De Central Park à Louis Vuitton, la marque de Yayoi Kusama au-delà des pois (1929-2026)
Eco27 août 2026 à 22:21
L'artiste japonaise Yayoi Kusama, connue comme la « Reine des Points », est décédée à 97 ans le 14 août 2026 dans un hôpital de Tokyo, selon un communiqué de son entreprise. Née en 1929 dans une famille aisée de commerçants, elle a souffert d'hallucinations et de trouble obsessionnel-compulsif avec des tendances suicidaires depuis l'enfance, ayant rapporté à plusieurs reprises avoir subi des abus physiques et psychologiques aux mains de sa mère. Le communiqué indique qu'elle « a continué à peindre jusqu'à ses derniers jours, ne lâchant jamais le pinceau ».
Kusama était une figure clé du psychédélisme et l
A artista japonesa Yayoi Kusama, conhecida como a “Rainha das Bolinhas”, morreu aos 97 anos no dia 14 de agosto, disse esta quinta-feira a sua empresa, em comunicado.
“É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento de Yayoi Kusama num hospital de Tóquio, no dia 14 de agosto de 2026, aos 97 anos”, refere o comunicado, sem fornecer mais informações sobre a causa da morte.
Conhecida como “Rainha das Bolinhas”, Kusama “continuou a pintar até aos seus últimos dias, nunca largando o pincel, e continuou a explorar o amor eterno e a alma imortal”, afirma a nota.
A artista japonesa Yayoi KusamaLusa
Nascida em 1929, a artista, reconhecido em todo o mundo pelos seus padrões às bolinhas e instalações imersivas, e pela sua peruca vermelha vibrante, inspirava-se nas alucinações que experimentava desde a infância para as suas obras.
Nascida numa família abastada de comerciantes, Kusama sofreu de alucinações e transtorno obsessivo-compulsivo com tendências suicidas desde a infância. Contou em várias ocasiões que durante esse período sofreu abusos físicos e psicológicos às mãos da mãe.
Yayoi Kusama foi uma figura chave do psicadelismo e uma das artistas mais importantes do século XX, transformou este universo mental numa prolífica obra que abrange a pintura, a escultura, a performance, a literatura e a poesia. Levou-a mais tarde a fazer duas colaborações com a Louis Vuitton, em 2012 e 2023.
Yayoi Kusama colaborou com a Louis Vuitton
A Louis Vuitton tem prestado homenagem à artista na sua conta no Instagram, lembrando as colaborações entre a artista e a marca. “Estou profundamente consternado com a morte de Yayoi Kusama, uma das maiores artistas da arte contemporânea”, disse o presidente e CEO da Louis Vuitton. “Foi uma enorme honra para todos na Louis Vuitton termos colaborado com ela em duas ocasiões, em 2012 e 2023. A sua criatividade sem limites e a sua visão singular foram sempre uma imensa fonte de inspiração”. escreveu ainda Pietro Beccari. “O seu extraordinário legado continuará a inspirar as gerações futuras”, escreveu Pietro Beccari, presidente e CEO da Louis Vuitton.
Formada em Nihonga, um estilo tradicional de pintura japonesa definido no final do século XIX, na Escola Municipal de Artes e Ofícios de Quioto (oeste do Japão), Kusama emigrou para os Estados Unidos no final da década de 1950, fugindo ao formalismo rígido do país natal e procurando construir uma reputação dentro da vanguarda artística.
Na cidade de Nova Iorque, começou a criar obras de arte em espaços públicos, como o Central Park, onde realizou protestos contra a Guerra do Vietname. O ativismo antiguerra da artista japonesa nasceu aos 16 anos, quando os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial.
Apesar do sucesso nos EUA, onde influenciou contemporâneos como Andy Warhol e Claes Oldenburg, Kusama regressou ao Japão em 1973, após o agravamento dos seus problemas de saúde mental.
Em 1990, a artista internou-se voluntariamente numa instituição psiquiátrica, de onde continuou a produzir obras em diversos formatos.
“Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Yayoi Kusama construiu uma carreira aclamada mundialmente como uma artista pioneira da vanguarda, cuja prática criativa abrangeu as artes visuais, a performance, a ficção e a poesia“, escreveu a sua empresa.
“Daremos continuidade ao legado de Yayoi Kusama e, através da arte, continuaremos a levar esperança e força para o futuro às pessoas de todo o mundo”, acrescentou o comunicado.
Kusama expôs em museus de todo o mundo e recebeu inúmeros prémios, como a Ordem das Artes e Letras do Japão e a Ordem da Cultura do Japão.
Em 2006, tornou-se a primeira mulher a receber o Praemium Imperiale da Associação de Arte do Japão, um dos mais prestigiados prémios de arte internacionais do mundo.
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