Der Artikel von Gilberto Fernandes, außerordentlicher Professor an der ISCA-UA, befasst sich mit der zunehmenden Präsenz der Künstlichen Intelligenz in der Gesellschaft und argumentiert, dass diese unvermeidlich ist und alle betrifft, nicht nur Experten. Der Autor identifiziert verschiedene Einstellungen gegenüber KI: bedingungslose Befürworter, Skeptiker und diejenigen, die eine vermittelnde Position einnehmen. Er äußert besondere Besorgnis darüber, dass Studierende und Fachleute die von der KI produzierten Ergebnisse ohne Hinterfragen als „unbestreitbare Wahrheit" akzeptieren, was nach Ansicht des Autors zur Verschlechterung der Lese- und Schreibfähigkeiten sowie des kritischen Denkens der Bevölkerung im Allgemeinen beitragen kann.
Der Autor hebt das kürzliche Dokument der Universität Aveiro vom 22. Juli 2026 hervor, das den Titel „Referenzrahmen für die Bewertung von Lernleistungen im Zeitalter der Künstlichen Intelligenz" trägt. Dieses Dokument erkennt an, dass die institutionelle Reaktion auf KI weder kritiklos noch auf einem generellen Verbot basieren darf, und garantiert, dass die Nutzung von KI pädagogisch absichtsvoll und mit den Bildungszielen der Studiengänge vereinbar sein muss. Das Dokument betont, dass die Verantwortung weiterhin beim Menschen liegt, und schlägt vor, dass die Bewertung Demonstrationen des Verständnisses, mündliche Diskussionen und praktische Lösungsaufgaben umfassen kann.
Als Vorschläge teilt der Autor drei Anmerkungen. Erstens bezieht er sich auf eine Nachricht von CNN über KI-Giganten, die Tausende alter Bücher kaufen, nur um sie zu kopieren und anschließend zu vernichten, und betont, dass Elon Musk bereits Anweisungen gegeben hat, dass sein Unternehmen seltene Bücher während der Digitalisierung nicht zerstören darf. Zweitens erzählt er die Geschichte von Martin Weskott, dem Deutschen, der Bücher der untergegangenen Deutschen Demokratischen Republik rettete, die vor 1989 zur Verbrennung bestimmt waren, Bücher, die nun von der KI digitalisiert werden können. Schließlich appelliert er an die Gemeinschaft, die Buchmesse von Aveiro zu besuchen, die vom 28. August bis 13. September auf dem Praça do Rossio stattfindet, und ermutigt zur sorgfältigen Auswahl von Werken, die
É escusado fingir que a Inteligência Artificial (IA) não nos afeta, é coisa de doutores, dos outros, do futuro, ainda distante… Não, ela está presente, cada vez mais notada, vincada, implementada e arregimentada.
Por Gilberto Fernandes *
Há defensores acérrimos e incondicionais; outros, menos, são incrédulos e, na apatia e na indiferença, uns tantos constroem a terceira via: o nim…
Homem adulto em retrato frontal, com cabelo curto escuro e expressão neutra, usando camisa escura, em fundo claro uniforme.
Não se pretende nestas escassas palavras confrontar as reconhecidas vantagens, entre outras, da automação, da eficácia e eficiência na análise de dados massivos (especial atenção, nos exames médicos), identificação de padrões, a execução estonteante de tarefas respetivas e de baixo valor acrescentado, com os riscos e desvantagens da IA, normalmente relacionados com as emoções, a ética, o humano, que, não esqueçamos, ainda somos… Em síntese, a tendência de estandardização versus individualização.
Talvez seja um escotoma meu, admito. Mas, tenho sentido (sem evidência científica, ainda) por parte dos estudantes e também em muitos colaboradores administrativos e contabilistas certificados com quem tenho a oportunidade de privar, enquanto docente ou consultor, que o sentido e o pensamento críticos têm sido menosprezados. Melhor dizendo, as afirmações e os resultados que a internet e a IA produzem instantaneamente, como resposta aos mais requintados prompts, representam “a verdade” incontestável.
Esta apatia e este acreditar no deus IA sem interrogações, sem questões e sem dúvidas, pode contribuir, no curto prazo, para a construção de um caminho plano e largo para o estreitamento e degradação da literacia e da numeracia da generalidade da população, em geral, e dos estudantes, em particular.
Chegados aqui, considera-se importante trazer à colação o recente documento (data de 22 de julho de 2026) da Universidade de Aveiro (UA): Referencial para a Avaliação das Aprendizagens na Era da Inteligência Artificial, que a comunidade académica terá de dar a devida atenção. Logo no preâmbulo, reconhece-se que a resposta institucional à IA não pode ser acrítica, nem uma proibição generalizada. Muito sucintamente: o desafio central é garantir que a utilização da IA é pedagogicamente intencional e compatível com os objetivos formativos dos cursos, os resultados de aprendizagem das unidades curriculares e as competências avaliadas em cada elemento de avaliação. Entre muitas ideias, princípios e postulados, afigura-se louvável a afirmação que a responsabilidade continua a ser (sempre) humana. Consequentemente, a avaliação, sobretudo nas vertentes de IA CONDICIONADA e IA INTEGRADA, pode incluir momentos de demonstração de compreensão, discussão oral, defesa, apresentação do processo, resolução prática, reformulação ou explicitação das decisões tomadas (vd. ponto 3.4.).
Portanto, muitas novidades são esperadas neste processo contínuo e em curso, palpáveis, algumas delas, já no ano letivo 2026/2027, com responsabilidades específicas dos docentes e dos estudantes, entre outros. Portanto, não percamos o espírito e o pensamento críticos para o “apuramento da verdade” e o cumprimento dos princípios éticos (também, e sobretudo, na avaliação).
Mas, estando de férias, e gostando muito de livros, gostaria de partilhar três breves apontamentos, ou sugestões (para dar crédito ao título). Primeira: um colega docente, das artes e música, enviou-me, preocupado, a seguinte notícia (da CNN): Alguns gigantes da IA que estão a comprar lotes de milhares de livros antigos, simplesmente para os copiarem e eliminarem de seguida… Elon Musk já deu ordens para a sua empresa não destruir livros raros nos processos de digitalização!
Na mesma esteira, a segunda história, relaciona-se com a ação de Martin Weskott – o alemão que salva livros – na maioria editados na extinta República Democrática Alemã e por isso mesmo mandados queimar, antes de 1989. A desobediência que culminou na sobrevivência destes livros, permitirá à IA, nos dias de hoje, a sua digitalização (vd. “A Mais Bela Maldição – histórias de gente apaixonada por livros”, de Rui Couceiro, da Porto Editora.
Finalmente, eis a derradeira sugestão: a Feira do Livro de Aveiro abre portas brevemente. Decorrerá de 28 de agosto a 13 de setembro, na Praça do Rossio. Apelo que aproveitem para escolher criteriosamente um (ou mais) livro(s) que vos possa(m) fazer pensar. Boas leituras. Fundamentem a verdade…
* Professor Adjunto do ISCA-UA. Artigo publicado no site UA.pt.
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