
Em julho, a Apple anunciava algo que nunca tinha feito até então, aumentar o preço dos seus tablets e computadores em 20%. A medida foi justificada pela grande procura mundial de chips para alimentar os centros de dados para Inteligência Artificial. A empresa criada por Steve Jobs, em declarações ao “The New York Times”, disse que nunca tinha visto um aumento de preços tão rápido e expressivo nos componentes.
Certamente com isso em mente e aproveitando o período de regresso às aulas – segundo o Observador Cetelem, o preço elevado dos dispositivos eletrónicos constrange mais de 80% dos encarregados de educação –, a finlandesa Swappie decidiu lançar, na próxima segunda-feira, 31 de agosto, a venda de computadores portáteis recondicionados da Apple e entrar num mercado onde alguns retalhistas já marcam presença.
Em conversa com o Jornal Económico (JE), a country manager para o mercado português, Luísa Vasconcelos e Sousa, diz que esta nova categoria de produtos teve um teste prévio em três países: Alemanha, Países Baixos e Dinamarca.
A experiência com Macs recondicionados foi “bem-sucedida”, conta. “Muito gente já associava, ou assumia, que vendêssemos esse tipo de produtos. Começámos por esses mercados com maior população para testar a nossa capacidade, uma vez que somos nós que recondicionamos os computadores (em Tallin, na Estónia, e em Leipzig, na Alemanha) e há toda uma nova logística de trocar os teclados nas diferentes línguas, o que não acontece nos smartphones ou tablets”.
Aparelhos eletrónicos recondicionados são sinónimo de preços mais em conta do que dispositivos a estrear, à pergunta sobre qual a estratégia de preços para Portugal, Luísa Vasconcelos e Sousa explica que a estratégia é “dinâmica” e os preços diferem não só em cada país, como nos vários momentos do ano, “podem mudar todos os dias. São influenciados pela procura e oferta, e temos uma equipa especializada nisso”. Uma espécie de “uberização” do preço, acrescentamos. “Depende muito da oferta de produto, ou seja, grande parte da nossa oferta tem a ver com o que compramos, ou seja, estamos também dependentes dos dispositivos que recebemos”. E há ainda o tipo de produto que condiciona a procura e que difere “se for um iphone, ipad ou airpods”.
Para os computadores portáteis que começam a ser vendidos na próxima segunda-feira, e apesar do já mencionado dinamismo, a empresa estima que um MacBook Air de 15 polegadas recondicionado seja vendido a partir dos 1300 euros (novo custa a partir de 1700 euros). Já um MacBook Air de 12 polegadas, num modelo mais antigo, será vendido a partir dos 529 euros. “Já os produtos mais caros, como o Macbook Pro M5, poderá ser vendido a partir de 2800 (são vendidos novos a partir de 3800 euros).
Crescimento de 20% nas receitas em 2025
Apesar da empresa não divulgar números financeiros por país, os dados acumulados indicam que as receitas totais da Swappie em 2025 atingiram os 249 milhões de euros, um crescimento de 20% face ao ano anterior. O EBITDA foi de 2,5 milhões de euros no primeiro ano completo de rentabilidade para a empresa fundada em 2016 na Finlândia. Ao todo foram 650 mil dispositivos vendidos globalmente. Sobre o mercado português, Luísa Vasconcelos e Sousa indica que rentabilidade da empresa cresceu dez vezes entre 2024 e 2025. “Entrámos em 2020 em Portugal e a maior diferença é que, nessa altura, muito poucas pessoas sabiam o que era um produto recondicionado, confundiam o conceito com produtos em segunda-mão”. E a previsão é continuar a crescer em Portugal. Contudo, existem algumas dificuldades, a falta de loja física (que não está nos planos da empresa) é uma delas. “O consumidor não pode ir diretamente a uma loja vender o seu dispositivo e receber logo o seu dinheiro”, há uma logística quando se trata da compra e venda em simultâneo de telemóveis e que pode levar a que os clientes tenham de esperar até cinco dias para receber o novo aparelho. Mas há soluções mais rápidas, com custo acrescido para o cliente: a entrega pode ser feita entre um e três dias.




