Depois do Sol, chegou a vez da Lua. Eclipse lunar parcial visível em Portugal na madrugada passadaFoto de Lucas Pezeta no Pexels
CiênciaLisboa

Depois do Sol, chegou a vez da Lua. Eclipse lunar parcial visível em Portugal na madrugada passada

O Cascalense29 de agosto de 2026 às 01:05

Um eclipse lunar parcial foi visível em Portugal na madrugada do dia 28 de agosto, com o fenômeno começando pouco depois das 3h e atingindo o pico às 5h13. A Lua ficou 96,3% oculta pela sombra da Terra, apresentando um tom avermelhado, e pôde ser observada a olho nu, sem necessidade de óculos especiais. A ocultação terminou antes das 7h e o fenômeno foi visível não só na Europa e África Ocidental, mas também nas Américas.

Este eclipse lunar ocorreu cerca de duas semanas após o eclipse solar total que passou pelo território nacional no dia 12 de agosto. Ao contrário do eclipse solar, em que a Lua oculta o Sol, o eclipse lunar acontece quando a Terra se encontra perfeitamente compreendida entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar que normalmente ilumina o satélite.

O físico Alexandre Cabral, pesquisador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, explicou que a tonalidade avermelhada resulta da luz vermelha passando pela atmosfera terrestre, enquanto a luz azul é espalhada. "A atmosfera acaba funcionando como um filtro. A pouca luz que chega à Lua e a ilumina é essencialmente essa luz vermelha que passou pela atmosfera terrestre", afirmou.

No momento de maior ocultação, a Lua se encontrava a cerca de 20 graus acima do horizonte, virada para oeste-sudoeste. Cabral considerou que, embora "não seja tão espetacular quanto um eclipse do Sol", o fenômeno teve seus aspectos interessantes, admitindo que a olho nu se notou bem a coloração avermelhada.

O fenómeno começou pouco depois das 3h e atingiu o pico às 5h13 de dia 28 de Agosto. Lua ficou com um tom avermelhado e pôde ser observada a olho nu.

Desta vez, não precisou de óculos. Houve um novo eclipse na madrugada desta Sexta-feira, visível em Portugal. Pelas 5h13 de dia 28 de Agosto (hora de Lisboa), a Lua ficou 96,3% ocultada na sombra da Terra, num momento que tingiu o satélite de uma tonalidade avermelhada. Foi um eclipse lunar parcial e foi visível na Europa e África Ocidental, mas também nas Américas. A ocultação começou pouco depois das 3h e terminou antes das 7h.

O fenómeno não foi comparável ao eclipse solar total que passou por território nacional no passado dia 12 de Agosto, em termos de magnitude e mobilização da população. Afinal, foi possível — e é até recomendado — observar a mudança de iluminação da Lua a olho nu. No fundo, um eclipse lunar ocorre quando a Lua entra na sombra da Terra, com o nosso planeta a estar perfeitamente compreendido entre o Sol e a Lua.

Sem a estrela do nosso sistema a apontar a sua luz para a Lua, o satélite deixa de conseguir refletir qualquer tipo de iluminação, pelo que naquelas horas em que o fenómeno foi mais intenso esperou-se um céu ainda mais estrelado, sem a Lua a ofuscar o brilho dos astros. A Terra, essencialmente, tapou o Sol para a Lua — ao contrário do que aconteceu no eclipse solar, quando a Lua ocultou o Sol.

“Não é tão espetacular como um eclipse do Sol, mas tem os seus aspetos engraçados”, confessou o físico Alexandre Cabral, referindo que não existem questões como a escuridão total provisória ou a influência no comportamento animal — que se verificaram há duas semanas. Porém, aconteceu um fenómeno bastante distinto e característico desta ocultação.

“No eclipse lunar, a Terra tapou a luz direta do Sol, mas alguma luz que passa junto ao bordo da Terra atravessou a atmosfera terrestre”, afirmou. Existem múltiplos tipos de “luzes” que passam pela nossa atmosfera, mas para este efeito, interessam duas: a azul, que vemos durante o dia, e a vermelha, que normalmente é mais expressiva na altura do nascer e do pôr do sol. “Ao passar pela atmosfera, a luz azul é espalhada e a vermelha passa muito mais facilmente. A atmosfera acaba por funcionar como um filtro. A pouca luz que chega à Lua e a ilumina é essencialmente essa luz vermelha que passou pela atmosfera terrestre”, explicou o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

É por isso que, naquela altura de maior ocultação, a Lua apresentou um tom avermelhado, ao invés do seu habitual cinzento que reflete a luz solar. Por não ser um eclipse lunar total, o fenómeno conhecido como “Lua de Sangue” não será tão significativo, mas o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa admitiu que continuou a ser visível a olho nu. “A olho nu notou-se bem que estava avermelhada. Ver com um telescópio pôde ser engraçado num eclipse parcial, porque permitiu alternar a observação entre a zona mais iluminada e a menos iluminada.”

No início, foi como “uma dentada”, difícil de distinguir de um quarto minguante ou crescente. Em termos de observação, a Lua pôde já estar “baixa” no pico da ocultação. O satélite estava cerca de 20 graus de altitude acima do horizonte, virado para oeste-sudoeste. Em termos mais simples, comparando novamente com o eclipse solar, a Lua esteve “um bocadinho mais acima”, por isso mais fácil de observar que o Sol no passado dia 12 de Agosto, mantendo o mesmo local de observação.

O conteúdo Depois do Sol, chegou a vez da Lua. Eclipse lunar parcial visível em Portugal na passada madrugada aparece primeiro em O Cascalense.

Notícias relacionadas

RD Congo: Surto de ébola chega a mais duas zonas na província de Kivu do Norte
Ciência

RD Congo: Surto de ébola chega a mais duas zonas na província de Kivu do Norte

O surto de ebola na República Democrática do Congo espalhou-se para mais duas zonas na província de Kivu do Norte, elevando ainda mais o número de casos e mortes. O surto já causou 5.794 infecções e 2.786 mortes, tornando-se um dos maiores surtos da doença registrados no país.

Sábado29/08/26, 15:20
Os primeiros seres humanos eram capazes de sobreviver em zonas desérticas
Ciência

Os primeiros seres humanos eram capazes de sobreviver em zonas desérticas

Um novo estudo revelou que um antepassado humano primitivo da nossa espécie conseguiu sobreviver em zonas desérticas e áridas na África Oriental durante muito mais tempo do que os cientistas haviam estimado anteriormente. A investigação desafia noções anteriores sobre as capacidades de adaptação dos primeiros seres humanos a ambientes hostis.

SAPO Notícias29/08/26, 14:55
Come enquanto trabalha ao computador? Especialistas deixam alerta que o teclado pode ser um “refeitório de bactérias”
Ciência

Come enquanto trabalha ao computador? Especialistas deixam alerta que o teclado pode ser um "refeitório de bactérias"

Especialistas alertam que comer enquanto se trabalha ao computador pode transformar o teclado num verdadeiro reservatório de bactérias. Quando as pessoas comem na frente do computador e continuam a digitar sem lavar ou higienizar as mãos, migalhas, resíduos de alimentos e umidade se acumulam no teclado, criando condições ideais para a proliferação de microrganismos. O hábito, embora aparentemente inofensivo, pode representar riscos à saúde, pois os keyboards acumulam sujeira ao longo do tempo e podem transmitir doenças. Os especialistas recomendam a higienização regular das mãos e do teclado para evitar a contaminação.

SAPO Notícias29/08/26, 13:16
Ciência

Praia Fluvial do Penedo Furado recebe telescópios para ver o Sol de perto

A Praia Fluvial do Penedo Furado, em Vila de Rei, recebe no dia 4 de Setembro uma sessão de observação solar aberta ao público, das 10:00 às 12:00, numa parceria entre a prefeitura local e o Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia. Os participantes poderão observar manchas solares e proeminências através de telescópios equipados com filtros certificados, acompanhados por monitores especializados que explicam a física solar e os ciclos magnéticos. A iniciativa, gratuita e sem inscrição prévia, faz parte de um programa mais amplo de divulgação científica em praias fluviais do interior do Centro, buscando unir lazer de banho, contato com a natureza e letramento astronómico.

oRegiões29/08/26, 12:15