Helena Gonçalo Ferreira escreveu uma opinião sobre a forma como o capitalismo contemporâneo lida com a questão das pausas no trabalho. O artigo argumenta que as empresas não proíbem explicitamente os trabalhadores de fazerem pausas, como por exemplo para ir ao banheiro. Em vez disso, simplesmente não pagam por esse tempo, transferindo assim a responsabilidade para o trabalhador.
A autora descreve essa prática como uma transferência de responsabilidade perfeita. De acordo com Helena Gonçalo Ferreira, essa é uma das soluções mais elegantes que o capitalismo contemporâneo conseguiu produzir para lidar com a necessidade de descanso dos trabalhadores.
O texto sugere que essa abordagem permite às empresas manterem uma imagem de flexibilidade e autonomia, enquanto na prática controlam o tempo efetivo de trabalho. Os trabalhadores ficam numa situação em que formalmente têm liberdade, mas na prática são penalizados se a utilizarem.




