
Esta segunda-feira é esperado um dia de liquidez reduzida sem Wall Street, mas com a Europa a ter de absorver sozinha o nervosismo das obrigações e do petróleo.
Com Wall Street fechada, nas bolsas da Europa o volume será mais baixo, o que pode amplificar movimentos. Os setores energético e defesa devem ficar em destaque.
O verdadeiro teste chega na quinta-feira, com a inflação americana. Até lá, defesa, energia e ouro devem continuar como refúgios.
A semana começa sob o signo do BCE que na próxima semana vai reunir-se e deverá anunciar a subida de juros diretores.
A subida dos juros torna o crédito mais caro para as empresas e famílias, o que tende a abrandar a economia e, consequentemente, a pressionar as bolsas em baixa. Toda a atenção dos investidores está focada em perceber quão agressivo será este aumento e quais serão os próximos passos da política monetária europeia para combater a inflação.
A inflação da zona euro em agosto acima de 3% e o Bund alemão a 10 anos no nível mais alto desde 2011 deixam o BCE numa posição difícil. O mercado dá como quase certo um aumento de 25 pb já na reunião de 10 de setembro.
Por outro lado, com o fornecimento do Qatar interrompido pela guerra no Irão, a Europa entra no outono com preços de gás em backwardation – preços de curto prazo acima dos de inverno – o que aumenta o risco de racionamento.
A nível macro, o Ifo reviu em alta o crescimento alemão para 1,4% em 2026, mas o gás no benchmark europeu está em máximos de 3 anos e meio com stocks no mínimo histórico para a época, o que pesa sobre a indústria.
Na passada sexta-feira a maioria dos principais índices de ações europeus encerrou em alta, com bom desempenho nos setores cíclicos, nomeadamente no Tecnológico e no Automóvel, onde a Volkswagen disparou 6,6%, depois do conselho de supervisão ter aprovado uma reestruturação que prevê o corte de postos de trabalho e uma redução da presença industrial.
Os investidores na Europa acabaram por assimilar bem a indicação de que a economia norte-americana gerou um número surpreendente de postos de trabalho em agosto, sugerindo que o mercado laboral está mais robusto e dinâmico do que se pensava anteriormente. “A comunicação amplia receios de que desta forma será mais difícil a fazer recuar a inflação para a meta dos 2% ao ano pretendida pela Fed, o que pode tornar o Banco Central mais agressivo em movimentos de subida de taxas de juro”, destacaram os analistas da MTrader. O PSI contrariou a tendência, pressionado por correções de pesos pesados como Galp, CTT, NOS e EDPR.
Esta segunda-feira a bolsa de Nova Iorque estará encerrada devido a feriado nos EUA (Dia do Trabalhador).
“Setembro é o pior mês historicamente, e por uma larga margem. Especialmente em anos de eleições de meio de mandato, esse tende a ser o momento em que a ansiedade política começa a pesar”, alertam estrategas citados pela Reuters.
Depois de um relatório de emprego forte em julho, os mercados voltaram a precificar uma subida da Fed em setembro. A probabilidade está agora entre 66% e 70,2% para uma subida de 25 pontos-base para 3,75%-4,00% a 16 de setembro, contra 39,6% há uma semana.
Obrigações soberanas: Sell-off global não dá trégua
A liquidação domina os mercados de títulos dos EUA ao Japão com preocupações orçamentais e com a inflação.
Nos EUA, o titulo de dívida a 10 anos chegou ao máximo desde 2023 na quarta-feira, negociando em torno de 4,765%, enquanto o 2 anos está nos 4,362%. Os juros caíram ligeiramente no fim da semana depois de comentários dovish de John Williams da Fed de Nova Iorque, que disse não ver urgência em subir juros, mas a tendência de fundo mantém-se.
O movimento é global: no Japão o 10 anos está perto de 3%, máximo em três décadas; a Bund alemã atingiu uma yield que é o máximo desde 2011; e o OAT francês está em máximos desde 2009. O mercado está a precificar mais dívida para financiar guerra e défices.
O petróleo é o grande catalisador do momento. A marcar o preço estará o ataque das forças dos EUA a três petroleiros iranianos neste sábado, incluindo um ao largo da costa da ilha de Kharg, próxima ao principal hub de exportação de petróleo do Irã, informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM), em mais uma escalada do conflito e uma nova ameaça ao transporte marítimo e ao fluxo de petróleo bruto no Golfo Pérsico. O Comando Central afirmou que os ataques foram realizados após o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) lançar mísseis balísticos contra dois navios da Marinha dos EUA.
A troca de ataques ocorre após uma escalada ao longo da última semana que ameaça aprofundar um conflito que se arrasta desde que os EUA lançaram ataques contra o Irão em fevereiro, perturbando o abastecimento global de energia e gerando oposição da maioria dos americanos na véspera das eleições parlamentares de novembro.
A aliança OPEP+, liderada pela Arábia Saudita e pela Rússia, avaliou este domingo se a situação alterada do mercado petrolífero exige novos ajustes na oferta A aliança liderada pela Rússia e pela Arábia Saudita, vai manter a oferta de petróleo em outubro, depois de meses de aumentos, enquanto se mantém uma negociação para distribuir as quotas de produção entre os 21 membros.
A mais recente fase do plano consistiu no aumento de 188 mil barris por dia, acordado há um mês e que entrou em vigor a 1 de setembro.
A decisão sobre a produção em outubro foi tomada numa conferência realizada por meios digitais entre os ministros do setor da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã, segundo um comunicado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com sede em Viena.
Ao mesmo tempo, continuam em vigor até ao final do ano as reduções obrigatórias na produção de todos os membros da aliança, com exceção do Irão, Líbia e Venezuela. A próxima reunião para avaliar o mercado vai ocorrer a 4 de outubro.
Vários dos 21 membros da aliança OPEP+, que junta 11 Estados-membros e outras dez nações produtoras de petróleo, continuam a enfrentar problemas devido a interrupções no tráfego de petroleiros no estreito de Ormuz e no mar Vermelho e aos ataques ucranianos a instalações petrolíferas russas.
O risco geopolítico disparou o preço de petróleo curto prazo. Com meses de guerra EUA-Irão, a capacidade da OPEP+ de controlar preços diminuiu. Na semana passada o WTI voltou aos 90 dólares com novos ataques americanos e o Brent saltou para 92,07 dólares, depois de o Irão ameaçar impedir exportações do Golfo.
A Guerra EUA-Irão entra no 7º mês sem fim à vista. O conflito já baralha cadeias de abastecimento e foi citado pela Reuters como fator que alimenta apostas de subida de juros pelos bancos centrais europeus. Washington descartou estender o cessar-fogo e Teerão fala em postura “totalmente ofensiva”.
O Irão prometeu este domingo combater as sanções paralisantes dos EUA, ao mesmo tempo que ameaçou com uma “resposta dolorosa” a qualquer agressão adicional. Seis meses após os ataques iniciais entre os EUA e Israel, o conflito continua num impasse, uma vez que os esforços diplomáticos de paz estão paralisados após o colapso do cessar-fogo de junho.
Noutra frente geopolítica, o Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou hoje a suspensão, por três dias, dos ataques contra a capital ucraniana, por ocasião da viagem a Moscovo e a Kiev dos emissários da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner. Isto depois de Volodymyr Zelensky, ter ordenado a suspensão dos ataques contra a Rússia, devido à visita dos enviados dos Estados Unidos, neste fim de semana, às capitais russa e ucraniana.
O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro de Donald Trump, visitam a Rússia e a Ucrânia para apresentar uma proposta para pôr fim à guerra na Ucrânia, disse o Presidente norte-americano aos jornalistas na sexta-feira.
Os enviados especiais de Donald Trump — Steve Witkoff e Jared Kushner — realizaram uma ronda diplomática intensiva de fim de semana para impulsionar um acordo que termine a guerra Rússia-Ucrânia (agora no quinto ano da invasão em larga escala). Foi a oitava visita da dupla a Moscovo e a primeira a Kiev desde o início da guerra. Mas para já nem breakthrough nem cessar-fogo alargado.
P tom otimista dos EUA e trégua nas capitais reduzem risco de escalada imediata. Ausência de avanço tangível e manutenção das red lines de ambos os lados da guerra, limitam impacto do proposta de paz. Próximo catalisador poderá ser um eventual anúncio de reuniões trilaterais, podem-se conhecer detalhes dos “planos substantivos” nas próximas semanas.
Kushner sublinhou as conversas construtivas e frisou que objetivo dos Estados Unidos é uma paz duradoura e não só fim da guerra.




