A Universidade Federal do Rio de Janeiro decidiu retirar o título de doutor "honoris causa" que havia sido concedido a António de Oliveira Salazar em 1941, há 85 anos. A instituição justificou a decisão por considerar que a inúmeração honorífica não é compatível com os valores democráticos, acadêmicos e constitucionais que atualmente orientam a universidade.
Salazar foi chefe do Conselho de Ministros de Portugal durante o período do Estado Novo, um regime autoritário que vigorou de 1933 a 1974. O título havia sido atribuído há mais de oito décadas, numa época em que as relações entre instituições acadêmicas brasileiras e o regime português eram distintas.
A decisão da UFRJ se insere num movimento mais amplo de revisão de títulos e reconhecimentos que glorificam figuras associadas a regimes autoritários. Várias universidades brasileiras e internacionais têm analisado e, em alguns casos, revogado honras concedidas a ditadores e líderes de regimes repressivos.
A remoção do título representa uma posição institucional clara da universidade em relação à sua identidade democrática atual, marcando uma ruptura simbólica com decisões tomadas durante períodos históricos distintos.



