Le Pape Léon, dans l'encyclique 'Magnifica Humanitas', consacre le IIIe Chapitre à la relation entre la grandeur de la personne humaine et les promesses de l'Intelligence Artificielle, analysant le paradigme technocratique dans le monde globalisé, où prédominent les logiques d'efficacité, de domination et de profit. Le Pape rappelle que 'plus puissant ne signifie pas nécessairement mieux' et évoque Paul VI, qui défendait que les progrès scientifiques et le développement économique, 's'ils ne sont pas unis à un progrès social et moral
LUSOFONIAS – A 'Magnifica Humanitas' – les promesses de l'Intelligence Artificielle – III
Tony Neves, em Fátima
O Papa Leão, no III Capítulo da encíclica ‘Magnifica Humanitas’ põe a grandeza da pessoa humana em confronto com as promessas da Inteligência Artificial. Analisa o paradigma tecnocrático neste nosso mundo globalizado, em que vencem as lógicas perversas da eficiência, do domínio e do lucro (cf nº92). O Papa lembra que ‘mais poderoso não significa necessariamente melhor’ (nº93). Já o Papa Paulo VI defendia que os progressos científicos, as invenções técnicas e o desenvolvimento económico ‘se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se, necessariamente, contra o homem’ (nº94). Também há que evitar o risco da concentração na mão de poucos do poder, em contexto digital, que vem do ‘controle das plataformas, das infraestruturas, dos dados e da capacidade de computação’ (nº95).
A conclusão que o Papa partilha é: ‘ante esta concentração de poder no mundo digital, os grandes princípios da DSI tornam-se critérios para avaliar e discernir o novo cenário: a dignidade inalienável da pessoa, o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social’ (nº96). E, para Leão XIV é obvio: ‘as ditas inteligências artificiais não vivem uma experiência, não possuem um corpo, não passam pela alegria e pela dor, não amadurecem nas relações, não conhecem internamente o que significa o amor, trabalho, amizade, responsabilidade. Nem sequer possuem uma consciência moral: não julgam o bem e o mal, não captam o sentido último das situações, não assumem sobre si o peso das consequências’ (nº99). Mas – há que reconhecer – a IA é uma ajuda preciosa, mas não é moralmente neutra e requer atenção. Também é importante olhar para a perspetiva ecológica: ‘é essencial desenvolver soluções tecnológicas mais sustentáveis para reduzir o impacto ambiental e cuidar da nossa Casa comum’ (º101).
Temos que saber a quem pedir contas dos efeitos da utilização da IA. Há cautelas a ter: ‘pequenos grupos muito influentes podem orientar a informação e o consumo, condicionar processos democráticos e incidir sobre dinâmicas económicas em seu próprio benefício, contrariando a justiça social e a solidariedade entre os povos’ (nº108). E ‘falar de destinação universal dos bens significa encontrar formas de garantir o acesso universal às tecnologias e à formação’ (nº109).
O verbo mais forte é ‘desarmar’: ‘desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também económica e cognitiva(…). Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar’. Em conclusão: ‘a IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regula-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora’ (nº110).
O Papa alerta para o risco da exposição a lógicas de domínio e exclusão, defendendo que ‘a qualidade de uma civilização não se mede pelo poder dos seus meios, mas pelo cuidado que sabe oferecer, pela capacidade de reconhecer o outro enquanto pessoa e não enquanto função’ (nº114).
Há que valorizar a cultura e a arte, ‘quando autênticas, impedem a normalização do mal. Assim, algumas obras assumiram um valor quase profético: a Nona Sinfonia de Beethoven, enquanto desejo de unidade; o quadro da Guernica, enquanto denúncia da desumanização; o filme A Lista de Schindler, enquanto convite a não deixar cair o passado no esquecimento’ (nº122).
Depois de apresentar bons exemplos de pessoas e instituições, diz Leão XIV: ‘é precisamente esta interconexão de instituições justas, testemunhos fidedignos e fidelidades quotidianas, que mantém viva a esperança e indica uma direção: permitir o crescimento da técnica sem deixar regredir o coração’ (nº126).
O humanismo cristão não rejeita a ciência e a técnica: ‘é um amor que nos guia: o que, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, amamos verdadeiramente orienta nossas vidas e ações’. Conclui o Papa: ‘a era da IA não escapa a esta regra: a construção de Babel ou a de Jerusalém começa em cada um de nós’ (n130).
O IV Capítulo abordará outro tema quente: salvaguardar o humano na transformação. Verdade, trabalho e liberdade.
Tony Neves, em Fátima
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