A subida de preços conjugada no cabaz alimentar e nos combustíveis rodoviários está a impor uma sobrecarga média de 81,20 euros por mês às famílias portuguesas proprietárias de um automóvel a gasolina. O cálculo resulta da soma do agravamento sofrido pelas compras semanais de supermercado desde o início do ano com o encarecimento directo registado nos postos de abastecimento para quem cumpre uma quilometragem anual de 10.000 quilómetros.
Os dados, apurados esta semana, revelam que a cesta de 63 bens alimentares essenciais monitorizada pela DECO PROteste atingiu os 255,26 euros. Ao mesmo tempo, os registos oficiais do mercado dos combustíveis confirmam uma trajectória de aumentos contínuos nas bombas desde a primeira semana de Janeiro de 2026, com o litro de gasolina simples 95 e de gasóleo simples a encarecerem de forma expressiva.
Alimentação semanal absorve mais 57,80 euros por mês
No sector da distribuição alimentar, o cabaz de primeira necessidade encareceu 52 cêntimos na última semana, somando a segunda semana consecutiva de subidas após um aumento prévio de 2,11 euros. Face aos valores praticados no início de Janeiro, a aquisição deste conjunto fixo de bens custa hoje mais 13,34 euros por semana aos consumidores portugueses, representando uma variação de 5,55 por cento.
Tratando-se de uma cesta de consumo concebida para suprir as necessidades alimentares correntes de um agregado familiar ao longo de uma semana, a projecção mensal — correspondente a 4,33 semanas — reflecte um sobrecusto de 57,80 euros por mês unicamente para manter o mesmo nível de aprovisionamento doméstico.
As maiores variações percentuais da última semana concentraram-se no peixe fresco e nos produtos hortícolas. O carapau subiu 23 por cento, passando a custar 5,46 euros por quilo, a curgete registou um aumento de 20 por cento, atingindo 2,15 euros por quilo, e a posta de atum em azeite encareceu 17 por cento, para 2,21 euros por unidade. Em termos homólogos, o cabaz está 14,61 euros mais caro do que em Setembro do ano transacto.
Gasolina e gasóleo registam subidas superiores a 40 cêntimos por litro
O agravamento das despesas domésticas é acompanhado por uma escalada no sector energético. De acordo com as cotações médias apuradas pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o litro de gasolina simples 95 situava-se, na primeira semana de Janeiro de 2026, nos 1,705 euros por litro nos pórticos de abastecimento de Portugal continental, enquanto o gasóleo simples rondava os 1,624 euros por litro.
Com as revisões tarifárias acumuladas até à segunda semana de Setembro, a gasolina simples 95 avançou para uma média de 2,142 euros por litro, ao passo que o gasóleo simples atingiu os 2,169 euros por litro. Em valores absolutos, a gasolina apresenta um encarecimento directo de 0,437 euros por litro (mais 43,7 cêntimos) desde o início do ano. No caso do gasóleo, a subida absoluta fixa-se em 0,545 euros por litro (mais 54,5 cêntimos).
Impacto no transporte: mais 23,40 euros por mês para 10 mil quilómetros
Para quantificar a despesa de um condutor particular, toma-se como referência um veículo ligeiro de passageiros a gasolina com uma quilometragem de 10.000 quilómetros anuais e um consumo médio misto padrão de 6,5 litros por cada 100 quilómetros percorridos.
Neste cenário de utilização, o consumo anual cifra-se em 650 litros de gasolina simples 95, o que se traduz numa média exacta de 54,17 litros de combustível por mês.
Com os preços praticados no início de Janeiro (1,705 euros por litro), o encargo mensal médio do condutor situava-se em 92,36 euros (1.108,25 euros por ano). Com a cotação actual de Setembro (2,142 euros por litro), o encargo mensal médio sobe para 116,03 euros (1.392,30 euros por ano). A subida absoluta do combustível impõe, assim, um acréscimo mensal de 23,67 euros aos utilizadores de viaturas a gasolina.
Somando a despesa adicional da alimentação doméstica calculada a quatro semanas e meia (57,80 euros) com a despesa acrescida de combustível (23,67 euros), a subida de preços em bens inelásticos retira 81,47 euros suplementares da disponibilidade financeira mensal de cada família.
O conteúdo Subida de preços custa mais 81 Euros por mês às famílias – entre compras e gasolina aparece primeiro em oRegiões.




