Les trotinettes électriques partagées, qui se sont rapidement répandues dans les centres urbains comme alternative de transport, font désormais face à des restrictions croissantes au Portugal. Plusieurs municipalités reculent face aux plaintes concernant les accidents, le stationnement désordonné et l'occupation des trottoirs. Vila Nova de Gaia a annulé l'appel d'offres pour le service, Braga a approuvé la suspension en juin et Espinho a mis fin aux contrats fin juillet, tous citant des problèmes de sécurité et de désordre public.
À Porto, la mort d'une jeune femme dans un accident en avril a conduit la Municipalité à approuver une proposition pour étudier la sinistralité associée aux trotinettes. Lisbonne discute de nouvelles règles après que l'Automobile Club du Portugal a proposé un référendum municipal sur la fin des services partagés, tandis que Coimbra prépare un règlement spécifique après que la maire, Ana Abrunhosa, a déclaré que la ville « n'a pas les conditions » pour le modèle actuel.
Les entreprises Bolt, Lime et Bird contestent les interdictions, garantissant qu'elles ont adapté leurs opérations aux règles municipales et travaillé en partenariat avec Lisbonne et Porto. Les opérateurs reconnaissent le problème du stationnement inapproprié, mais identifient comme principales causes de sinistralité la conduite dangereuse, les défaillances des infrastructures et le manque de contrôle. Ils préconisent également la création de davantage d'espaces protégés et se déclarent prêts à co-investir avec les municipalités dans des zones de stationnement dédiées.
Selon les données de l'Autorité nationale de sécurité routière, en 2025, 4 296 accidents impliquant des véhicules légers, y compris des trotinettes, ont causé 28 décès. Mário Alves, de l'association Estrada Viva, considère que les trotinettes ne représentent pas un problème comparable
Durante vários anos, as trotinetes elétricas espalharam-se rapidamente pelos centros urbanos como uma alternativa de transporte para percursos curtos. Agora, as queixas relacionadas com acidentes, estacionamento desordenado e ocupação dos passeios estão a levar algumas autarquias a recuar.
Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho já decidiram acabar com os serviços de trotinetes e bicicletas partilhadas. Porto, Lisboa e Coimbra também estão a discutir novas regras ou a continuidade destas operações, segundo informação recolhida pela Lusa.
As decisões dizem respeito às trotinetes disponibilizadas por empresas através de aplicações. Não representam, por enquanto, uma proibição geral da utilização de trotinetes particulares.
Gaia, Braga e Espinho acabaram com os serviços
Em Vila Nova de Gaia, a autarquia decidiu cancelar o concurso destinado à disponibilização do serviço. A medida surgiu num contexto de maior preocupação com a utilização das trotinetes elétricas e com os acidentes associados.
Em Braga, a suspensão foi aprovada em junho. O presidente da Câmara, João Rodrigues, explicou que a intenção passa por “avaliar, repensar e regulamentar” a presença deste meio de transporte na cidade.
No final de julho, Espinho também terminou os serviços de bicicletas e trotinetes partilhadas. O município, liderado por Jorge Ratola, justificou a decisão com a desordem provocada pelos veículos e os efeitos na mobilidade e na segurança do espaço público.
Acidente no Porto voltou a levantar dúvidas
No Porto, a morte de uma jovem num acidente ocorrido em abril levou a Câmara Municipal a aprovar uma proposta para estudar a utilização das trotinetes elétricas e a sinistralidade associada. O serviço ainda não foi eliminado, mas a continuidade das operações passou a estar sob maior escrutínio. A autarquia pretende avaliar os riscos antes de decidir se mantém o modelo atual ou avança com novas restrições.
Lisboa poderá discutir o fim das trotinetes
Em Lisboa, o Automóvel Club de Portugal (ACP) propôs a realização de um referendo municipal sobre o fim das trotinetes partilhadas. A proposta colocou novamente o estacionamento indevido e a segurança rodoviária no centro do debate.
Já em Coimbra, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, considerou que a cidade “não tem condições” para receber trotinetes partilhadas no modelo atual. O município está a preparar um processo de concessão e um regulamento para definir as regras de utilização.
Bolt, Lime e Bird contestam proibições
As empresas Bolt, Lime e Bird garantiram à Lusa que têm adaptado as operações à evolução das regras municipais. Os três operadores apontaram Lisboa e Porto como exemplos de cidades onde têm trabalhado em conjunto com as autarquias.
Para as empresas, os principais problemas de segurança rodoviária estão relacionados com a condução perigosa, as falhas nas infraestruturas e a falta de fiscalização. Defendem, por isso, a criação de mais espaços protegidos para peões, bicicletas e trotinetes.
Estacionamento continua a provocar queixas
Os operadores reconhecem que as trotinetes deixadas de forma inadequada representam uma preocupação legítima. Para combater o problema, dizem utilizar fotografias obrigatórias no final das viagens, verificação através de inteligência artificial, avaliações dos utilizadores e penalizações.
Bolt, Lime e Bird consideram, contudo, que estas medidas não resolvem a falta de locais próprios para estacionamento. As empresas mostraram-se disponíveis para estudar modelos de coinvestimento com os municípios na criação desses espaços.
Dados incluem trotinetes e bicicletas
De acordo com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), em 2025 ocorreram 4.296 acidentes com velocípedes, categoria estatística que inclui as trotinetes. Esses acidentes provocaram 28 mortes.
No mesmo período, os sinistros envolvendo automóveis ligeiros, veículos pesados e motociclos chegaram aos 57.195 e causaram 352 mortes. Os números, citados pela Lusa, não indicam quem foi responsável pelos acidentes.
Mário Alves, da associação Estrada Viva, defende que as trotinetes não representam um problema comparável ao dos automóveis em matéria de sinistralidade. Ainda assim, a desordem nos passeios e os acidentes recentes estão a levar cada vez mais municípios a suspender os serviços ou a preparar regras mais apertadas.
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