IHM a casa DESgovernadaFoto de Celine Santana no Pexels
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IHM a casa DESgovernada

Madeira Opina29 de agosto de 2026 às 08:50

Este artigo de opinião aborda a situação crítica da IHM (Investimentos Habitacionais da Madeira), uma empresa pública descrita como uma "casa a arder", com problemas graves de liderança, gestão e organização interna. O texto denuncia a falta de presença e responsabilidade dos dirigentes, o desgaste e a desmotivação dos trabalhadores, o aumento de conflitos internos e ausências por doença, bem como a dificuldade em atrair responsáveis qualificados para a empresa. O autor defende que a instituição precisa de liderança genuína, gestão efetiva e pessoas preparadas para assumir responsabilidades, alertando que a recuperação da organização exigirá trabalho, dedicação e presença a tempo inteiro.


U

ma casa a arder, e já não basta fingir que não se vê. Quando uma empresa com ligações ao Governo chega ao ponto de ser descrita internamente como uma “casa a arder”, talvez seja altura de deixar de fingir que está tudo bem. A sensação que transparece é a de uma estrutura sem rumo, marcada pela falta de liderança, pela indefinição e por uma gestão que parece incapaz de responder aos problemas que se acumulam. A IHM não pode ser tratada como um lugar onde se passa algumas horas, se cumpre calendário, se tiram fotografias para as redes sociais e depois se vai embora. Uma empresa pública exige presença, responsabilidade, dedicação e, sobretudo, liderança.

A questão dos trabalhadores que acumulam outras funções ou atividades merece ser esclarecida. Não basta colocar pessoas em lugares de responsabilidade, é preciso que estejam efetivamente disponíveis para exercer essas funções e responder perante a organização e perante os seus trabalhadores.

E enquanto a liderança parece andar perdida, quem fica dentro da casa são os trabalhadores. São eles que enfrentam diariamente um ambiente cada vez mais pesado, com sinais evidentes de desgaste, desmotivação e conflito. O aumento das ausências por doença, quando existe, não deveria ser tratado apenas como um problema administrativo. Deveria ser encarado como um sinal de alerta sobre o estado da organização.

Quando os conflitos internos chegam ao ponto de transformar pequenos problemas do quotidiano em verdadeiras guerras entre colegas, alguma coisa está profundamente errada. Uma organização saudável não pode funcionar num permanente estado de tensão, desconfiança e desgaste.

E onde está a liderança dos Recursos Humanos? Onde está quem deve ouvir os trabalhadores, mediar conflitos, identificar problemas e impedir que uma organização se degrade por dentro?

A dificuldade em encontrar dirigentes e responsáveis para a IHM também deveria fazer soar os alarmes. Se uma estrutura pública tem dificuldades em atrair pessoas qualificadas e com vontade de assumir responsabilidades, talvez seja necessário perguntar porquê. É falta de condições? É falta de credibilidade? É falta de autonomia? É o ambiente interno? Ou é simplesmente porque ninguém quer assumir a responsabilidade de tentar reconstruir aquilo que outros deixaram degradar?

A expressão “a casa está a arder” pode até continuar a ser ouvida pelos corredores. Mas a verdade é que, para muitos trabalhadores, já não se trata de saber se a casa vai arder. A questão é saber quanto dela ainda pode ser recuperado.

Quem vier depois terá provavelmente uma tarefa difícil: levantar os cacos, recuperar a confiança dos trabalhadores, reconstruir equipas, impor liderança e devolver credibilidade à instituição. E para isso não bastam fotografias, discursos ou nomeações. É preciso trabalhar. É preciso estar presente. É preciso assumir responsabilidades. Porque uma instituição pública não pode ser gerida em part-time quando os problemas exigem dedicação a tempo inteiro.

A IHM precisa de liderança, não de aparências. Precisa de gestão, não de improviso. Precisa de pessoas preparadas para assumir responsabilidades e não de mais alguém para simplesmente ocupar uma cadeira. A casa pode ainda ser reconstruída. Mas primeiro é preciso admitir que está em ruínas.

Por fim senhor Anão deixe de se preocupar com os veados e arrume a sua casa.

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