A carteira de encomendas da construtora portuguesa Mota-Engil atingiu 20,2 mil milhões de euros, o maior volume da sua história, praticamente equivalente a todo o Plano de Recuperação e Resiliência português. Aos 17,7 mil milhões de euros registados no primeiro semestre, acrescem 2,5 mil milhões de euros de novos contratos celebrados esta semana para África e a América Latina, regiões que concentram 86% do negócio do grupo.
Esta semana, a Mota-Engil acordou a extensão do Corredor do Lobito para a República Democrática do Congo, num contrato de 1.800 milhões de dólares para uma parceria público-privada a 30 anos. Anteriormente, tinha anunciado a extensão do projeto ferroviário Kano-Maradi na Nigéria por 655 milhões de dólares, um novo contrato para construção de um aeroporto no Peru de 140 milhões de dólares e novas infraestruturas no México por 185 milhões de euros.
O CEO Carlos Mota Santos afirma que estes resultados resultam da estratégia de crescimento, diversificação e disciplina financeira, com concentração nos mercados core e segmentos onde a empresa é mais competitiva. Nos últimos quatro anos, a Mota-Engil foi a construtora não-chinesa com maior número de quilómetros de ferroviária executados a nível mundial, contando atualmente com uma carteira de encomendas neste segmento que supera os oito mil milhões de euros.
A América Latina representa 40% e África 46% da carteira de encomendas. Na África subsariana, a empresa mantém posições de liderança como maior construtora não-chinesa do continente. No México, maior mercado da Mota-Engil nos últimos três anos, a atividade expandiu-se para projetos de energia, construção industrial e gestão de aeroportos. Apesar da aposta internacional, a empresa mantém o compromisso com projetos de infraestruturas em Portugal, mostrando-se disponível para colaborar com as competências de engenharia nacional.

A carteira de encomendas da construtora portuguesa Mota-Engil atingiu 20,2 mil milhões de euros. É o maior volume da sua história, praticamente um Plano de Recuperação e Resiliência inteiro. Aos 17,7 mil milhões de euros registados no primeiro semestre, acrescem 2,5 mil milhões de euros de novos contratos para África e a América Latina, as regiões que têm sido motores do grupo e onde este concentra o negócio.
Esta semana, o maior grupo português do setor da construção acordou a extensão do Corredor do Lobito para a República Democrática do Congo, num contrato de 1.800 milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) para uma parceria público-privada a 30 anos. Antes anunciou a extensão do projeto ferroviário na Nigéria (Kano-Maradi) em 655 milhões de dólares (562 milhões de euros). A somar a um novo contrato para a construção de um aeroporto no Peru de 140 milhões de dólares (120 milhões de euros) e novas infraestruturas no México por 185 milhões de euros.
“São resultados que traduzem o que tem sido feito por toda a organização para concretizar os eixos estratégicos de crescimento, diversificação e disciplina financeira”, afirma ao Jornal Económico Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil.
Estes números resultam de uma forma crescente de projetos geradores de cross-selling entre as diferentes unidades, e que permitem capturar uma margem superior através de uma permanência superior no ciclo de vida das infraestruturas, podendo combinar entre engenharia e construção em regime de concessões, como também agregar competências da gestão de resíduos à produção de energia.
“Algo que é fundamental para acelerar a circularidade de economias como a portuguesa e outras geografias onde possamos escalar as competências de engenharia existentes no Grupo e com provas dadas”, refere.
O CEO defende que todo este pipeline resulta de um trabalho de identificação e estudo de oportunidades, algo que num setor como o das infraestruturas é longo e exigente.
“A estratégia em curso, com a concentração do trabalho comercial nos chamados mercados core e nos segmentos onde sabemos que seremos mais competitivos, têm trazido o devido retorno, na conversão de pipeline para a angariação efetiva de carteira de encomendas”, enfatiza.
De resto, assume que essa aposta de definição dos segmentos prioritários permitiu nos últimos quatro anos que a Mota-Engil fosse a construtora não-chinesa a executar o maior número de quilómetros de ferrovia a nível mundial, segmento onde a construtora conta com uma carteira de encomendas que supera, atualmente, os oito mil milhões de euros.
“Demonstra que somos hoje um dos maiores construtores de ferrovia a nível mundial, o mesmo no contract mining (ver caixa ao lado), onde estamos a trabalhar para multinacionais, sendo atualmente o maior operador em África”, afirma.
Objetivo que, para o CEO, só se consegue alcançar com uma enorme dedicação aos projetos e à concretização da ambição dos clientes, resultante da competência na execução que permite aumentar os níveis de confiança entre as partes, base fundamental para parcerias de longo prazo.
Motores em África
e na América Latina
A América Latina e África são dois dos principais mercados de atuação da construtora, com um peso de 40% e 46%, respetivamente, na carteira de encomendas. Ou seja, 86% do negócio está concentrado nestes mercados. No caso de África inclui os contratos de mineração.
“Têm sido, nas últimas duas décadas, os dois principais motores de desenvolvimento do Grupo, que nos posicionou num patamar entre as maiores empresas do setor das infraestruturas a operar nestas regiões”, salienta Mota Santos.
Em relação a África, considera ser um mercado natural, não só porque foi onde a construtora nasceu, mas também porque soube, a partir daí, ir para além dos mercados tradicionais das empresas portuguesas.
“Hoje somos um grupo económico com presença transversal na região da África subsariana, com posições de liderança em diversos mercados, e onde a posição enquanto maior construtora não-chinesa no continente nos posiciona para a execução de alguns dos maiores projetos de infraestruturas”, salienta.
Por sua vez, na América Latina, o México tem sido o maior mercado da Mota-Engil nos últimos três anos, e onde o CEO promete continuar a desenvolver a atividade, que hoje já não é só direcionada para projetos rodoviários, mas igualmente para projetos de energia, construção industrial, operação de fábricas de fertilizantes ou gestão de aeroportos.
“Também na região, acreditamos que o Brasil será um mercado de crescente relevância para a Mota-Engil, em função do investimento que temos vindo a fazer, e que sentimos que poderá ter o devido retorno neste próximo ciclo estratégico até 2030, a par do Peru e da Colômbia que são mercados em que continuaremos a desenvolver a nossa atividade”, sublinha.
“Disponíveis para concretizar as ambições de Portugal”
Apesar da aposta no mercado externo, a Mota-Engil continua a assumir o seu compromisso na execução dos projetos de infraestruturas que têm sido anunciados para Portugal, com a promoção de consórcios de empresas portuguesas para a execução de projetos com qualidade.
No entanto, o CEO diz que é preciso “destrinçar” que existe uma componente de dinamização empresarial do setor privado, na qual a Mota-Engil está sempre atenta a novas oportunidades de investimento.
“Na componente do investimento público, estaremos dependentes do lançamento de novos projetos que são fundamentais para a competitividade da economia nacional, e para os quais estaremos disponíveis para colaborar com as nossas competências de engenharia nacional para a concretização das ambições do país, pelo que aguardaremos a maior concretização do pipeline anunciado”, conclui.