Die Zahl der invasiven Meeresarten in portugiesischen Gewässern ist in 10 Jahren um 75 % gestiegen, von 133 auf 231 Registrierungen, so eine von denMeeres- und Umweltwissenschaften (Mare) und dem Aquatic Research Network (Arnet) geleitete wissenschaftliche Studie. Diese Arbeit umfasste 31 Forscher von 11 portugiesischen Universitäten und Organisationen und wurde in der Zeitschrift Marine Pollution Bulletin veröffentlicht. Von den 231 bestätigten Arten kommen 159 auf dem portugiesischen Festland vor, 81 auf den Azoren und 62 auf Madeira, wobei 39 % der nicht einheimischen Arten auf dem Festland aus dem Nordpazifik stammen.
Die Schifffahrt wird als Hauptursache für die Einfuhr neuer Arten identifiziert, sei es durch die Anhaftung an den Rümpfen der Schiffe oder durch die Entladung von Ballastwasser. Transportfahrzeuge verwenden Ballastwassertanks, um Stabilität zu gewährleisten, und wenn sie dieses Wasser an einem anderen Punkt des Globus entladen, transportieren sie lebende Organismen mit, die sich in neuen Ökosystemen ansiedeln können. Die Aquakultur ist ein weiterer Einfuhrweg, sowohl durch den Import neuer Zuchtarten als auch durch Organismen, die mit diesen Exemplaren eingeschleppt werden.
Sines wird in der Studie als strategischer Eingangspunkt für invasive Arten genannt, aufgrund seiner Lage an der Kreuzung von Seehandelsrouten, die Asien, das Mittelmeer, die Vereinigten Staaten und Afrika verbinden. Die Studie schlägt eine bahnbrechende Überwachungsliste mit 22 Arten vor, die ausschließlich durch molekulare Methoden wie Umwelt-DNA nachgewiesen wurden, und fungiert als Frühwarnsystem, um potenzielle Eindringlinge zu identifizieren, bevor sie vor Ort visuell erfasst werden.
Die Forscher sind der Ansicht, dass der Schwerpunkt auf der Prävention liegen sollte, da eine invasive Art häufig erst entdeckt wird, wenn sie bereits vollständig angesiedelt ist. Es gibt eine internationale Konvention, die die Behandlung von Ballastwasser vor der Entladung vorschreibt, sowie spezifische Regulierung für die Einfuhr neuer Arten in der Aquakultur, aber laut der Forscherin Paula Chainho gibt es in Portugal keine offiziellen Berichte über die Umsetzung dieser Maßnahmen oder die Überprüfung ihrer Einhaltung.
O número de espécies marinhas invasoras nas águas portuguesas aumentou 75% em 10 anos, com mais 98 registos, de acordo com um estudo científico a que hoje a agência Lusa teve acesso.
Este estudo foi uma atualização de um levantamento com 10 anos das “espécies não indígenas ou espécies introduzidas nas águas costeiras portuguesas, portanto estuários nas costeiras, lagoas costeiras, e incluiu tanto o continente como as ilhas”, explicou à Lusa Paula Chainho, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare), uma das organizações que tutelou o projeto.
“Verificámos que há 10 anos tínhamos reportado 133 espécies não indígenas e atualmente reportámos 231”, que corresponde a “uma taxa muito elevada de novas introduções”, disse.
Isto “é ainda mais preocupante” porque os investigadores que realizaram o estudo há 10 anos admitiam que o elevado número então registado correspondia a espécies que não haviam sido estudadas, mas tudo indica que estes novos 100 registos correspondem a um “aumento bastante acentuado” porque, desde então, têm sido feitas várias análises.
“Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira”, pode ler-se na apresentação do trabalho de 31 investigadores de 11 universidades portuguesas entre várias organizações, e liderado pelo Mare e pela Rede de Investigação Aquática (Arnet), que foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin e aponta vários problemas na costa portuguesa.
Segundo Paula Chainho, a “navegação é a principal causa de introdução de novos exemplares”, seja através da “incrustação nos cascos das embarcações” de espécies ou pela lavagem dos tanques de água de lastro.
As embarcações de transporte têm tanques de água no interior para ficarem equilibradas quando carregam mercadoria e descarregam conforme necessitem para garantir a estabilidade da estrutura.
“Quando uma embarcação descarrega uma determinada carga, tem que compensar essa saída de peso com um peso adicional e, portanto, neste caso, as águas que são introduzidas nos tanques de lastro”, que são descarregadas noutro ponto do globo quando carregam novas mercadorias.
“Nestas águas que são captadas num local e descarregadas noutro viajam muitos organismos vivos”, explicou a investigadora, que aponta também riscos na aquacultura.
Em causa, nestes casos, está a introdução de novas espécies de produção, mas também organismos que “chegam à boleia” destes exemplares.
Por isso, o “foco deve estar principalmente na prevenção porque quando uma espécie aquática entra num determinado local, nós só vamos detetá-la quando ela já está perfeitamente instalada”, defendeu a investigadora.
Nesse capítulo, existe uma “convenção internacional das águas de lastro que obriga ao tratamento lastro antes de serem descarregadas” mas “em Portugal não temos relatórios oficiais que possamos consultar sobre como é que isto tem vindo a ser implementado”.
Já em relação à aquacultura, “também há regulamentação e, portanto, para ser introduzida uma nova espécie não indígena para a aquacultura é preciso um requerimento específico”, mas também “não há nenhum tipo de verificação em Portugal em relação a como é que isto está a ser cumprido ou não”, disse.
Noutros casos, há espécies como a ameijoa japonesa, uma espécie invasora nas águas nacionais há muitos anos, e em que a única forma de controlar a sua população é através da gestão da pesca, reconheceu.
O trabalho propõe também uma lista de vigilância inédita com 22 espécies detetadas através de ADN ambiental, um sistema de deteção precoce capaz de identificar espécies invasoras antes de serem observadas a olho nu.
Nas águas de Portugal continental, 39% das espécies não indígenas são originárias do Pacífico Norte, seguidas de 24% com origem noutras zonas do Atlântico Norte, uma tendência que é invertida nos Açores e Madeira, com o Pacífico Norte a ter predominância.
De todos os portos, Sines “surge no estudo como um ponto estratégico de entrada, dada a sua localização no cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África”, refere, justificando a investigação específica desta zona.
“As invasões marinhas são um fenómeno dinâmico e transfronteiriço, e compreendê-las exige uma ciência capaz de trabalhar à mesma escala. Este estudo permitiu-nos ir muito além de uma simples atualização do número de espécies, revelando padrões de introdução, lacunas no conhecimento genético e prioridades para a monitorização futura”, refere Romeu Ribeiro, investigador do Mare e primeiro autor do estudo, num comunicado.
A equipa desenvolveu uma “lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental”, mesmo “sem confirmação física da existência.
Este mecanismo constitui “um sistema de alerta precoce, capaz de sinalizar potenciais invasores antes de serem visualmente identificados no terreno”.
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