La deuxième édition des Jeux mondiaux de robots humanoïdes s'est déroulée du 22 au 26 août au National Speed Skating Oval, le « Ice Ribbon », à Beijing, l'enceinte utilisée pour les Jeux Olympiques d'Hiver de 2022. L'événement a rassemblé 2 056 robots appartenant à 666 équipes de 16 pays, participant à 51 épreuves et 1 301 compétitions, l'écrasante majorité des robots étant chinois. La compétition comprenait des épreuves de vitesse, de saut, de football, de tennis de table, de boxe's, d'arts martiaux, de danse et d'haltérophilie, ainsi que 21 défis basés sur des scénarios, dont 40 % nécessitaient un fonctionnement autonome.
Le Tiangong Ultra, un robot humanoïde rouge sans tête développé par le Beijing Humanoid Robot Innovation Center, est devenu le grand protagoniste en battant quatre records du monde humains. Sur 100 mètres, il a réalisé 8,64 secondes, dépassant les 9,58 secondes de Usain Bolt. Sur 400 mètres, il a fait 38,15 secondes contre les 43,03 de Wayde van Niekerk. Sur 1 500 mètres, il a atteint le temps de 2 minutes et 21,63 secondes, bien en dessous des 3 minutes et 26 secondes de Hicham El Guerrouj. Au saut sans élan, il a atteint 2,88 mètres, surpassant les 2,45 mètres du record humain de Javier Sotomayor.
Les humains ont pris leur revanche au saut en longueur, où le robot Tianjiao a atteint 7,97 mètres, mais est resté en dessous des 8,95 mètres du record du monde de Mike Powell, établi en 1991. L'événement a également offert des moments cocasses, avec des robots tombant lors de combats de boxe's et perdant l'équilibre lors d

Berlim, 1936, Jesse Owens, norte-americano, negro, vence a prova de 100 metros, a seguir a de 200, a estafeta por 4×100 e o salto em comprimento. Foi o herói dos Jogos Olímpicos. Adolf Hitler deixa a tribuna para não ter de o cumprimentar.
Los Angeles, 1986, Carl Lewis corre em casa. Vence os 100 metros, os 200 metros, a estafeta 4×100 metros e, sobretudo, o salto em comprimento. É a cara dos jogos.
Shenzhen, 2026. Tiangong Ultra, um robô humanoide vermelho sem cabeça faz manchetes na China ao quebrar o recorde de Bolt nos 100 metros, o corredor mais rápido do mundo. Além disso, superou os tempos de outros recordistas nos 400 metros, 1500 metros e no salto em comprimento parado.
Foram homens que transformaram a ideia dos limites humanos. Agora, em Pequim, são as máquinas que querem reescrevê-la ao baterem os recordes mundiais dos humanos.
A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (World Humanoid Robot Games) aconteceu entre 22 e 26 de agosto, no National Speed Skating Oval, o “Ice Ribbon”, em Pequim, no recinto utilizado nos jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Um evento que parece ainda pertencer ao território da ficção científica, mas que já dá pistas para o que nos espera no futuro. Dentro e fora de campo.
Mas quais foram exatamente os tempos e as diferenças? “Tiangong Ultra atingiu 9,39 segundos na competição e 8,86 nas meias-finais, terminando, no entanto com o recorde de 8,64 segundos”, divulgou a Reuters, fazendo assim história nos 100 metros ao correr mais rápido do que Usain Bolt. Recorde-se que este atingiu aquela distância em 9,58 segundos durante a final dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, em Berlim. Uma marca que continua a ser referência mundial da velocidade.
Também no salto, Tiangong Ultra alcançou 2,88 metros a partir da posição parada, superando os 2,45 metros do recorde mundial humano de Javier Sotomayor. Porém, a comparação tem uma ressalva: a prova robótica tinha regras próprias e não corresponde exatamente ao salto em altura olímpico.
Mas há mais vitorias. Nos 400 metros, o Tiangong fez 38,15 segundos, contra os 43,03 segundos do recorde mundial de Wayde van Niekerk, estabelecido nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E nos 1.500 metros, a televisão estatal chinesa, afiança que um robô da equipa do Tianzhuo conquistou a medalha de ouro com 2 minutos e 21,63 segundos, muito abaixo dos 3 minutos e 26 segundos do marroquino Hicham El Guerrouj, recordista mundial desde 1998.
A desforra dos humanos
Apesar de terem ficado conhecidos como as “Olimpíadas dos Robôs”, estes Jogos não tiveram qualquer relação com o Comité Olímpico Internacional. Foram uma competição internacional dedicada aos robôs humanoides, para testar velocidade, força, equilíbrio, manipulação de objectos e autonomia. Segundo o portal oficial de Pequim, a edição de 2026 incluiu 30 provas competitivas e 21 desafios baseados em cenários.
E foram muitos os concorrentes: 2.056 robôs, pertencentes a 666 equipas de 16 países, participaram em 51 eventos e 1.301 competições. A esmagadora maioria era chinesa: 1.975 robôs.
Porém, no salto em comprimento, os humanos tiveram a revanche. O Tianjiao chegou aos 7,97 metros, mas ficou aquém dos 8,95 metros do norte-americano Mike Powell, recorde mundial desde 1991. O resultado foi divulgado pela CCTV, emissora estatal chinesa.
Nem tudo foi velocidade
A competição incluiu futebol, ténis de mesa, boxe, artes marciais, dança, levantamento de pesos e luta de tracção. Mas uma das características mais importantes desta edição foi o peso dado aos desafios práticos.
O portal oficial de Pequim confirma 21 desafios baseados em cenários, incluindo emergência, hotelaria e operações de precisão. De salientar que 40% dos mesmos exigiam que os robôs funcionassem de forma autónoma. Estes tiveram de enfrentar tarefas inspiradas em ambientes industriais e de serviços (veja caixa 21 desafios baseados em cenários que representam a vida real).
No futebol, as equipas passaram a ter cinco robôs, obrigando as máquinas a melhorar a percepção espacial e a capacidade de trabalhar em equipa, apesar de terem havido alguns “desencontros” em campo. No entanto, um dos robôs conseguiu marcar um golo de livre, celebrando com o famoso “Siuuu” do Cristiano Ronaldo. A bola não era empurrada por uma máquina: tinham de a ver, aproximar-se, equilibrar-se e rematar.
Os fabricantes destes robôs
Os grandes fabricantes chineses. Além do Tiangong, desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center, participaram máquinas de empresas como Unitree, UBTECH, Fourier Intelligence, AgiBot, Leju Robotics, Galbot e RobotEra. A Unitree, por exemplo, levou modelos para as provas de velocidade e futebol, enquanto a UBTECH desenvolve robôs destinados à indústria e aos serviços. A diversidade de fabricantes mostra que a competição já não é apenas sobre construir um robô que consiga andar: é sobre criar máquinas que consigam ver, decidir, agir e aprender num ambiente concebido para humanos.
E foi precisamente aí que apareceram algumas das melhores imagens dos Jogos. Enquanto o Tiangong Ultra corria mais depressa do que Usain Bolt, outros robôs revelavam dificuldades bem mais básicas. Alguns caíram, outros tiveram problemas para travar e houve máquinas que perderam o equilíbrio em provas de força.
A ironia é quase perfeita: a máquina já consegue correr mais depressa do que o homem mais rápido do mundo, mas ainda está a aprender a lidar com um peso que não coopera. Um dos robôs caiu num combate de boxe e ficou junto às cordas, tendo de ser ajudado por humanos. Oque segundo a imprensa chinesa criou um momento caricato, uma vez que aproximou o humanoide do que poderia acontecer a um desportista em campo. Outro perdeu o equilíbrio na prova de levantamento de pesos caindo sobre a mesa dos juízes e teve de ser levado por uma maca.
É por isso que os recordes de Pequim devem ser vistos com cautela. Um robô não é um atleta humano: não tem músculos, pulmões ou metabolismo e pode ser construído especificamente para maximizar determinada capacidade. Os resultados não são novos recordes oficiais do atletismo mundial. O que os números mostram é outra coisa: a velocidade com que a tecnologia está a evoluir.
Em 2025, o Tiangong tinha feito os 100 metros em 21,50 segundos. Um ano depois, chegou aos 8,64 segundos. O que prova que a verdadeira competição joga-se nas fábricas.
A mensagem de Pequim
Um robô que corre os 100 metros em menos de nove segundos é uma extraordinária demonstração de engenharia. Mas uma máquina capaz de trabalhar durante horas, transportar materiais, combater incêndios, reconhecer um problema, decidir o que fazer e adaptar-se a uma situação imprevista terá um impacto económico muito maior. É essa passagem da demonstração tecnológica para a aplicação industrial e quotidiana que está no centro da aposta chinesa na robótica humanoide, segundo a Reuters.
Foi essa a mensagem mais importante dos Jogos de Pequim. Os robôs já vencem os humanos em algumas capacidades físicas muito específicas. Ainda não conseguem, porém, fazer aquilo em que os humanos continuam particularmente bons: adaptar-se ao inesperado. Além disso, a sensibilidade das mãos humanas para determinadas tarefas ainda é imbatível.
Bolt perdeu para uma máquina, mas os humanos continuam a ganhar a prova que verdadeiramente interessa: perceber o que fazer quando as regras mudam. E essa, ao contrário dos 100 metros, ainda não tem recorde mundial. Os robôs já conseguem saltar e correr como os campeões olímpicos, agora falta saber se conseguem trabalhar como os humanos.