L'article « Vacances : le temps d'être enfant », écrit par la pédiatre Natalia Oviedo Ramirez de l'Hôpital CUF Viseu et publié dans le Jornal do Centro, aborde la question de comment mieux profiter des vacances scolaires d'été. L'auteure défend que le plus beau cadeau que les parents peuvent faire à leurs enfants n'est pas des activités structurées ou des colonies de vacances, mais simplement du temps pour jouer librement, inventer des jeux, lire par plaisir et discuter en famille.
L'auteure soutient que nous vivons dans une époque qui valorise l'occupation permanente, comme si chaque heure devait être utile et chaque expérience devait enseigner quelque chose. Cependant, jouer n'est pas une pause dans l'apprentissage, mais une des formes les plus importantes d'apprendre. Dans sa pratique clinique, elle constate que les enfants parlent rarement des fiches de vacances qu'ils ont complétées, mais se souviennent d'expériences comme la première plonge sans flotteurs ou la nuit à compter les étoiles.
Les principales Sociétés de Pédiatrie recommandent que le développement de l'enfant dépend de la qualité des relations, de la possibilité de jouer librement, d'un sommeil adéquat, de l'activité physique, du contact avec la nature et d'une utilisation équilibrée des écrans. L'auteure souligne également que l'ennui peut se transformer en un exercice de créativité, d'autonomie et d'imagination.
L'article se termine par une réflexion sur la nécessité d'être véritablement présent pendant les vacances, se demandant si nous créons des souvenirs ou simplement du contenu pour nos téléphones portables. L'auteure conclut que c'est dans les souvenirs simples que se construit l'enfance et qu'il existe des apprentissages qui ne trouvent pas leur place dans une salle de classe.
Todos os verões, há uma pergunta que regressa à consulta: «Como podemos aproveitar melhor as férias?» A resposta nem sempre corresponde ao que os pais esperam ouvir. O maior presente que podemos oferecer às crianças, durante o verão, talvez não seja mais uma atividade, a inscrição num novo campo de férias ou uma agenda cuidadosamente preenchida. Talvez seja, simplesmente, tempo.
Tempo para brincar sem objetivos. Para inventar jogos. Para construir uma tenda com lençóis. Para andar de bicicleta. Para ler um livro só porque apetece e não porque é obrigatório. Tempo para conversar à mesa, visitar os avós, descobrir um trilho na natureza ou simplesmente observar as nuvens, sem olhar constantemente para o relógio.
Vivemos numa época em que se valoriza a ocupação permanente e até a infância parece estar submetida a essa lógica. Como se cada hora tivesse de ser útil e cada experiência tivesse obrigatoriamente de ensinar alguma coisa. Esquecemo-nos, por vezes, de uma ideia simples: brincar não é um intervalo da aprendizagem. É uma das formas mais importantes de aprender.
Ao longo dos anos, a prática clínica ensinou-me uma coisa: raramente uma criança me fala das fichas de férias que completou. Fala-me do cão que conheceu na aldeia, do primeiro mergulho sem braçadeiras, da bicicleta sem rodinhas ou da noite em que ficou a contar estrelas. São essas as memórias que ocupam um lugar especial na infância. E que permanecerão, passados muitos anos.
Talvez por isso não exista um verão perfeito. E ainda bem. Sabemos hoje – e as recomendações das principais Sociedades de Pediatria convergem nesta ideia –, que o desenvolvimento infantil depende da qualidade das relações, da possibilidade de brincar livremente, do sono adequado, da atividade física, do contacto com a natureza e de uma utilização equilibrada dos ecrãs. Até o aborrecimento, tantas vezes encarado como um problema, pode transformar-se num extraordinário exercício de criatividade, autonomia e imaginação.
As férias não são uma pausa no desenvolvimento. São uma forma diferente de crescer. Neste contexto, vale a pena uma reflexão: a infância precisa de menos fotografias e de mais memórias. Muitas vezes, vivemos as férias através do telemóvel, preocupados em registar cada momento. Mas será que estamos a criar memórias ou apenas conteúdo? As fotografias guardam instantes, mas não substituem a experiência de estar verdadeiramente presente. O desafio é simples: fotografar um pouco menos e viver um pouco mais. Sem complicar.
É nas memórias simples que se constrói a infância. E há aprendizagens que não cabem numa sala de aula. O verão é uma delas.
Natalia Oviedo Ramirez, pediatra no Hospital CUF Viseu
The post Férias: tempo para ser criança first appeared on Jornal do Centro.