Le désert d'Atacama, dans le nord du Chili, s'est retrouvé couvert d'un épais manteau de neige après le passage de deux tempêtes hivernales en août. Le phénomène a été enregistré par les satellites Landsat 8, Landsat 9 et Terra, qui ont capturé des images avant et après les chutes de neige. La comparaison montre la transformation du plateau de Chajnantor, qui est passé d'un paysage aride à une zone largement recouverte de blanc. La neige a avancé depuis la chaîne des Andes jusqu'aux zones proches de la côte Pacifique, au sud d'Antofagasta, incluant des régions où les précipitations sont extrêmement rares.
L'épisode a été qualifié de « tempête de neige historique » par le journal espagnol AS. Ce qui a rendu ce phénomène inhabituel, c'est la progression des précipitations vers l'ouest, sur des zones désertiques situées à des altitudes plus basses. Le plateau de Chajnantor, où est installé l'observatoire ALMA à environ cinq mille mètres d'altitude, a suspendu temporairement ses opérations et mis les antennes en mode de protection en raison de la neige intense et des vents forts.
La tempête de la seconde moitié d'août était associée à une dépression isolée en altitude, connue sous le nom de cut-off low, qui s'est formée à partir d'une vallée de basse pression de grande ampleur. Le phénomène El Niño n'a pas été présenté comme une cause directe, mais il a créé les conditions d'un hiver anormalement humide dans le centre et le nord du Chili, en affaiblissant l'anticyclone subtropical du Pacifique et en déplaçant vers le nord la trajectoire des tempêtes.
Dans les zones les plus proches du littoral, les précipitations se sont produites principalement sous forme de pluie, avec près de 40 millimètres accumulés en trois jours à Taltal, soit environ dix fois la moyenne annuelle. Les pluies intenses ont provoqué des crues soudaines et des coulées de boue, touchant des milliers de personnes et causant des dommages significatifs à des centaines de logements. Le désert d'Atacama avait déjà connu des épisodes similaires en 2025 et 2011, mais la chute de neige de 2026 s'est distinguée par l'étendue territoriale couverte.
O deserto do Atacama, no norte do Chile, ficou coberto por um extenso manto de neve depois da passagem de duas tempestades de inverno este mês de agosto. O episódio atingiu zonas onde a precipitação é extremamente rara e estendeu-se desde a cordilheira dos Andes até áreas próximas da costa do Pacífico, segundo imagens divulgadas pela NASA.
A dimensão do fenómeno foi registada pelos satélites Landsat 8, Landsat 9 e Terra. De acordo com o Observatório da Terra da NASA, uma das tempestades destacou-se pela extensão geográfica da queda de neve.
Satélites mostram deserto antes e depois da neve
Os satélites Landsat 8 e Landsat 9 captaram imagens da região nos dias 6 e 14 de agosto. A comparação permite observar a transformação do planalto de Chajnantor, que passou de uma paisagem castanha e árida para uma área amplamente coberta de branco.
Mais tarde, a 19 de agosto, o instrumento MODIS, instalado no satélite Terra, registou uma área ainda mais extensa. A neve avançava desde os Andes, atravessava o núcleo hiperárido do Atacama e aproximava-se da costa do Pacífico, a sul de Antofagasta.
Neve chegou a zonas onde raramente ocorre
A presença de neve nas áreas mais elevadas dos Andes não é desconhecida, apesar de ter sido apelidada de “nevão histórico” pelo jornal espanhol AS. O que tornou o episódio de 2026 pouco habitual foi a progressão da precipitação para oeste, sobre áreas desérticas situadas a altitudes mais baixas.
A combinação entre a extensão territorial e a chegada ao núcleo extremamente seco do deserto distinguiu este episódio de outras quedas de neve. Segundo a NASA, algumas das zonas atingidas registam precipitação apenas em situações meteorológicas muito específicas.
Observatório ALMA suspendeu as operações
O planalto de Chajnantor acolhe o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, conhecido pela sigla ALMA. Trata-se de um dos radiotelescópios mais potentes do mundo, instalado a cerca de cinco mil metros de altitude.
Perante a neve intensa e os ventos fortes, o observatório suspendeu temporariamente as operações e colocou as antenas em modo de proteção. Outros observatórios astronómicos instalados na região costeira também interromperam os trabalhos durante a passagem do mau tempo.
Sistema de baixa pressão esteve na origem do episódio
A tempestade da segunda metade de agosto esteve associada a uma depressão isolada em altitude, também conhecida como cut-off low. Estes sistemas desligam-se da corrente de jato e podem alcançar ocasionalmente o norte do Chile.
Neste caso, a depressão formou-se a partir de um vale de baixa pressão de dimensão pouco comum, que se prolongava desde o extremo sul da América do Sul até às regiões subtropicais. A presença de bastante humidade junto à costa permitiu que a precipitação abrangesse uma área muito extensa.
El Niño criou um contexto mais favorável à precipitação
O fenómeno El Niño não foi apresentado como a causa direta e única da queda de neve. Segundo o cientista atmosférico René Garreaud, citado pela NASA, o seu fortalecimento criou o contexto para um inverno anormalmente húmido no centro e norte do Chile.
Durante episódios de El Niño, o anticiclone subtropical do Pacífico tende a enfraquecer. Esta alteração pode deslocar para norte a trajetória habitual das tempestades no hemisfério sul, aumentando a probabilidade de precipitação em regiões normalmente muito secas.
Atacama também registou neve em 2025 e 2011
Apesar da raridade do acontecimento, esta não foi a primeira vez que o deserto do Atacama ficou coberto de neve. A NASA recorda a ocorrência de episódios semelhantes em 2025 e, anteriormente, em 2011.
A queda de neve de 2026 distinguiu-se sobretudo pelo alcance. A segunda tempestade atravessou uma grande parte do deserto e deixou neve em locais consideravelmente afastados das zonas montanhosas onde o fenómeno ocorre com maior frequência.
Nem toda a precipitação caiu sob a forma de neve
Nas áreas mais próximas do litoral, a precipitação ocorreu principalmente sob a forma de chuva. Em Taltal foram acumulados quase 40 milímetros em três dias, um valor que corresponde a aproximadamente dez vezes a média anual daquela localidade.
A chuva intensa provocou enxurradas e fluxos de lama em diferentes pontos do norte do Chile. Segundo os dados citados pela NASA, milhares de pessoas foram afetadas e centenas de habitações sofreram danos significativos.
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