
Os combustíveis vão voltar votar a ter um comportamento diferenciado na próxima semana. O gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, deverá subir cinco cêntimos e a gasolina deverá descer cinco cêntimos, avançou ao ECO fonte do mercado.
“Esta é mais uma semana em que é bem claro que as cotações do gasóleo e da gasolina seguem dinâmicas próprias, e não se limitam a seguir o Brent”, acrescenta a mesma fonte, frisando que “as cotações estão extremamente voláteis”.
Estas tendências ainda podem sofrer alterações para ter em conta o fecho das cotações do Brent esta sexta-feira e o comportamento do mercado cambial. Mas, para saber quanto vai pagar na bomba segunda-feira quando for abastecer, é necessário esperar pela publicação de uma nova portaria com o desconto temporário e extraordinário do ISP a vigorar na próxima semana. “A determinação do preço só será feita no final do dia, embora as variações em relação a esta perspetiva, se ocorrerem, serão pequenas”, sublinhou a mesma fonte ao ECO.
O Executivo estabeleceu o limiar nos dez cêntimos de subida, para apoiar os combustíveis. De sublinhar que o aumento de dez cêntimos é contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então o gasóleo regista um aumento acumulado de 47,4 cêntimos e a gasolina de 39 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.
Esta semana, inicialmente, a expectativa era de que os preços do diesel iriam disparar 15 cêntimos, enquanto os da gasolina arriscavam um aumento de 12 cêntimos por litro, de acordo com as estimativas avançadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP). Mas com a atualização do apoio do Governo, as cotações finais da matéria-prima e o comportamento do mercado cambial, afinal o diesel, o combustível mais usado em Portugal, subiu 7,5 cêntimos, depois da redução de 3,7 cêntimos da semana anterior, e a gasolina subiu oito cêntimos (tinha subido 2,7 cêntimos na última semana de agosto) — o maior aumento desde 20 de julho no caso do gasóleo. Mas na gasolina a escalada é a maior em mais de três anos.
O forte aumento dos preços dos combustíveis na bomba levou o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro a acusar o Governo de estar a ganhar dinheiro com a subida dos combustíveis. Uma declaração desmentida pela ministra do Ambiente, em conferência de imprensa, segunda-feira, que garantiu que o “Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis”. Maria da Graça Carvalho sublinhou que a diferença de preços que Portugal tem face a Espanha é idêntica à que Espanha tem relativamente a França, depois de Carneiro ter ido até Tui, no país vizinho para visitar um posto de combustível e sublinhar que o país está a perder competitividade em relação a Espanha devido à diferença do preço da gasolina e do gasóleo.
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Tendo em conta que os aumentos dos combustíveis parecem por vezes desfasados da evolução da cotação da matéria-prima, o Executivo pediu à Entidade Nacional para o Setor Energético que analisasse os movimentos dos preços por não ver justificação para que os preços dos combustíveis demorem mais a descer do que a subir. A ERSE afastou a tese de que as subidas nos preços dos combustíveis sejam rápidas e as descidas mais lentas, pelo menos de forma “persistente”. Contudo, detetou “diferenças temporárias”, em particular no gasóleo.
O Governo recusa fixar os preços dos combustíveis e apesar de não lucrar com a subida, dado o mecanismo de devolução do ISP correspondente ao aumento do IVA, a redução de apoios aos combustíveis que o Governo foi levando a cabo nos últimos dois anos, permitiram ganhar uma folga de 804 milhões de euros, exatamente o custo do novo bónus das pensões e a descida de IRS anunciada pelo Executivo esta semana, tal como avança o Expresso.
Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, estão esta sexta-feira a descer 3,42%, para os 104,12 dólares por barril, um movimento que os analistas interpretam como uma provável correção técnica, mas caminha para fechar a semana com uma subida de 10% — a mais significativa desde 17 de julho —, já que a escalada do conflito entre os EUA e o Irão alimentou preocupações quanto a perturbações prolongadas no abastecimento energético global. Esta manhã o agravamento da situação levaram as cotações do Brent a tocarem quase os 110 dólares por barril.
Altos responsáveis norte-americanos terão alertado o Presidente Donald Trump de que a guerra poderia prolongar-se até ao final do seu mandato, que termina em janeiro de 2029. Os líderes iranianos estarão determinados a continuar a lutar, apesar dos custos crescentes, encarando o conflito como uma ameaça existencial. As agências noticiosas avançam que Teerão terá conseguido reconstruir as suas capacidades em matéria de mísseis e poderá intensificar os ataques contra alvos norte-americanos e do Golfo, caso Washington intensifique os seus próprios ataques.




