Ich bin ein Guerreiro, aber ich bin nicht im Krieg… (1)
Jornal do Algarve30. August 2026 um 16:04
Der Autor, bekannt als Neto, schreibt eine Meinungskolumne im Jornal do Algarve, in der er Álvaro Magno Guerreiro, einer prägenden Figur der Farmácia Carrilho in Vila Real de Santo António, der sogar Bürgermeister der Stadt war, eine Hommage widmet. Neto erwähnt, dass er einige "treffende Bemerkungen" zu seinen Ehren schreiben möchte, und fügt eine humorvolle Anekdote über einen Vorfall zwischen Guerreiro und Zé Rebojo hinzu, der sich um den Kauf von Zäpfchen in einer Apotheke drehte.
Der Haupttext besteht aus einer fiktiven Unterhaltung zwischen dem Autor und einer Omeprazol-Tablette, seinem langjährigen Medikament. Die Tablette fragt, warum sie nicht mehr die Erste ist, die morgens eingenommen wird, erinnert sich daran, wie sie sich während einer Reise nach Salvador da Baía in Brasilien kennengelernt haben, eingecheckt im Pestana Bahia, mit einer Gruppe von Freunden, darunter der unvergessene Mano Velho, Mana Luísa, die Ehefrau des Autors und Dr. Beatriz, die damals Klinische Direktorin des Kreiskrankenhauses von Faro war.
Das Omeprazol bedauert, seinen Status als "erstes" tägliches Medikament verloren zu haben, und erwähnt, dass es jetzt andere Tabletten gibt, die vor ihm eingenommen werden, darunter ein "Medikament für Verrückte" und Medikamente für den Rücken. Die Tablette kritisiert auch, dass der Autor zu viele Medikamente nimmt, erwähnt, dass es in Spanien früher billiger war und der Autor es sogar in Ayamonte gekauft hat, und dass der Autor andere Tabletten halbiert, was sie beleidigt.
Der Autor schließt mit dem Versprechen, alle Medikamente gleichzeitig einzunehmen, aber das Omeprazol lehnt ab und zieht es vor, das Letzte zu sein, das geschluckt wird, um den Moment mit dem "Verrückten" zu teilen. Am Ende erwähnt die Tablette, dass es vor dem Omeprazol die Rennie gab, die TV-Ehren erhielt, aber nie die Ehre einer Kolumne im Jornal do Algarve hatte.
Vou procurar escrever dois ou três remates certeiros, em homenagem ao Senhor Álvaro Magno Guerreiro, o grande Mestre da Farmácia Carrilho, que ainda chegou a Presidente da Câmara da minha terra, da minha Vila, hoje tornada Cidade. E vou escrevendo essas coisas antigas, para não me eclipsar, com os textos que por aí andam, que são alimentados pela IA – nada contra a IA – porque tem pessoas, que não sabiam escrever – eu também não sei – mas que agora, rodeadas de tanta vaidade, como se tivessem estado no estrangeiro, andam aos gritos a dizer que agora está tudo mal…
Mas volto ao Senhor Álvaro Guerreiro, apenas para lembrar um episódio, bem distante:
-Senhor Alvário, por favor, queria uns supositórios.
-Tens aqui, E os supositórios, são para pôr na conta do teu pai?
E o Zé Rebocho, responde:
-Não, Senhor Álvaro, é para pôr no cú da minha mãe!
Sobre esta grande figura, que foi o Senhor Álvaro Guerreiro, do tempo, em que se comprava cerveja preta, na Botica, tal como popularmente foi sendo reconhecida, mesmo quando passou a ser chamada de Farmácia, voltaremos para a semana. Agora vou trazer à memória, uma velha história, entre mim, e o meu amigo, Omeprazol…
-Neto, Neto, ó Neto…
Olhei e não vi ninguém, mas de imediato, pensei: «Que raio, mas esta voz me é familiar!» – “Esta voz é familiar, mas de onde virá?”, interroguei-me, e a insistência voltou a acontecer…
-Neto, Neto, ó Neto…
Baixei a cabeça, em busca de sossego para ouvir melhor, quando reparo que ao lado da torrada que fazia parte do meu pequeno almoço, vejo um comprimido omeprazol a fazer sinais e a gritar: – Neto, Neto ó Neto… +
Sabia que os comprimidos já me tratavam por tu, mas este abusivo tratamento, de Neto para aqui e Neto para ali, já estava a fugir à minha rotina de colecionar amigos, contudo, nada contrariado, não quis deixar o omeprazol sem resposta, tratando-o com toda a educação e carinho, que desde sempre me merece e perguntei:
-Mas velho amigo omeprazol, o que é que se passa?
-O que é que se passa? Ainda tens lata em perguntar o que é que se passa? – respondeu o omeprazol, acrescentando:
-Mas eu agora passei a ser o último? Não te esqueças que já ando contigo há vários anos. Lembras-te, quando começámos a andar juntos e desde esse dia eu fui sempre o primeiro? Então vou recordar-te… Tudo aconteceu há muitos anos, em Salvador da Baía, estavas com um grupo de amigos, hospedado no Pestana Bahia…
Como a conversa estava a correr para um campo mais íntimo e antes que o omeprazol, se espalhasse, peguei na minha memória, dizendo:
-Sim, eu sei. Foi numa memorável viagem, que fiz com o saudoso Mano Velho, a Mana Luísa, eu e a minha esposa e também a Beatriz, prima da mana Luísa, ou para melhor, a Dr. Beatriz, que na altura era a Directora Clínica do Hospital (do então Hospital Distrital de Faro). E logo no primeiro dia ao pequeno-almoço, a Beatriz, «reuniu a malta» e disse:
Entre esta confusão, está a tal «coisinha», que a querida e saudosa Dr.ª Beatriz, nos pediu para tomar, em Salvador da Baía
-Não sei como é a água aqui em Salvador da Baía, mas pelo sim ou pelo não, vamos todos tomar esse comprimido antes do pequeno-almoço…
E enquanto vou escrevendo este bocado de memória, para que o omeprazol, não meta os pés pelas mãos, volto a ser interrompido pelo omeprazol.
-Estás a ver, estás a ver, como ainda te lembras de mim! Por isso, Neto, lamento que tenha deixado de ser o primeiro…
A conversa voltava ao começo e inquiri o omeprazol. Mas quem é que te disse que agora és o primeiro?
-Olha Neto! Estás a ficar um bocado esquecido. Lembras-te da irritação que apanhei logo no dia em que nos conhecemos, quando a vossa tal amiga médica, pegou em mim ao colo, atirou-me para cima da mesa do pequeno-almoço e gritou para vocês:
-Antes do pequeno-almoço, têm que tomar esta coisinha. Ia perdendo a cabeça, porque a saudosa Dr.ª Beatriz, como vocês tanto gostavam e eu também tenho saudades dela, porque ela já nessa altura confiava em mim, mas fiquei com os cabelos no ar, quando ela nessa manhã, bem distante, me tratou por «coisinha»… Aliás, perante a minha reacção até o vosso Mano Velho, de quem tenho saudades, deu uma grande gargalhado, dizendo: Malta, a Beatriz tem razão…
Portanto, porque nesse tempo, a água «para beber», em Salvador da Baía, não era muito confiável, cá estava eu, para vos defender. E a partir daí, lembras-te Neto, passei a ser o primeiro…
E logo nesse dia fiquei chateado, porque eu fui sempre fiel e quantas vezes, não saí de uma caixa amarrotada, porque tu tiveste sempre pouco cuidado comigo, para combater a tua azia. Azia, por tudo e por nada. Então, quando o Benfica perdia eras mesmo um aziado. Aliás, ainda hoje és. E quem é que está sempre na fila da frente para te ajudar? Eu, o teu amigo, omeprazol. E agora, sou o último…
Tomas de tudo, como se pode ver aqui no prato, estes artistas que estão ao meu lado. Tomas o A, o B, o C, o D. Eu sei que tens um filho que te manda essas coisas e no outro dia até puseste uma foto no Facebook, tu a beber uma cervejita e escreveste: Eu cumpro toda medicação. Sim, cumpres, mas meia hora depois, já estava a chamar por mim e eu lá fui ter contigo. Às vezes, sinto-me um bocado abandonado e escuto as tuas conversas. No outro dia até dizias… hoje vou tomar um miolinho de amêndoa, pode ser que me passa a azia. Está bem, deixa… o Benfica, burrou-se todo diante do Académico de Viseu e lá tive que avançar. E agora, agora passei a ser último…
A conversa com o omeprazol, estava a ficar muito feia. Não é que ele não tivesse razão, mas também não podia estar a ficar tão agitado e de tal forma agitado, que olhei para ele e disse: – Olha, agora por causa desta tua agitação, até passei a tomar isto…
-Isto? – respondeu ele, dando uma grande gargalhada – mas isto é para malucos.
Aqui perdi a cabeça e atirei-o, fora do prato dizendo: – Maluco, é a tua tia.
Caído a meus pés, ouvi a sua voz, como se viesse de muito longe, agora um pouco com traços de amargura:
-Neto, ó Neto. É pá desculpa. Por favor, ajuda-me a levantar e dá-me também uma dessas coisas que estás a tomar para a dor nas costas, porque quando caí no chão, acho que fiquei todo partido…
Peguei nele. Coloquei-o no meu colo e entramos numa conversa mais séria, começando por lhe pedir desculpa.
Olha amigo omeprazol, eu sei a importância que tens tido na minha vida. E se hoje não és o primeiro, é que agora passei a tomar uma coisinha, para tratar da minha coisinha, que me obriga a que esta coisinha, este comprimido passe a ser a primeira ao pequeno-almoço. Mas vão acabar as guerreias. A partir de agora, vou pegar nos 500 comprimidos que tomo ao pequeno-almoço, e vou passar a engolir todos ao mesmo tempo…
Estava eu nesta serena e pedagógica descrição, quando volto a ser interrompido, pelo omeprazol.
-É pá, Neto, não gozes com isso, eu prefiro ser o último, do que tomar banho, com esta gente toda ao mesmo tempo. Olha a tal coisa que tu tomas, para os malucos, nem sabe nadar, era o que faltava que eu entrasse na água, isto é, na tua boca, com ele, certo que lá marchávamos os dois ao mesmo tempo não. Não, prefiro ser o último, que ser engolido com este maluco…
Não lhe respondi. Apesar de me sentir ofendido, com a questão do tal comprimido para malucos.
Mas ele, que já se sentia melhor, depois do abanão que lhe dei, que até foi parar ao chão, que voltou a querer liderar a conversa, outra vez, por se sentir importante e eu não lhe negava a importância.
-Ó Neto, lembras-te há quantos anos que somos companheiros de viagem? Tenho corrido o mundo contigo e nunca poderás esquecer, que até quando eu estava mais barato em Espanha, lá ias a correr a Ayamonte para me comprares. Para me teres sempre perto de ti. E todos os dias, até te vejo, partir um comprimido ao meio, nem sei como se chama, mas que me ofende. E nem imagino a dor que aquele comprimido sente, quando o partes ao meio. Mal de ti se me partisses ao meio, nunca mais te falava…
Voltei a pegá-lo ao colo e procurando acalmá-lo, disse-lhe: Querido omeprazol. Eu te adoro. Nem sei o que seria de mim, quando o Benfica perde, o que me obriga a correr logo para ti. Portanto, não te zangues comigo.
Eu sei que antes de ti, havia a Renni, teve honras de televisão, mas nunca, como tu, teve honras de JORNAL DO ALGARVE. Orieça…
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