A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve anunciou investimentos em novos equipamentos de diagnóstico nos hospitais públicos da região, durante uma visita da Ministra da Saúde. O artigo reconhece que estes investimentos representam um avanço importante na medicina moderna e podem contribuir para fixar mais médicos na região, salientando que a satisfação profissional vai além dos benefícios financeiros.
O texto faz uma retrospetiva da primeira metade do século XX, quando o "Cuidar" era o aspecto mais relevante da medicina, desempenhado caritativamente por freiras e posteriormente profissionalizado na enfermagem. Nesse período, o diagnóstico dependia da capacidade do médico, e as farmácias funcionavam como locais de aconselhamento para os doentes. Os partos eram realizados em casa por "Comadres" ou parteiras, e a morte da mãe ou do filho durante o parto era uma intercorrência frequente.
O artigo analisa criticamente propostas atuais, nomeadamente a sugestão do Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos para que as farmácias tratem doenças simples como infeções urinárias. O autor argumenta que a história clínica nunca pode ser colhida ao balcão de uma farmácia, onde dados íntimos do doente seriam expostos, e que a intervenção terapêutica exige qualificação diagnóstica adequada.
O autor questiona também a proposta de permitir que enfermeiros peçam exames para grávidas, considerando que tal extravasa a função de "Cuidar" que lhes compete. Conclui que replicar metod
Que o Mundo muda a uma velocidade estonteante é bem patente. A segunda metade do século XX bem mostrou essa mudança vertiginosa de que a Saúde também tanto beneficiou, sendo de saudar os investimentos da ULS Algarve em novos e modernos equipamentos de diagnóstico em todos os Hospitais Públicos do Algarve, anunciados aquando da recente visita da Ministra da Saúde ao Algarve.
Constituem não só paço importante na Medicina moderna, como também condição motivadora da fixação de mais médicos na Região como é noticiado, o que bem mostra a relevância da satisfação profissional num tempo em que é corrente pensar-se que só os proventos financeiros determinam as opções profissionais.
Como vão longe os tempos em que das frentes do combate à doença – aconselhar, diagnosticar, tratar e cuidar – a mais relevante era Cuidar, caritativamente desempenhada pelas freiras das comunidades religiosas, depois profissionalizada na Enfermagem, a profissão, quiçá, de maior exigência vocacional.
O diagnóstico assentava na capacidade e saber do médico em inquirir na história clínica, observar e interpretar semiologicamente os sinais e sintomas que o doente apresentava para poder instituir o tratamento, num tempo em que a escassez do armamentário terapêutico e dos meios complementares de diagnóstico tornava prevalente o Cuidar.
No muito difícil acesso ao médico a pessoa doente procurava Aconselhamento na farmácia próxima, onde os farmacêuticos e os então ajudantes de farmácia, estes mais numerosos, lhes recomendavam para além de medidas de higiene alimentar em especial para as crianças vitimas das então tão frequentes e graves gastro-enterites, medicamentos de venda livre ou tisanas, xaropes e bálsamos para o alívio dos seus males, assim como a intervenção urgente do médico, se fosse caso disso.
E tudo isto se passava na primeira metade do sáculo XX, época em que a morte da parturiente, do filho, ou dos dois, era considerada intercorrência receada no risco do parto de toda a mulher grávida.
A inexistência de Maternidades fora dos Grandes Centros e o opróbrio dos serviços públicos de saúde conduzia aos partos em casa, assistidos pelas senhoras de virtude, as “Comadres”, e nos meios mais urbanos pelas Parteiras, profissionais de formação específica já iniciada no início do século XIX nas escolas médicas que as habilitava com o curso de partos. Só em raros casos o médico da comunidade se deslocava a casa da parturiente, caso surgisse complicação interveniente.
Só depois da Revolução de Abril as Maternidades organicamente funcionais com médicos obstetras, enfermagem especializada, bloco operatório e médicos pediatras e neonatologistas se foram espalhando pelo país numa cobertura em rede, progressivamente abrangente, que o Serviço Nacional de Saúde consagrou.
Hoje com uma Medicina “anos-luz” mais evoluída com acesso a meios de diagnóstico e atos terapêuticos excelentemente desenvolvidos, não pode deixar de ser objeto de profunda reflexão, pese embora a intenção duma melhor acessibilidade, a proposta do Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos de passarem as farmácias a tratar a pequena doença, dando como exemplo a infecção urinária “simples”, esquecendo que toda a história clínica nunca pode, em respeito ao doente, ser colhida em público ao balcão de uma farmácia, ou tampouco em qualquer gabinete para o efeito criado por profissional de saúde desqualificado na obtenção dum diagnóstico e a quem o doente possa confiar dados da sua vida íntima como a doença exemplificativa implica, tal como a intervenção terapêutica tem de ser adequada e assertiva, de forma a que a doença ligeira não evolua para doença grave.
Dúbia também a resolução de os enfermeiros puderem pedir exames para grávidas, já que, se de rotina protocolada bastará a requisição informaticamente produzida e se de razão intercorrente implicará o diagnóstico provisório que os determina, logo extravasando a importante função do enfermeiro, a de Cuidar, e com atribuições tão relevantes consignadas na especialização de Saúde Materna e Obstétrica.
Ao médico cabe diagnosticar incluindo na decisão terapêutica os exames complementares de diagnóstico que a sua dúvida prévia determinou.
Replicar metodologias de um tempo de tão grandes dificuldades nos Cuidados de Saúde no momento de técnica auspiciosa que vivemos, não será concerteza o caminho a trilhar. Pensemos nisso.