Donald Trump unterzeichnete eine Executive Order, damit der Ontariosee in den offiziellen US-Dokumenten künftig als „Lake America" bezeichnet wird. Die Maßnahme wurde am 27. August 2025 im Kontext eines intensiven Handelskrieges mit Kanada ergriffen. Das Innenministerium hat 30 Tage Zeit, um das föderale geografische Namenssystem zu aktualisieren. Dies ist nicht das erste Mal, dass Trump solche toponymischen Änderungen vornimmt, da er bereits im Januar 2025 angeordnet hatte, dass der Golf von Mexiko in den Karten der US-Bundesregierung als „Golf von Amerika" bezeichnet werden soll.
Das Weiße Haus begründet die Änderung mit der Rolle der Vereinigten Staaten beim Schutz und bei der Nutzung der Großen Seen und argumentiert, dass sich der Großteil des Wasservolumens des Sees auf nordamerikanischem Territorium befindet. Die Änderung gilt jedoch nur für die US-Bundesverwendung und verpflichtet nicht Kanada, internationale Organisationen oder andere Stellen, den neuen Namen zu übernehmen. Der kanadische Premier

Na guerra comercial entre os Estados Unidos e o Canadá já parece haver um vencedor inesperado: o marcador vermelho dos mapas.
Donald Trump assinou esta quinta-feira, 27, uma ordem executiva para que o Lago Ontário passe a ser designado, nos documentos oficiais norte-americanos, como “Lake America”. E, como se a mudança de nome de um dos Grandes Lagos não fosse suficientemente ambiciosa, o Presidente norte-americano deixou no ar a possibilidade de avançar para águas ainda maiores.
“Já temos um Golfo da América e temos um lago. Agora só precisamos de um oceano”, disse Trump no Salão Oval, sugerindo que o próximo alvo poderá ser o Atlântico ou o Pacífico. A frase foi proferida no contexto da assinatura da ordem executiva e, até agora, não existe qualquer decisão formal para mudar o nome de nenhum dos dois oceanos.
Ou seja: o Atlântico continua Atlântico e o Pacífico continua Pacífico. Pelo menos por enquanto.
A ameaça — ou brincadeira, dependendo da interpretação — acrescenta uma dimensão quase cartográfica à crescente guerra comercial entre Washington e Ottawa. O elEconomista resumiu a situação com uma frase que parece saída de uma caricatura política: “na guerra comercial entre os EUA e o Canadá já parece haver um perdedor: o mapamúndi”.
Do Golfo da América ao Lago América
Trump já tinha inaugurado esta política de baptismo geográfico em janeiro de 2025, quando determinou que o Golfo do México passasse a ser designado “Golfo da América” no âmbito do Governo federal dos EUA.
Agora chegou a vez do Lago Ontário, um dos cinco Grandes Lagos da América do Norte, partilhado pelos Estados Unidos e pelo Canadá.
A ordem executiva assinada por Trump determina que o Departamento do Interior actualize, no prazo de 30 dias, o sistema federal norte-americano de nomes geográficos. A Casa Branca justifica a decisão com o papel dos Estados Unidos na protecção e utilização dos Grandes Lagos e sustenta que a maior parte do volume de água do lago se encontra em território norte-americano.
Mas há um pequeno detalhe diplomático: Washington pode mudar aquilo que os seus organismos oficiais escrevem nos mapas. Não pode obrigar o Canadá a fazer o mesmo.
É precisamente esse o ponto sublinhado pela Reuters. A alteração aplica-se à utilização federal norte-americana e não obriga o Canadá, organismos internacionais ou outras entidades a adoptar o novo nome. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, já deixaram claro que não pretendem abandonar “Lake Ontario”.
O Canadá, portanto, continua a ter um Lago Ontário. Os Estados Unidos passam a ter um Lago América. A água, entretanto, permanece exactamente no mesmo sítio.
E agora o oceano?
É aqui que a história ganha uma dimensão quase surrealista.
Se a lógica for levada até ao fim, Trump já tem um Golfo da América, terá em breve um Lago América e considera que falta apenas um oceano para completar a colecção.
A questão é saber qual. O Atlântico seria uma escolha conveniente. Afinal, é o oceano que banha a costa leste dos Estados Unidos e que, durante séculos, serviu de porta de entrada e saída para o comércio americano. O Pacífico também não ficaria mal, sobretudo para uma potência que olha cada vez mais para a Ásia.
Mas há um problema: os oceanos têm a desagradável característica de serem internacionais. Uma ordem executiva norte-americana pode alterar a terminologia utilizada pelo Governo dos Estados Unidos. Não pode reescrever os mapas do planeta inteiro. A própria Reuters salienta que a mudança do Lago Ontário não tem poder para impor o novo nome fora da esfera federal americana.
Assim, poderemos chegar a uma situação curiosa: num documento oficial de Washington, o Atlântico poderá eventualmente receber um novo nome; num mapa canadiano, europeu, brasileiro ou japonês, continuará a ser o Atlântico.
Seria talvez a primeira guerra em que cada país poderia ganhar simplesmente escolhendo o seu próprio mapa.
A geografia como arma comercial
A mudança de nomes acontece num momento particularmente tenso das relações entre Washington e Ottawa.
As negociações comerciais entre os dois países fracassaram e os Estados Unidos avançaram com tarifas de 50% sobre cerca de 20 mil milhões de dólares de produtos canadianos. O Canadá respondeu com tarifas de valor equivalente sobre produtos norte-americanos.
Trump acusa repetidamente o Canadá de manter práticas comerciais prejudiciais aos Estados Unidos e voltou a defender a ideia de que a produção automóvel destinada ao mercado americano deveria ser realizada integralmente dentro dos EUA.
O problema é que a economia norte-americana não funciona como um conjunto de ilhas económicas independentes. A indústria automóvel dos EUA e do Canadá construiu, ao longo de décadas, cadeias de produção profundamente integradas. Componentes atravessam a fronteira várias vezes antes de um automóvel chegar ao consumidor.
É por isso que uma tarifa pode não ser apenas um imposto sobre o estrangeiro: pode também tornar mais caros os próprios produtos fabricados nos Estados Unidos.
O Canadá não muda o nome
A dimensão simbólica da decisão parece, por isso, ser tão importante como a económica.
Trump insiste que a mudança do nome do lago não constitui uma mensagem para o Canadá. Mas acontece precisamente quando as relações entre os dois países atravessam uma das fases mais difíceis das últimas décadas.
E a reacção canadiana foi imediata.
Para Ottawa, continua a ser Lake Ontario. Para Nova Iorque, também. Para grande parte do mundo, continuará a ser Lake Ontario. Só nos documentos oficiais americanos começará a aparecer o novo nome determinado pela Casa Branca.
É uma disputa peculiar: Washington pode ganhar o direito de escrever “Lake America” no seu próprio mapa, mas não pode fazer desaparecer “Lake Ontario” do mapa dos outros.
O próximo capítulo: Atlantic America?
Por enquanto, o oceano pode respirar descansado. Trump não assinou nenhuma ordem para mudar o nome do Atlântico ou do Pacífico. Apenas sugeriu que poderia fazê-lo.
Mas, depois do Golfo do México e do Lago Ontário, a pergunta deixou de ser completamente absurda: se a geografia americana pode ser rebaptizada por decreto, onde termina a lista?
Um rio? Uma baía? Uma montanha? Talvez um continente — embora aí a burocracia internacional possa tornar-se particularmente incómoda.
O mais curioso é que, no meio de uma guerra comercial que envolve tarifas, cadeias de abastecimento, indústria automóvel e dezenas de milhares de milhões de dólares, a discussão tenha chegado aos mapas.
A economia pode estar a tentar perceber quanto custará a guerra comercial. A diplomacia tenta perceber como a terminar. E os cartógrafos, por sua vez, começam a olhar para os oceanos com alguma apreensão.
Porque, se Trump cumprir a promessa, talvez um dia seja preciso explicar às crianças que o Oceano Atlântico mudou de nome.
E, nesse caso, a velha pergunta “onde fica o Canadá?” poderá ganhar uma nova resposta: Depende do mapa.