Der Artikel übt scharfe Kritik an der Berichterstattung des Diário de Notícias über die Fähre, die das Festland mit Madeira verbindet, und wirft dem Morgenblatt vor, systematisch die Interessen seines Eigentümers, der Grupo Sousa, zu verteidigen. Der Autor erinnert daran, dass die Zeitung in der Vergangenheit bereits ähnliche Positionen unterstützt hat, wie im Fall des „parlamentarischen Untersuchungsausschusses zu erfundenen Bauarbeiten", und warnt, dass alle, die in der Zeitung erscheinen, eines Tages fallengelassen werden könnten, wenn sie für die wirtschaftlichen Interessen der Gruppe nicht mehr nützlich sind. Die Titelseite des DN bringt eine alarmistische Schlagzeile besonders hervor: „BESTER FÄHREN-SZENARIO HÄTTE EIN DEFIZIT VON 18,59 MILLIONEN", und versucht den Leser davon zu überzeugen, dass der Schiffsbetrieb nicht rentabel ist.
Der Artikel deckt einen schwerwiegenden methodischen Fehler in der vom DN veröffentlichten Studie auf: Es wurde nur ein einziger Reeder befragt, nämlich die Grupo Sousa, die gleichzeitig Eigentümerin der Zeitung und Inhaberin des Transportmonopols für Güter in der Region ist. Andere im Bericht identifizierte internationale Betreiber wie die ETE-Gruppe, Grimaldi, Baleària und F
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oje lembrei-me do Sérgio Marques a passar capas do Diário de Notícias naquele inquérito parlamentar sobre as obras inventadas. Hoje tivemos mais uma vez a postura completamente sectária do Diário de Notícias a defender a posição do seu proprietário. Serve de exemplo a muitos que lhe dão força com a sua presença no matutino para o que lhes espera quando por alguma razão, em eleições ou outros enfrentamentos já não interessarem ou haver um "valor" maior a defender como a subsistência do Diário de Notícias
Fica claro como o DN, em contactos a cada um, compõe depois a participação de muitos na narrativa do senhor Sousa. É assim que se manipula, parecem as fotografias de campanha eleitoral em que o candidato encosta, o fotógrafo tira a foto e todos passam a ser apoiantes. Andam todos a ser levados pela certa com a sua vaidade, aparecem no sistema e participam nele.
Na primeira página, o destaque é intencionalmente alarmista, «MELHOR CENÁRIO DO FERRY TERIA DÉFICE DE 18,59 MILHÕES». O leitor que apenas passa os olhos pela banca fica imediatamente programado com o dogma do costume, o ferry é insustentável, inviável e uma loucura financeira. O Diário sabe que não é lido? Ou sabe do vício de tantos madeirenses?
Ao folhear para as páginas centrais (páginas 6 e 7), a manchete é ainda mais perentória, «APENAS 32% EMBARCAM», acompanhado por uma citação em destaque gigantesco (quote box) destinada a selar o veredicto político
A ausência de uma verdadeira falha de mercado (...) torna questionável a própria justificação da imposição de uma obrigação de serviço público.
Trata-se do desmantelamento metódico do próprio conceito de continuidade territorial. Quando se fala de transporte rodoviário, aéreo ou marítimo para regiões insulares, o debate num Estado de Direito soberano baseia-se no direito de mobilidade dos cidadãos e na quebra de monopólios. Mas para a linha editorial do matutino, a coesão territorial passa a ser tratada como um mero "capricho dispendioso".
O detalhe escondido, a auscultação a um único armador, por vontade dos autores do estudo ou pelo descrédito da Região e das entidades com longos anos de novela de ferry que acaba sendo sempre para matá-lo e manter intocável o monopólio do senhor Sousa, proprietário do Diário de Notícias.
No meio de um mar de números negativos, tabelas e gráficos desenhados para desacreditar a operação marítima, surge um pequeno caixa de texto na página 6, assinado por João F. Pestana, que desmascara todo o aparato, «RELATÓRIO SÓ CONSEGUIU OUVIR UM ARMADOR». Não pensou mais além?
O Grupo Sousa foi o único armador ouvido no estudo, a 25 de Março. O relatório identifica 4 outros armadores — Grupo ETE, Grimaldi, Baleària e FRS Portugal — para auscultação, mas diz que 'não se obteve resposta ou não foi possível o contacto'.
Este pormenor revela a fragilidade metodológica do estudo e a parcialidade da cobertura. Num trabalho que se pretende rigoroso sobre concorrência e custos marítimos, o único operador privado auscultado foi precisamente o grupo detentor do monopólio do transporte de mercadorias para a Região, e que é, simultaneamente, o proprietário do próprio Diário de Notícias. Todos os outros potenciais concorrentes internacionais simplesmente "não responderam" ou "não foi possível o contacto".
Apesar desta falha gravíssima, o jornal não questiona a validade do estudo, pelo contrário, pega no documento e transforma-o na sua verdade absoluta. Também não lhe importa destacar do mesmo descrédito de que enferma.
O "Editorial-Sentença" e a ilusão de pluralismo vem em seguida. A opinião do diretor, Ricardo Miguel Oliveira, sob o título «A utopia tem um preço», encarrega-se de ditar a sentença política. O texto desvaloriza anos de debate sobre o ferry, classificando-o como uma "sucessão de versões confortáveis" e concluindo que "o ferry não é a solução que falta no mercado, é a despesa que importa decidir antes de assumir". Ninguém vista toda a Europa para ver a enormidade das afirmações fixas ao senhor Sousa?
Para conferir uma patina de "isenção" e pluralismo, o jornal abre a página 28 (seção Observatório) a três convidados: um deputado do PS (Carlos Pereira), um da Iniciativa Liberal (Gonçalo Maia Camelo) e o presidente da Ordem dos Economistas regional (Paulo Pereira). É o clássico expediente de incluir vozes divergentes, estrategicamente enquadradas por perguntas induzidas ("Quais os maiores riscos para a sustentabilidade?"), garantindo que as individualidades locais continuem a responder à chamada do jornal, alimentando a sua própria vaidade de figurar nas páginas do matutino, enquanto ajudam involuntariamente a legitimar a moldura (the framing) traçada pelo grupo proprietário. Quantos deles sabem que estão numa emboscada que é o conjunto da edição do DN Madeira ou da pergunta inquinada para condicionar?
Tal como as tradicionais fotografias de campanha, em que o candidato encosta para a foto e todos passam automaticamente a figurantes do enredo, o sistema político e social madeirense continua a cair no mesmo abraço do urso, participa docilmente no ecossistema mediático que, no dia em que os interesses do poder económico assim o exigirem, não hesitará em descartar qualquer um em nome de um "valor maior", a manutenção das suas rendas e monopólios.
O ferry é rentável até mesmo com concorrência, há soluções já experimentadas que condicionaram, limitaram e expulsaram. Tudo começou com o interesse de um privado e agora estamos nesta conversa parva. Entretanto o senhor Sousa comprou mais 2 transitário e a autoridade da concorrência nada vê, até parece as "autoridades" do estudo.