Em sexto lugar, a sustentabilidade financeira obriga a uma gestão de recursos rigorosa e sem desperdícios orçamentais. Em sétimo lugar, as missões no terreno têm de integrar ferramentas tecnológicas avançadas, garantindo que os ataques contra os capacetes-azuis não fiquem impunes.

Por último, a cooperação com blocos regionais deve ser aprofundada, destacando-se a parceria estratégica com a União Africana. «As operações de paz são, acima de tudo, instrumentos políticos», rematou o secretário-geral, apelando à mobilização rápida de vontades e verbas diplomáticas.

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