

Ir ao posto de abastecimento encher o depósito do carro ficou bem mais caro desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irão, há seis meses. Os preços dos combustíveis disparam, mas a guerra no Médio Oriente afetou o bolso dos portugueses (e não só) em várias dimensões. Por exemplo, na prestação da casa que tem vindo a subir à boleia do agravamento dos juros. Estes seis gráficos mostram como o conflito afetou as nossas vidas.
Barril perto dos 100 dólares
Nos últimos seis anos, três choques petrolíferos provocaram fortes disrupções no mercado e nos preços do barril. Na pandemia, chegaram mesmo a valores negativos perante os confinamentos impostos em todo o mundo.
A invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 atirou os preços para mais de 130 dólares, mas o impacto das sanções impostas a Moscovo foi sendo mitigado. Até ao início de 2026. Com os ataques dos EUA e Israel, o Irão determinou o encerramento do Estreito de Ormuz com a ameaça de atacar quem lá passasse. Até então 20% do consumo mundial de petróleo passava por aí.
Chegou-se a temer uma escalada do preço até aos 200 dólares ou mais. O início das negociações para um acordo de paz levou a um novo alívio dos preços do barril. Mas os analistas duvidam que as cotações voltem a níveis pré-guerra.
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O susto de ir à bomba
O aumento dos preços do petróleo e dos produtos refinados por causa da guerra no Irão está a refletir-se diretamente (e penosamente) no bolso dos portugueses quando vão à bomba abastecer o depósito do carro. É um susto que apanham a cada segunda-feira, quanto os preços dos combustíveis são normalmente atualizados.
A guerra trouxe um aumento de 30% no preço do litro de gasóleo e de 20% no litro de gasolina. Isto sem contar com os descontos aplicados no imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) que tem mitigado o esforço financeiro dos automobilistas.
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Gás sobe mas muito menos do que há três anos
A menor dependência da Europa em relação ao gás do Médio Oriente fez com que a guerra no Irão tivesse tido um impacto mais contido nos preços do que na altura da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ainda assim, com o preço por MWh perto dos 70 dólares, o gás natural na Europa está em máximos de quatro anos e também pesa no bolso das famílias e empresas europeias. Em agosto de 2022 chegou a superar os 300 dólares por MWh com as sanções impostas pela União Europeia a Moscovo e o fim das compras de gás aos russos.
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Ações em máximos após impacto inicial
Tanto em Lisboa como na Europa as ações estão perto de máximos históricos apesar de toda a incerteza que continua a pairar sobre o desfecho da guerra.
Ainda assim, os primeiros dias do conflito provocaram alguma mossa na confiança dos investidores. A desconfiança ficou para trás quando as duas partes fizeram uma pausa nos ataques no início de abril e sentaram-se à mesa para negociar. Ainda não há qualquer vislumbre de um acordo.
Entretanto, o conflito entrou agora numa nova fase de menor escalada militar e maior tensão económica, depois de Washington ter anunciado esta semana um plano para tentar isolar o Irão economicamente do resto do mundo e reprimir o regime de Teerão pela repressão financeira.
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Energia renova receios de nova espiral inflacionista
O agravamento significativo dos preços da energia, ao dispersarem-se por toda a economia, traz consigo um aumento dos preços dos bens e serviços que consumimos no dia a dia. Foi assim após o fim da pandemia com a abertura rápida da economia e após a invasão da Ucrânia. Em outubro de 2023 a inflação na Zona Euro superou mesmo os 10%.
A receita para o desastre poderia repetir-se com a guerra no Irão. Os preços voltaram a aquecer com a inflação a subir para 3% em maio, depois de um período de relativa estabilidade perto dos 2%. Os receios de uma nova espiral inflacionista levaram o banco central a atuar.
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BCE intervém para evitar nova crise de preços
Face ao risco de uma nova escalada descontrolada dos preços, o BCE já teve de subir as taxas de juro diretoras em junho. A próxima reunião agendada para 10 de setembro vai trazer um novo agravamento. E não será o último. A membro do conselho executivo do BCE Isabel Schnabel defendeu esta semana que as taxas terão de subir ainda mais para travar a pressão inflacionista.
Para quem está a pagar o crédito da casa ao banco, o aperto do banco central significa que a prestação mensal do empréstimo indexado à Euribor também está a subir. As famílias já sentem no bolso a subida da inflação e também são penalizadas com o agravamento do custo do crédito.
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