Entramos e saímos de casa quase todos os dias, e de vez em quando visitamos amigos e familiares. Mas prestamos atenção às entradas dos prédios? Durante um ano, Mag Rodrigues fotografou cerca de 120 entradas de prédios em Lisboa e arredores – um trabalho que mostra a diversidade estética desses espaços e como são ocupados.


Começou no Verão de 2025 e terminou neste. Mag Rodrigues, que se apresenta como “fotógrafa documental, de autor e criativa”, andou durante um ano obcecada pelas entradas dos prédios de Lisboa e arredores. Encostando a câmara no vidro das portas, fotografou cerca de 120 halls de entrada – de Alvalade a Queluz ou Sacavém. “As imagens dos prédios surgem como o prolongar do já interesse por Lisboa e pelo que é mais vernacular. Faço grandes caminhadas pela cidade, para observar e fotografar, gosto do que é típico e inusitado”, explica por e-mail ao LPP.
As fotografias estão publicadas na sua conta de Instagram, @mag___rodrigues, onde também é possível encontrar outros trabalhos que a fotógrafa de 35 anos tem feito ao longo da carreira. Como é o caso do projecto “Mãos no Metro”, um ensaio sobre a riqueza e subtileza por detrás de como posicionamos as mãos durante uma viagem de metro. Ou do “Covidário”, que enaltece o papel dos enfermeiros e enfermeiras durante a pandemia de Covid-19.


O interesse pelas entradas dos prédios surgiu a par com uma tese de mestrado que está a desenvolver. Mag percorreu Lisboa, mas também Queluz, Amadora, Moscavide ou Sacavém, como explicou à revista Time Out Lisboa. E observou algo a que normalmente não damos muita atenção, apesar de entramos e saímos de casa praticamente todos os dias, e de vez em quando visitamos amigos e familiares. O que encontrou – segundo disse ao LPP – foi uma “uma variedade imensa quanto à estética dos prédios e como revelam muito sobre arquitectura, história, design e, também, sobre como o humano ocupa os espaços, concretamente este espaço que tanto é íntimo como é público”. Refere-se a vasos com ou sem plantas, a carrinhos de bebé que são deixados à entrada, ou a azulejos que as obras pontualmente destruíram.


“Fotografei entradas das décadas de 1960 a 1990 e a diferença que encontro é o progressivo desaparecimento destas estéticas no centro da cidade/áreas em voga”, explica. “Com construções novas, nem sempre se opta por manter o design e arquitectura”, observa a fotógrafa. Para Mag, as cerca de 120 fotografias são uma forma de preservar essas estéticas que teme que possam desaparecer com reabilitações ou com a eventual transformação dos prédios habitacionais noutra coisa. O trabalho ainda não está propriamente concluído: “Falta-me fotografar só mais um: o prédio onde passei a infância.”
Como referido, mais fotografias deste projecto de Mag Rodrigues podem ser encontradas na conta de Instagram @mag___rodrigues, sendo que a fotógrafa tem alguns dos seus trabalhos à venda, permitindo-lhe também, dessa forma, continuar a documentar Lisboa e outras cidades.
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