Il presidente dell'Associazione Industriale Portoghese (AIP), José Eduardo Carvalho, ha avvertito che migliaia di posti di lavoro nell'industria rimangono vacanti per diversi mesi per mancanza di lavoratori. La situazione deriva da molteplici fattori strutturali, tra cui l'invecchiamento della popolazione, la riduzione della popolazione attiva, l'emigrazione di lavoratori qualificati e la discrepanza tra la formazione e le necessità delle aziende. L'AIP sostiene che il Portogallo affronta un problema di competitività che richiede politiche pubbliche per aumentare la produttività, ridurre i costi di contesto e favorire gli investimenti.
La scarsità di manodopera sta limitando la crescita delle aziende, che smettono di accettare ordini, rimandano investimenti e operano al di sotto della capacità installata. José Eduardo Carvalho ha sottolineato che esistono aziende con capacità, ordini e mercati, ma che non riescono a espandersi perché non trovano le risorse umane necessarie. Il vero rischio, secondo il presidente dell'AIP, è che il Portogallo perda la capacità di attirare

O presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP) adianta ao Jornal Económico que há “milhares de postos de trabalho por preencher, muitos dos quais permanecem vagos durante vários meses”, mas diz estar satisfeito com a “via verde” à imigração legal criada pelo Governo em parceria com as associações empresariais. José Eduardo Carvalho está também preocupado com a produtividade.
A falta de trabalhadores tem-se agravado na indústria?
A disponibilidade de mão de obra, sobretudo a de qualificação mais adequada, continua a ser uma das maiores limitações ao crescimento da indústria portuguesa. No entanto, a AIP entende que este problema não pode ser analisado de forma isolada. Ele resulta de um conjunto de fatores estruturais, entre os quais o envelhecimento da população, a redução da população ativa, a emigração de trabalhadores qualificados, o desajustamento entre a formação e as necessidades das empresas e um enquadramento económico que continua a penalizar o investimento e a criação de emprego. Portugal enfrenta hoje um problema de competitividade. Se queremos uma indústria mais forte, mais inovadora e capaz de pagar melhores salários, é indispensável criar condições para aumentar a produtividade das empresas, reduzir os custos de contexto e adotar políticas públicas que favoreçam o investimento.
Quantas vagas há atualmente por preencher no setor?
Não existe um levantamento rigoroso para o conjunto da indústria. O contacto permanente da AIP com as empresas permite, contudo, concluir que existem milhares de postos de trabalho por preencher, muitos dos quais permanecem vagos durante vários meses. Tão relevante como o número absoluto é o impacto económico desta realidade.
A escassez de trabalhadores limita o crescimento?
Sem dúvida. Existem empresas que têm capacidade instalada, encomendas e mercados, mas que não conseguem crescer porque não encontram os recursos humanos necessários. A escassez de recursos humanos limita o investimento, reduz a capacidade produtiva, atrasa projetos de expansão e condiciona o crescimento das exportações. Mas o verdadeiro risco é mais profundo. Se Portugal não conseguir aumentar a produtividade e criar um ambiente mais competitivo para as empresas, perderá capacidade para atrair investimento industrial e continuará a assistir à deslocalização de atividades e de talento.
Qual o volume de negócios que deixa de ser gerado por falta de pessoal?
Não existe uma estimativa consolidada. O que sabemos é que muitas empresas deixam de aceitar encomendas, adiam investimentos ou operam abaixo da sua capacidade por falta de trabalhadores. Essa perda de produção representa igualmente uma perda de riqueza para o país.
A principal dificuldade está
na falta de candidatos ou nas competências e experiência?
As duas situações coexistem. A escassez de mão de obra com menos requisitos de qualificações é mais fácil de ser suprida com recurso à imigração. Em contraponto, existem situações de profissões para as quais praticamente deixaram de existir candidatos e outras em que o principal problema reside na falta de qualificações adequadas. A indústria portuguesa está hoje muito mais tecnológica, mais automatizada e mais digital. Isso significa que as necessidades das empresas evoluíram profundamente. É essencial reforçar o ensino profissional, aproximar a formação das necessidades da economia e criar um quadro laboral que permita uma maior adaptação às novas formas de organização do trabalho.
Têm aumentado os salários para atrair trabalhadores?
As empresas têm vindo a fazer um esforço para melhorar as remunerações e as condições de trabalho, mas a AIP tem defendido que esta discussão deve ser colocada nos termos corretos. Portugal precisa de salários mais elevados, mas esses salários têm de resultar de empresas mais produtivas e mais competitivas. Não existe crescimento sustentado dos salários sem crescimento da produtividade. É igualmente indispensável rever a fiscalidade sobre o trabalho.
A “via verde” para imigrantes cumpre as expectativas?
O défice demográfico que Portugal enfrenta faz da imigração económica uma componente indispensável da resposta às necessidades das empresas. A AIP integra o protocolo da “via verde” para a imigração e considera que é uma das medidas mais relevantes dos últimos anos para responder à escassez de mão de obra. Os resultados demonstram-no claramente: apenas através da AIP encontram-se em tramitação processos de cerca de 5.000 trabalhadores. A experiência tem sido positiva. Naturalmente, existe sempre margem para acelerar procedimentos administrativos, mas demonstra que é possível construir soluções eficazes quando existe colaboração entre o Estado e as associações empresariais.