Trump fecha a torneira da imigração e o fast food americano começa a sentir a falta de clientesFoto de Sandra González Casado no Pexels
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Trump fecha a torneira da imigração e o fast food americano começa a sentir a falta de clientes

Jornal Económico29 de agosto de 2026 às 20:14

As políticas de imigração da administração Trump estão tendo impacto no setor de fast food nos Estados Unidos. Segundo uma análise do Financial Times, quase três milhões de pessoas deixaram os Estados Unidos em 2025, entre deportações e saídas voluntárias, fazendo com que a população americana crescesse apenas 0,5% entre julho de 2024 e julho de 2025. Dados do Brookings Institution indicam que a imigração líquida foi negativa em 2025 pela primeira vez em pelo menos meio século.

A comunidade latina representa uma fatia importante dos clientes do setor, com 35% dos latinos nos Estados Unidos consumindo fast food em um determinado dia. Simultaneamente, o número de restaurantes pertencentes a cadeias aumentou entre 1% e 2% por ano desde 2021, o que criou uma pressão adicional em um mercado com menos consumidores disponíveis.

Dados da Placer.ai citados pelo Financial Times mostram que o tráfego nos restaurantes de fast food caiu em quase todos os meses de 2025 e 2026, depois de ter crescido de forma consistente em 2023. A McDonald's vai diminuir a abertura de novos restaurantes, enquanto a Wendy's e a Subway fecharam centenas de estabelecimentos no último ano. A Jack in the Box e a Wingstop também associaram quedas nas vendas à redução do consumo entre clientes latinos.

O problema pode não ser apenas conjuntural. Durante a administração de Joe Biden, a imigração líquida chegou a 2,8 milhões de pessoas em 2022 e 3,4 milhões em 2023. Parte da indústria pode ter tomado decisões de expansão contando com um crescimento populacional que agora já não existe, obrigando as cadeias a ajustar seus planos de crescimento a um mercado com menos clientes disponíveis.

A ligação entre as duas realidades foi feita pelo Financial Times, que analisou o impacto da quebra da imigração nas vendas e nos planos de expansão das cadeias de fast food.

Segundo o Financial Times, quase três milhões de pessoas deixaram os Estados Unidos em 2025, entre deportações e saídas voluntárias. A população americana cresceu apenas 0,5% entre julho de 2024 e julho de 2025, muito abaixo do ritmo registado nos anos anteriores.

Os dados do Brookings Institution mostram a dimensão da mudança. Os investigadores estimam que a imigração líquida — a diferença entre quem entra e quem sai do país — tenha sido negativa em 2025, entre 10 mil e 295 mil pessoas, pela primeira vez em pelo menos meio século. A previsão é que continue muito baixa ou negativa em 2026.

Para as empresas de restauração, a alteração demográfica chega num momento particularmente difícil. Segundo o Financial Times, 35% dos latinos nos Estados Unidos consomem fast food num determinado dia, tornando esta comunidade um grupo importante para o setor. Ao mesmo tempo, o número de restaurantes pertencentes a cadeias aumentou entre 1% e 2% por ano desde 2021.

Mas há agora menos clientes a entrar pela porta. Dados da Placer.ai citados pelo Financial Times mostram que o tráfego nos restaurantes de fast food caiu em quase todos os meses de 2025 e 2026, depois de ter crescido de forma consistente em 2023. A inflação e a utilização crescente de aplicações de entrega também pesam no negócio.

A consequência começa a aparecer nas empresas. A McDonald’s vai abrandar a abertura de novos restaurantes, enquanto Wendy’s e Subway fecharam centenas de estabelecimentos no último ano, segundo o Financial Times. Em 2025, Jack in the Box e Wingstop também associaram uma quebra nas vendas à redução do consumo entre clientes latinos.

O problema pode não ser apenas conjuntural. Durante a administração de Joe Biden, a imigração líquida terá chegado a 2,8 milhões de pessoas em 2022 e 3,4 milhões em 2023, segundo as estimativas citadas pelo Financial Times. Parte da indústria poderá ter tomado decisões de expansão a contar com um crescimento populacional que agora já não existe.

É essa mudança que está a obrigar as cadeias americanas a fazer contas diferentes. Se a população cresce menos, o mercado também cresce menos — e um setor que abriu milhares de restaurantes nos últimos anos pode acabar com demasiadas lojas a disputar um número cada vez menor de clientes.

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